"Você não sabe até onde eu chegaria para te fazer feliz"

Possivelmente uma pequena parcela dos leitores vai estranhar a frase que dá título a este post. Essa mistura de pronomes da terceira e da segunda pessoa é rejeitada por nossa norma culta. No entanto, imagino que boa parte dos leitores não vai notar nenhum problema na frase – até que leiam o que estou escrevendo. Falamos, normalmente, sem nenhum problema, como na frase que dá título ao post – ou como em “Você não sabe o quanto eu te amo”…

A principal razão para essa mistura de pessoas nos pronomes é simples. Provavelmente dá para contar nos dedos as pessoas que, numa situação de vida real, diriam: “Você não sabe do que eu seria capaz para fazê-lo/a feliz”, ou “Você não sabe o quanto eu o/a amo”. Já imaginaram, em meio àquele beijo escaldante, dizer “Eu o/a amo”???

A norma culta deve refletir os usos e costumes de quem fala a língua. Já temos alguns usos esdrúxulos nas formas de tratamento: “Você” com a terceira pessoa do singular, normalmente aquela de quem se fala, não com quem se fala… Ou “Vossa Excelência” também com a terceira pessoa, apesar do “Vossa” explicitado (em “Você” o “Vossa” de “Vossa Mercê” sumiu…).

Para a maioria absoluta da população brasileira, “Você” leva o verbo para a terceira pessoa – mas o verbo transitivo direto concorda com o pronome “te”, da segunda pessoa, não com “o” ou “a”, da terceira, no objeto direto…

Vejamos só quantas vezes Roberto Carlos mistura pronomes da terceira (como sujeito)e da segunda pessoa (este como objeto direto) na canção “Você não sabe”…

“VOCÊ não sabe até onde eu chegaria pra TE fazer feliz…”

“Encontraria uma palavra … pra TE dizer…” [i.e., para dizer para você]

“… loucuras que já fiz pra TE fazer feliz” (duas vezes) [i.e., para fazer você feliz]

“VOCÊ só sabe que eu TE amo tanto…

No entanto, Roberto Carlos corretamente (fiel ao espírito da língua) diz:

“VOCÊ não sabe quanta coisa eu faria por um sorriso SEU…”

O sorriso é o seu – mas a declaração de amor é "eu te amo"…

Então, vamos parar de frescura e falar como o espírito da língua nos move a falar…

Em Americana, 26 de Outubro de 2009

José Aristodemo Pinotti, colega e amigo

Faleceu ontem (1/7/2009) em São Paulo o Deputado Federal (Democratas) José Aristodemo Pinotti. Ele tinha 74 anos (faria 75 no dia 20/12 deste ano), e era médico ginecologista, professor aposentado da UNICAMP e da USP, ex-Reitor da UNICAMP, ex-Secretário da Educação do Estado de São Paulo, ex-Secretário da Saúde do Estado de São Paulo, ex-Secretário Municipal da Educação da Cidade de São Paulo, ex-Secretário do Ensino Superior do Estado de São Paulo. Orgulhava-se também de ser poeta e membro da Academia Campinense de Letras.

Tive o privilégio de trabalhar com ele quando ele foi Reitor da UNICAMP (fui Pro-Reitor para Assuntos Administrativos) e todas as vezes (menos uma) em que foi Secretário de alguma coisa. (Não pude trabalhar com ele, embora tenha sido convidado, quando foi Secretário Municipal da Educação da Cidade de São Paulo, porque estava com muitos compromissos com o Instituto Ayrton Senna e a Microsoft).

Fomos colegas na UNICAMP durante vários anos. Em 1981 concorremos à Reitoria da UNICAMP, com mais onze colegas, na primeira experiência de escolha democrática de Reitor de uma universidade brasileira. Não deu certo. Na consulta à comunidade fiquei bem na frente dele. Mas ele tinha mais força política. O governo do Estado (Maluf) interveio, me demitiu (e a sete outros candidatos), e a consulta à comunidade não valeu para nada. O Conselho Universitário elaborou uma lista sêxtupla numa reunião sinistra e colocou o Pinotti na cabeça da lista. No dia seguinte saía a publicação no Diário Oficial do Estado nomeando-o Reitor.

Por causa da intervenção do governo do Estado, entrei na Justiça e ganhei liminar dois meses antes da reunião do Conselho Universitário – o que me permitiu participar dela. Depois de nomeado Reitor, mas antes da posse, o Pinotti me convidou para uma conversa em sua casa e ali acertamos a solução da crise. Eu ainda tinha mandato de Diretor da Faculdade de Educação por dois anos, e queria terminá-lo (agora era questão de honra), mas ele me convidou para participar da gestão dele – se não quisesse de imediato, assim que eu terminasse o mandato frente à Faculdade de Educação. Escolhi esta alternativa e me tornei Pro-Reitor (na época ainda sem a devida institucionalização) para Assuntos Administrativos. O caso dos demais diretores demitidos também foi resolvido a contento de todos.

Éramos inimigos políticos dentro da universidade, tornamo-nos amigos ao longo desse dolorido processo de cicatrização de feridas. Aprendi muito com ele – especialmente a arte política de formar alianças até com desafetos, diante da necessidade de realizar um trabalho importante. O Pinotti tinha muitos desafetos na UNICAMP antes de assumir como Reitor. Ao final do mandato, era uma unanimidade: não havia oposição (exceto uma minoria radical que é sempre contra tudo, até o que é bom – e, muitas vezes, especialmente contra o que é bom). A última vez que trabalhamos juntos foi na Secretaria de Ensino Superior do Estado de São Paulo – ele como Secretário, eu como Secretário Adjunto. Foi uma experiência frustrada e frustrante – no segundo caso, por causa do tanto que precisa ser feito em relação ao Ensino Superior público do estado…

Na Secretaria da Educação do Estado fui seu assessor e dirigi o Centros de Informações Educacionais (CIE). Na Secretaria da Saúde do Estado fui seu assessor, seu ghost writer, e dirigi o Centro de Informações da Saúde (CIS).

Perdi um importante colega e amigo – o Brasil perde um bom deputado, um grande médico, um excelente homem público.

Em Washington, DC, 2 de Julho de 2009

A av Paulista e a região ao redor

É incrível como momentos importantes de nossa vida se associam a locais específicos… e, como, em alguns casos, esses momentos parecem se consolidar ao redor de alguns lugares específicos…

A av Paulista e a região ao seu redor são meus lugares favoritos em São Paulo. Certamente não são os locais mais bonitos e pitorescos. Mas são os locais que marcaram momentos importantes de minha vida.

De 1987 a 1990 trabalhei na Secretaria da Saúde, na av Dr Arnaldo. Eu ia, virtualmente todo dia, ao Conjunto Nacional e cercanias. Visitava quase diariamente a Livraria Cultura, comia nas redondezas. Poucas vezes ia para o outro lado (invariavelmente para almoçar no La Buca Romana, na Rua Cardeal Arcoverde, por exemplo).

Dezessete anos depois do término de meu trabalho na Secretaria da Saúde, voltei para a região da Paulista…

Em Junho de 2007 tornei-me presidente do Instituto Lumiar, cuja sede era na Rua Bela Cintra 561 – pertinho da Paulista. A partir de 2008 passei a ir ao Instituto Lumiar toda semana, em geral na segunda e na terça, ficando hospedado, em regra, no Hotel Ibis, no finzinho da Avenida Paulista, quase esquina com a Bela Cintra.

Quanto estava no Instituto Lumiar, muitas vezes ia almoçar no San Siro Ristorante, num flat da Bela Cintra, perto do Instituto Lumiar. O bufê era excelente e não saía muito caro (cerca de 40 reais para duas pessoas). Outras vezes almocei no Restaurante Tordesilhas, também na Bela Cintra – um pouco mais sofisticado e bem mais caro. Outras vezes almocei no restaurante do Caesar Business, na Paulista, onde a comida era muito boa, ou no Viena Delicatessen, no Conjunto Nacional. Um dia almocei no La Buca Romana, no Shopping Top Center. Uma vez comi no Starbuck’s Coffee no Shopping Center 3, em frente do Conjunto Nacional. Muitas vezes almocei (especialmente sopas) na Padaria Bella Paulista, na Haddock Lobo, a uma quadra da Paulista.

Mas os lugares favoritos, fora os restaurantes, eram a Livraria Cultura (que tem um coffee shop), a Fnac, e a Kalunga – todas na Paulista.

De vez em quando a necessidade me obrigava a ir a agências do Itaú e do Santander, ali perto do Conjunto Nacional, para resolver alguns problemas que exigiam a presença física no banco.

Agora, moro não muito longe da Paulista. Do meu apartamento até o começo da Paulista, no Paraíso, levo cerca de cinco minutos de carro, se o trânsito estiver bom – ou uns dez minutos de metrô, na linha Verde. Tenho visitado bastante o Shopping Pátio Paulista, no início da Paulista. O shopping foi renovado, está com uma fachada linda e, dentro, está cada vez melhor (com destaque para uma linda Livraria Saraiva).

Enfim, a Paulista – a própria avenida e a região que a cerca – passou a ocupar, do ano passado para este, um papel importante em minha vida… Que continue a fazê-lo. E que eu continue a não ir sozinho a todos esses locais.

Em São Paulo, 21 de Junho de 2009 (início do Inverno no Hemisfério Sul)

Orações infantis

[Encontrei o material abaixo que foi retirado, pelo que consta, de uma revistinha Coquetel, de Palavras Cruzadas]

Uma revista italiana ouviu o que as criancas pedem a Jesus quando oram. Confira aqui.

“Querido Jesus: Em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas pessoas, por que não fica com as que já tem?”

“Querido Jesus: A girafa você queria assim mesmo ou foi um acidente?”

“Querido Jesus: Todos os meus colegas da escola escrevem para Papai Noel, mas eu não confio nele: prefiro você”.

“Querido Jesus: Obrigado pelo irmãozinho, mas eu queria mesmo era um cachorrinho”.

“Querido Jesus: “Por que você não inventou nenhum animal novo ultimamente? A gente tem de ver sempre os mesmos”.

“Querido Jesus: Mande-me um cachorrinho. Eu nunca pedi nada antes, pode conferir”.

“Querido Jesus:  Talvez Cain e Abel não se matassem tanto se cada um tivesse um quarto só deles. Quando meu irmão ganhou seu próprio quarto nós quase paramos de brigar”.

“Querido Jesus, no Carnaval eu estou pretendendo me fantasiar de diabo. Você tem alguma coisa contra?”

“Querido Jesus, Você é invisível mesmo ou é só um truque?”

“Querido Jesus: Nós estudamos na escola que foi Thomas Edison que inventou a luz, mas a Bíblia diz que foi você. Para mim ele roubou a sua idéia.”

Transcrito em Ubatuba, em 13 de Junho de 2009

Nossos nomes

Não resta dúvida de que nossos nomes são coisas importantes para nós. Eles nos identificam.

Também não há dúvida de que há gente que não gosta do próprio nome. Conheci um dia no trabalho uma pessoa que se dizia chamar Mercedes, a quem todos chamavam assim. Tempo depois de a conhecê-la vim descobrir (lendo uma lista dos nomes dos funcionários e não encontrando o dela) que o nome verdadeiro dela era Umbelina. Não gostando do nome (and who can blame her?), ela simplesmente descartou, na prática, o nome que lhe foi dado em favor de um que escolheu. A secretária de minha filha tem o nome de Piedade – mas quer que a chamem de Valéria, e ela mesma se refere a si própria assim.

Nosso nome, entretanto, não consiste apenas do primeiro nome: inclui o primeiro nome (às vezes chamado de nome dado, que pode ser composto: Ana Maria, Vera Lúcia, Antonio Carlos), em alguns casos o nome do meio (que freqüentemente é o nome de família da mãe), e o último nome (ou o nome de família, que, em regra, é o nome de família do pai). Já foi pior. Consta que Dom Pedro II tinha dezessete nomes.

Meu nome completo é Eduardo Oscar de Campos Chaves, Eduardo Oscar sendo o primeiro nome (composto), Campos o nome da família da mãe e Chaves o nome da família do pai.

Não me lembro de jamais ter sido chamado pelo nome composto. Quando era criança, era chamado de Oscarzinho, porque meu pai era Oscar. Apenas quando entrei na escola primária, passei a ser chamado de Eduardo. Quando fui fazer o Clássico no Instituto JMC, passei a ser chamado de Oscar, sem o zinho, porque meu pai havia estudado lá e muita gente conhecia a ele e a mim. No Seminário, continuei a ser Oscar – muita gente então me chamava simplesmente de Oscar Chaves, que, na verdade, era o nome inteiro de meu pai. Mas eu mesmo, nessa época, me referia ao meu nome como sendo Eduardo Oscar Chaves, deixando o de Campos de fora. Tinha até um carimbo com esse nome, com o qual carimbava meus livros na página de rosto e em algumas páginas internas.

Quando fui para os Estados Unidos, para fazer Pós-Graduação, voltei a ser Eduardo – e passei a me referir ao meu nome como sendo Eduardo O C Chaves (sem ponto no O e no C). O Oscar sumiu de vez. ficando, quando muito, a inicial O.

De lá para cá, sempre fui Eduardo. Com o tempo, foi deixando de colocar o O C no meio e passei a ser simplesmente Eduardo Chaves.

Mulheres, no Brasil, em geral adotam o nome de família do marido (melhor dizendo: o nome de família do pai do marido – raramente adotam também o nome de família da mãe do marido). Ao fazerem-no, têm o direito de eliminar um ou mais nomes – o nome de família da mãe da mulher, quando há, em geral sendo a vítima. Quando se separam judicialmente, têm o direito de voltar a usar o nome de solteira – podendo, em alguns casos, manter o nome do ex-marido, se não houver objeção deste.

Muita gente critica essa prática, por ser machista. Por que a mulher adota o nome de família do pai do marido e este não adota o nome de família do pai da mulher? Realmente, acho isso injustificável. Ou nenhum adota o nome de família do outro, ou ambos adotam o nome de família do outro.

E se ambos carregam nomes de família tanto da mãe como do pai, por que não mesclar tudo, tanto no caso da mulher como no do homem, de modo que os dois fiquem com o mesmo conjunto de nomes, tirante o nome dado?

É verdade que os nomes, nessa sugestão, poderão ficar muito extensos. Mas qual o problema, se os dois querem assim? Embora mantenhamos nossa identidade pessoal no casamento, formalizado ou não, essa identidade se redefine, em grande medida, pelo fato de que somos casados com quem somos casados. Logo, justifica-se a adoção recíproca dos nomes de família. O nome assim indica que, não é só a mulher que passa a pertencer à família do marido, mas este também passa a pertencer à família da mulher. Nada mais justo.

Em São Paulo, 19 de Maio de 2009

O primeiro banho do Chico

No dia 30 de março compramos um Yorkshire Terrior (mini), nascido em 28 de janeiro – com dois meses, portanto. Além de ser lindo de morrer, é uma graça: brinca, corre, não chora nunca, quase não late. Já o deixamos em casa o dia inteiro (nos dias do Congresso do Interdidática) e ele se comportou como gente grande. Naturalmente que não sabe ainda fazer suas necessidades no local previsto, mas vai aprender.

Foi batizado domesticamente com o nome de Chico. Quem escolheu o nome foi a Priscilla. Curioso que é exatamente o mesmo nome de um outro Yorkshire Terrier que a Patrícia teve, faz alguns anos (e que ainda está vivo e forte, com o Alexandre). Para fins de pedigree, o nome oficial ficou sendo Franz Axt Schlüssel – nome imponente para combinar com sua imponente (embora minúscula) figura.

Na segunda-feira passada o Chico recebeu a visita da veterinária, Dra. Francine, que lhe aplicou a segunda dose da vacina, e o liberou para banhos de verdade. Até então ele só tomava banhos com spray e escova.

Hoje o Chico tomou o seu primeiro banho de verdade, na pia do banheiro social. Água quente, naturalmente. O banho foi dado pela Paloma, com uma pequena assistência minha. (A maior parte do tempo fiquei tirando fotos, devo admitir).

O banho exigiu um ritual, para o qual ontem nos preparamos na Cobasi, um quase hipermercado para pets que há aqui perto de casa, ao lado do Shopping Plaza Sul. O ritual do banho foi ditado pela Dra. Francine.

Primeiro, o Chico recebeu uma boa ensaboada com sabão de coco (em pedra), para realmente ficar livre da sujeira. Enquanto estava ensaboado, foi usada uma escovinha de dar brilho em unhas para que o pelo ficasse bem limpinho. Além disso, foi usado um pente meio fino de metal para garantir que não ficavam nós nem pequenas sujeiras no pelo dele.

Depois do sabão de coco, foi usado um shampoo apropriado para a raça dele, que deixa o pelo brilhante e sedoso – e, naturalmente, bem-cheiroso.

A seguir, foi passado no pelo do Chico um creme Elsève de hidratação, que ficou no corpo por uns minutos, e foi seguido de uma enxaguada total.

Ao final, os pelos foram secados, primeiro com toalha felpuda, depois com secador de cabelos. Antes de liberá-lo (ele estava começando a ficar impaciente), foi feita uma limpeza geral das orelhas dele com cotonete. Estavam bem imundinhas por dentro.

Não somos nenhum pet shop mas demos um trato ao cachorro. Ele ficou meio estressado. Foi para o quarto, deitou na caminha dele e está meio emburrado até agora…

A seguir, algumas fotos do Chico. Umas foram tiradas na casa da pessoa de quem o compramos, o Sr. Alvan. As restantes foram tiradas hoje, aqui em casa.

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Em São Paulo, 10 de março de 2009

Linda

 

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Há um ano atrás, mais ou menos, passeando aqui pelos arredores do sítio, encontrei uma cadela, aparentemente abandonada, que acabara de ter cinco filhotes. Voltei lá algumas vezes e acabamos adotando dois dos cachorrinhos, uma fêmea e um macho. Minha cunhada, Denise, se apaixonou pela cachorrinha, a quem batizou de Linda. Chegamos até a levá-la para Campinas por um tempo, mas não deu certo, obrigando-nos a trazê-la de volta. O machinho, marrom, com cara de bravo, foi batizado de Bin Laden.

Como já disse aqui neste space, temos quase vinte cães aqui no sítio. Esse número aumentou sensivelmente de ontem para hoje. A Linda pariu, durante a noite, nada menos do que DOZE cachorrinhos. Um, coitadinho, já morreu. Talvez ela tenha deitado em cima dele, mãe inexperiente que é. Os outros estão lá, competindo pelas tetas dela. Provavelmente outros morrerão.

Mas o feito é inacreditável. Doze cachorrinhos de uma vez. O pai parece ser o Rex. Com tanto cachorro, é quase impossível acompanhar os cios e acasalamentos, por mais que se tente, com canis, áreas de isolamento, etc. Se a Linda tivesse permanecido na casa de Campinas, estaria virgem até agora – e, naturalmente, sem prole. (Não tenho conhecimento de nascimentos virginais entre cães… Na verdade, nem entre humanos.)

A vida e a morte são processos relativamente naturais no mundo extra-humano. Os cios, os acasalamentos e os nascimentos também são processos naturais e descomplicados. Mas não envolvem escolha. Nós, humanos, com nossas idéias e teorias, e com nossos valores e escolhas, complicamos bastante tudo isso.

Em Salto, 23 de Agosto de 2008

O amanhecer e o entardecer na roça

O desenvolvimento econômico, que tem na tecnologia o seu combustível, tem reduzido as diferenças, antes sensíveis e palpáveis, entre viver na cidade e viver na área rural. Hoje é possível viver confortavelmente na área rural, sem deixar de desfrutar da luz elétrica, da água encanada, da telefonia (fixa e móve), da televisão por satélite, e, com a popularização do uso de modems celulares, da Internet em banda larga.

Hoje cedo, por volta das 6 da manhã, abri a porta da sala aqui no meu sítio, em Salto, SP, e pude ver o sol nascer, lá depois do aeroporto de Itaici e de Viracopos, num cenário cheio de brumas, e acompanhado por uma sinfonia de pássaros. Siriemas, aqui bem pertinho, tentavam se integrar ao coral.

Fiquei lembrando daqueles programas antigos de rádio — "O Amanhecer na Roça", ou simplesmente "Manhã na Roça" — em que um apresentador com sotaque caipira só tocava música caipira: modas de viola, cateretês, etc. Hoje até a música caipira está rebatizada de sertaneja ou country.

Mas, com a tecnologia moderna, é possível desfrutar toda a beleza de um amanhecer na roça ouvindo, entretanto, todas aquelas músicas que eu mencionei no post anterior: a Sinfonia em Ré Menor, de Cesar Franck, ou Finlandia, de Sibelius, ou as aberturas de Tannhäuser e Lohengrin, ou mesmo de Tristan und Isolde, de Wagner, ou a Nona Sinfonia de Beethoven, ou Sonho de Amor, de Liszt, ou os  Noturnos, de Chopin…

Ontem à tardinha, quando o sol ameaçava se pôr, saí andar por aqui, em estradinhas de terras, atalhos por entre o mato, carreadores. Andando vi o sol se pôr e a noite chegar. Voltei pra casa estava já bem escuro. No processo todo fui acompanhado por um séquito de cães aqui do sítio (o número de cachorros aqui creio que chegou a dezoito ou dezenove: eram quinze, mas uma cadela deu cria a três — que já estão grandinhos — e um cachorro andante, magro e feio, pediu asilo aqui). Mas o mais bonito era a cantoria dos pássaros, enquanto havia luz. Quando foi ficando escuro, às vezes eu passava perto demais de uma árvore e os pássaros que nela se abrigavam revoavam assustados.

Voltei para casa, tirei os picões e carrapichos da roupa e do tênis, tomei um banho quente, liguei a TV e o computador, sentei-me na minha poltrona reclinável, girável e de balanço, e me esqueci que estava na roça, que a menos de vinte metros de onde eu estava havia plantações de beringela, de um lado, e de pimentão, do outro.

E fiquei pensando: por que o Rubem Alves e o Carlos Brandão preferem se enfiar no mato, mesmo, longe dos confortos da civilização que nos permitem unir o melhor da cidade e da zona rural?

Em Salto, 22 de Agosto de 2008

Megalivrarias. shoppings, conjuntos de cinemas…

Por que é que livrarias, quando aumentaram de tamanho, se tornaram megalivrarias, enquanto os mercados se tornaram supermercados ou até mesmo hipermercados?

Pergunta boba que me ocorreu ontem quando visitei, pela primeira vez, a magnífica mega Livraria Cultura, inaugurada no Shopping Iguatemi Campinas no início de Abril (dia 9, pelo que fui informado), quando eu estava ainda no Vietnam. Ontem, apesar da chuva, decidi que iria conhecê-la. Por causa do feriado do Dia de Trabalho, o shopping estava insuportavelmente cheio. Os sete andares de estacionamentos cobertos estavam lotados e, assim, depois de perder uns 20 minutos tentando estacionar lá, resolvi estacionar a céu aberto, na chuva, lá perto do Restaurante Montana Grill, do Chitãozinho e Xororó.

Os corredores do shopping estavam intransitáveis e, inevitável, a Livraria Cultura superlotada. Estava linda — mas ainda com problemas de atendimento, de localização de livros, etc. Deixo ao Pedro Herz a sugestão de que mande imprimir um pequeno folheto — um mapinha — com a descrição de onde se localizam as várias áreas da livraria. Isso é necessário porque, como a do Conjunto Nacional, em São Paulo, a Cultura de Campinas ocupa três andares parcialmente vazados, com escadas. A decoração é de muito bom gosto e o acervo, enorme — destacando-se, para o meu gosto, os livros em língua estrangeira (Inglês, Francês e Espanhol).

Com a inauguração da Mega-Cultura, o Shopping Iguatemi Campinas, que já tem uma Mega-Saraiva, recentemente ampliada e redecorada para enfrentar a concorrência, se torna o melhor espaço que eu conheço para comprar livros, DVDs, CDs, etc. (A Cultura não vende computadores, software, videogames: a Mega-Saraiva, sim). Não sei de nenhum outro shopping no Brasil que possua uma Mega-Saraiva e uma Mega-Cultura — juntas, oferecem, creio eu, algo perto de cinco mil metros quadrados de espaço para os amantes do livro, filmes e músicas.

Os shoppings mais finos de Campinas ficam todos numa seqüência de uns poucos quilômetros ao longo do trecho urbano da Rodovia Dom Pedro I, que liga Campinas a Jacareí, ou, se preferem, que liga as rodovias dos Bandeirantes, Anhangüera, e, depois, a Fernão Dias, às rodovias Presidente Dutra e Governador Carvalho Pinto. Há o Iguatemi, o mais antigo, depois o Galleria Shopping (que também pertence à holding Iguatemi, e onde opera uma Minimega-Siciliano, agora comprada pela Saraiva), e o maior de todos, e mais recente, o Parque Dom Pedro Shopping (do grupo Sonae-Sierra, que, com seus 110 mil m2 e cerca de 380 lojas se jacta de ser "o maior centro de moda, cultura e lazer da América Latina"), com a Fnac (para a Fnac, dispensa-se o "mega", pois ela, desde quando criada em Paris, sempre existiu apenas em dimensões grandes, e vende telefones, câmeras, computadores, software, videogames, etc.).

Fico me lembrando da época em que era difícil achar livrarias bem abastecidas e com bom atendimento. Eu ia sempre à Livraria Ciências Humanas, em São Paulo, um muquifo no porão de um prédio na Sete de Abril, ou à Livraria Internacional, um outro muquifo em um andar alto na Líbero Badaró — ou, aqui em Campinas, a Livraria Pontes, do Reinaldo Pontes (que era um muquifinho, depois ampliado para três ou quatro andares "fininhos"). Depois, em São Paulo, surgiu a Brasiliense, na Barão de Itapetininga, de bom tamanho, mas ainda com um cara tradicional. Depois surgiu a rede de livrarias Siciliano, agora comprada pela Saraiva. A Saraiva, que era editora, abriu livrarias, também criou uma rede, depois criou as primeiras mega-lojas em Shoppings (seguindo o modelo da Borders e da Barnes & Noble, americanas, com coffee shop e tudo), torna-se agora, com a compra da rede Siciliano, a maior rede de livrarias no Brasil. A Cultura tem poucas lojas (mas está se expandindo — vide adiante o link para a entrevista de Pedro Herz), a Fnac, também, mas são lojas fabulosas, com as quais a Saraiva vai ter de concorrer pesado se quiser manter sua fatia de mercado. Vai ser interessante observar a concorrência das duas mega-livrarias no Shopping Iguatemi Campinas. Não invejo a sorte de meu amigo Eurípedes Avelino Menezes, gerente da Mega-Saraiva ali.

Enfim, para aqueles que, como eu, só contam entre seus vícios os livros, os DVDs e os CDs, Campinas está de parabéns com suas três mega-livrarias e sua minimega-Siciliano. Vamos ver o que a Saraiva resolve fazer com a Siciliano do Galeria, agora que comprou a rede. A Sicialiano era, originalmente, no Shopping Iguatemi. Quando a Saraiva apareceu com sua mega-loja, todas as demais livrarias, a Sicialiano inclusive, migraram para outros shoppings, a Siciliano indo para o simpático, mas pequeno, Galleria.

Deve haver alguma livraria no Campinas Shopping, que fica ao lado da Anhangüera e da Santos Dumont, quase do outro lado da cidade ("do lado pobre"), mas não sei qual é. Por causa da proximidade e riqueza de opções dos outros três shoppings mais próximos de mim, quase nunca vou ao Campinas Shopping, que é relativamente grande (dez cinemas, etc.).

Por falar em cinemas, os shoppings também mataram os cinemas que ficavam fora deles. O Iguatemi tem oito salas de cinema (CineMark) e está expandindo o setor (aparentemente criando mais duas). O Galleria tem, se não me engano, seis (CineSystem). O Parque Dom Pedro, exagerado como sempre, tem quinze (KinoPlex). O Shopping Campinas, dez (Box Cinemas). Só aí cerca de quarenta. Há mais alguns mini-shoppings na cidade que possuem algumas poucas salas também (Ouro Verde, na Rua Conceição; Jaraguá, na Avenida Brasil; Unimart, na Av. John Boyd Dunlop). O Ventura Mall, pequeno, pertinho de minha casa, não tem cinema. Mas ao todo, são quase cinqüenta salas de projeção dentro de shoppings. Ninguém, fora, consegue concorrer com tamanha variedade de opções.

Verifique os sites dos principais shoppings de Campinas:

Shopping Iguatemi Campinas (o mais chique e antigo):
http://www.iguatemicampinas.com.br/ 

Galleria Shopping (o mais simpático):
www.galleria.com.br/

Parque Dom Pedro Shopping (o maior):
http://www.parquedpedro.com.br/ 

Campinas Shopping (talvez o mais popular):
http://www.campinasshopping.com.br/ 

Verifique os sites das principais mega-livrarias:

Livraria Cultura:
http://livrariacultra.com.br/

Livraria Saraiva:
http://www.livrariasaraiva.com.br/ 

Livraria Siciliano:
http://www.siciliano.com.br/

Livraria Fnac:
http://www.fnac.com.br/

Ah, quase me esqueço! A Livraria Nobel também tem uma rede —
esta, de franquias. Meu amigo Nivaldo Cordeiro tem uma loja, no mini-shopping bem em frente ao Conjunto Nacional, em São Paulo, naquele prédio que pegou fogo há vários anos. E minha amiga Jurema Sampaio-Ralha me garante que há uma Livraria Nobel no Galleria Shopping, da qual realmente não me lembrava.

 

O site da Livraria Nobel é:

http://www.livrarianobel.com.br/

Por fim, verifique também a interessante entrevista de Pedro Herz, proprietário das Livrarias Culturas, dada ao UOL Business em Setembro de 2003, em que ele anuncia a intenção de criar uma nova mega-livraria por ano:

http://www1.uol.com.br/economia/business/entrevista20030912.shl

Em Campinas, 3 de Maio de 2008

Um Nintendo Wii para o Gabriel

Faz um bocado de tempo que o meu neto Gabriel vem pedindo um videogame Nintendo Wii.  Se não me engano sua mãe lhe prometeu um para o aniversário do ano passado (30/09). Depois, para o Natal. O problema é que está muito difícil encontrar o tal jogo. A demanda é tão grande que o fabricante não consegue produzir os videogames em tempo — estão em falta no mercado.

Esta semana, aqui onde mora minha filha, fui a uma enorme loja do Walmart: haviam recebido dois, no dia anterior, que desapareceram em poucos minutos. Não iriam receber mais até a semana que vem.

Finalmente, ontem, a Sueli achou na Internet uma empresa da California que estava vendendo o bendito jogo — num "bundle" que incluía vários jogos (e elevava o preço). Descobrimos isso era já de tardinha, na sexta-feira. Verifiquei, e tinham o videogame em estoque. Mas para que chegasse a tempo — vamos embora na segunda — teria de pagar por entrega no dia seguinte até às 10h30 da manhã, além de uma taxa especial porque o dia seguinte seria sábado. Paguei — ficou bem mais caro do que se o tivéssemos encontrado no Walmart. Mas ficou menos da metade do preço que custa na Saraiva Megastore.

Mas o mais surpreendente foi que a loja deu um código para acompanhar o processo — inclusive a entrega pela UPS (United Parcel Service).

O jogo foi entregue pela loja à UPS às 13h56, horário da California, 16h56, horário daqui. Foi colocado no avião em Long Beach, CA, às 19h42, 22h42, horário daqui. Chegou em Louisville, Kentucky, às 2h07 — há no mesmo horário daqui — e saiu de lá às 5h05. Foi entregue no aeroporto de Cleveland, aqui perto, às 6h09. Às 10h31h foi entregue aqui em casa — o um minuto de atraso se pode atribuir à neve na rua… Absolutamente fantástico o feito de logística envolvido numa entrega dessas. Em menos de dezoito horas o produto saiu da loja que o vendeu, do outro lado do país, e chegou aqui às minhas mãos.

Depois de verificar que tudo estava em ordem, liguei para o Gabriel, que estava em Ilha Bela, para lhe contar. Ficou, como seria de esperar, elétrico. Fico contente com a alegria dele. Mas a mim me impressiona mais a eficiência da logística americana.

Em Cortland, 22 de Março de 2008