Contrato Civil de Convivência e Casamento (Religioso)

Confesso que tenho enorme dificuldade para entender por que cristãos evangélicos e católicos mais conservadores se incomodam tanto com o casamento de pessoas do mesmo sexo e assuntos correlatos. Já escrevi sobre isso aqui. O que vou dizer, em sua substância, não é, portanto, novidade para ninguém que acompanha o meu blog ou minhas discussões no Facebook. Mas vou tentar repetir meus argumentos de uma maneira bem simples e clara.

Vivemos, aqui no Brasil, numa sociedade laica em que o estado e a religião são separados. Custou para que chegássemos a essa condição — e corremos o risco de perde-la. Durante a maior parte do tempo na história do Cristianismo houve muito envolvimento do estado na religião e da religião no estado. Aqui no Brasil, até a problamação da República, também. Há muitos países, ainda hoje, desenvolvidos ou não, em que esse envolvimento continua. Na Inglaterra a Rainha é a chefe da Igreja Anglicana, e na Alemanha cobra-se dos cidadãos um imposto destinado a sustentar as igrejas. Mas aqui no Brasil, felizmente, o estado é hoje laico e separado da igreja, que, por sua vez, é livre para se organizar da forma que bem quiser. A separação entre a igreja e o estado e a liberdade religiosa foram grandes conquistas dos cristãos evangélicos (inspirados pelo liberalismo). No Século 19 a Igreja Católica se opunha a essas medidas, inclusive no Brasil, porque (até 1899) era a religião oficial, sendo mantida, em princípio, pela monarquia.

É forçoso reconhecer que duas pessoas podem viver juntas (conviver) numa mesma casa sem que isso seja regulado pelo estado — independentemente do sexo delas e do tipo de vida que levam em sua privacidade e intimidade. Até há bem pouco tempo, muitos casais que queriam viver juntos simplesmente se “juntavam” ou se “amigavam”, vivendo em “concubinato”, como “amasiados”, e tendo uma multidão de filhos. Também comum era a situação de um homem que, tendo uma mulher “oficial”, tinha, também, uma “filial”, tendo filhos com ambas. Há muito tempo a Globo mostrou uma série em que Ney Latorraca, no papel do Seu Quequé, tinha três mulheres (uma oficial e duas filiais). E há um filme em que Regina Casé tem três maridos — provavelmenete nenhum deles oficial. Os protagonistas dessas histórias simplesmente ignoravam a possibilidade de que sua convivência viesse a ser regulamentada pelo estado.

Num determinado ponto de nossa história, o estado resolveu regular esse tipo de convivência e incentivar a sua oficialização, em especial por duas razões (nenhuma delas moral, é bom que se diga):

  • o fato de que pessoas que vivem juntas podem adquirir bens imóveis depois do início de sua convivência e o estado regula a posse. a transferência e a transmissão por herança de bens imóveis;
  • o fato de que pessoas que vivem juntas podem, se forem de sexo diferente, vir a ter filhos, que, enquanto são menores, fazem jus a algum tipo de proteção do estado.

Quando resolveu regular a convivência entre duas pessoas, o estado resolveu considera-la um “contrato civil”. Infelizmente, especialmente por causa (no Brasil) da influência da Igreja Católica, resolveu chamar esse tipo de convivência de “casamento”, à semelhança daquilo que a Igreja Católica já fazia em relação a um de seus sacramentos. Os protestantes, em regra, não consideravam o casamento um sacramento e apenas solicitavam a bênção de Deus para os casais que resolviam se casar, oficialmente — no civil, naturalmente.

Ainda por influência da Igreja Católica, o estado brasileiro resolveu considerar esse “Contrato Civil de Convivência” (CCC) indissolúvel (a não ser pela morte de um dos contratantes e em algumas outras situações), e resolveu exigir que os contratantes fossem apenas dois e de sexos diferentes: um homem e uma mulher. Resolveu, também, que o homem era a pessoa mais importante nesse contrato, chamando-o de “Cabeça do Casal”.

Felizmente, o estado brasileiro resolveu, em 1977 (quase 38 anos atrás), remover a cláusula de indissolubilidade dessa sociedade civil, permitindo que ela fosse dissolvida (encerrada), criando o divórcio. Antes havia o desquite (que até pouco tempo se chamava de “separação judicial”, que cessava os deveres da coabitação mas não dissolvia a sociedade. Com o divórcio, a sociedade conjugal foi considerada solúvel. No início, por pressão da Igreja Católica, o estado manteve a exigência de que uma pessoa só podia se divorciar uma vez e especificou em detalhe as condições em que o divórcio poderia ser pleiteado — deixando a uma das partes o direito de se opor à pretensão da outra de dissolver o contrato de casamento. Depois eliminou a exigência de que alguém só pudesse se divorciar uma vez e, mais recentemente, tornou o divórcio sob demanda, ainda que de interesse de apenas um dos contratantes, uma realidade. Nesse processo, instituiu-se igualdade entre os contratantes, eliminando a figura do Cabeça do Casal.

Ao mesmo tempo, legisladores e tribunais oficializaram, pouco a pouco, a convivência de fato entre um homem e uma mulher não casados, considerando-a equivalente ao casamento, quando houvesse impedimento para as partes se casarem oficialmente (especificando que essa seria a condição ideal). A “união estável” já aparece na Constituição de 1988, no artigo 226, parágrafo 3: “§ 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.” Com o tempo, legisladores e tribunais eliminaram, gradualmente, as exigências estabelecidas para a união estável (convivência duradoura não formalizada como casamento), admitindo até mesmo que os “unidos” já fossem casados com outras pessoas sem haverem se divorciado delas (desde que separados de fato).

O passo seguinte, mais recente, foi Supremo Tribunal Federal (STF) admitir, a despeito do que diz a Constituição Federal (na passagem citada acima), que o estatuto da união estável se aplicava, também, à convivência entre pessoas do mesmo sexo, oficializando, na prática, o chamado “casamento gay”.

A decisão do STF desagradou os gays e os religiosos conservadores, neste caso, tanto evangélicos como católicos. Os gays queriam que suas uniões fossem reconhecidas como casamentos no sentido pleno do termo para que ficasse patenteada sua igualdade de direitos com os héteros. Os religiosos conservadores insistiam que o reconhecimento de uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo descaracterizava a família, e se opunham à possibilidade, agora plenamente admissível, de que casais (pares) gays oficialmente adotassem crianças como filhos (crianças essas que, no caso da união entre duas mulheres, poderiam ser filhos delas mesmas, não sem alguma ajuda externa…).

O protesto dos religiosos conservadores será maior ainda quando legisladores e tribunais admitirem uniões estáveis de mais de duas pessoas — aquilo que hoje se chama, meio eufemisticamente, de “uniões poliamorosas” ou “uniões poliafetivas” (eufemismos para poligamia). Isso fatalmente se dará — mais cedo do que muita gente imagina.

[Acrescentado em 28/4/2015, dia seguinte ao da publicação: Vide o artigo de Reinaldo de Azevedo sobre os pontos de vista  acerca da poligamia do advogado e professor de Direito Luiz Edson Fachin, indicado para o Supremo Tributal Federal pela Presidente Dilma Rousseff, em:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/esta-vai-para-o-senado-alem-de-teorico-dos-direitos-da-amante-fachin-candidato-ao-stf-tambem-flerta-com-a-poligamia-e-enxerga-em-quem-discorda-nada-mais-do-que-gosma/]

Enfim… a única solução sensata que antevejo para essa situação conflitiva é distinguir claramente entre, de um lado, de um instituto civil, o “Contrato Civil de Convivência”, que seria o novo nome do casamento civil, e, do outro lado, de um instituto religioso, chamado “Casamento Religioso” (que poderia manter o nome sacramental e até mesmo eliminar o qualificativo “religioso”, por inexistir o “casamento civil”).

Eliminar-se-iam, também, no processo, o chamado “Casamento Religioso com Efeito Civil”, o direito de padres, pastores, e rabinos presidir sobre a celebração dos CCC, etc.

Um CCC seria, dali para a frente, um ato puramente civil, realizado em Cartório, entre duas ou mais pessoas, independentemente de seu sexo. Ficaria instituída a poligamia, que, diferentemente do que acontece hoje em sociedade muçulmanas (por exemplo), poderia ser de vários homens com várias mulheres e vice-versa (como no filme da Regina Casé). O contrato poderia, como qualquer outro contrato, especificar o tempo de sua duração, ou, alternativamente, ser por tempo indeterminado, deixando claro o ritual a ser seguido caso uma das partes quisesse dissolvê-lo (no caso de contrato entre duas pessoas) ou sair dele (no caso de contrato entre mais de duas pessoas). O contrato especificaria, ainda, o regime de bens, à semelhança do que hoje acontece com o chamado casamento civil e outras coisas que os contratantes houvessem por bem incluir nele.

O casamento, propriamente dito, passaria a ser algo estritamente religioso, sem implicações no plano civil, sendo regulado por cada religião, igreja ou denominação conforme suas convicções. A Igreja Católica, por exemplo, poderia considera-lo indissolúvel. Protestantes mais liberais poderiam admitir a sua dissolução e especificar em que condições ele poderia ser dissolvido (sendo possível manter a cláusula de “sob demanda” atual). Poderia também se especificar que o casamento só poderia ser realizado entre duas pessoas de sexo diferente, um homem e uma mulher. A Igreja Católica poderia até mesmo definir que o casamento fosse estritamente para a procriação, não para o companheirismo e o prazer, e exigir que os nubentes apresentassem prova de fertilidade para poder celebrar o casamento entre eles.

Com isso acabaria a pressão dos gays para que, no plano civil, sua união fosse idêntica à de pessoas heterossexuais. Ela seria. E acabaria a pressão, no plano da sociedade civil e do Congresso, para proibir o casamento gay, ou a adoção de crianças por partes de casais (ou pares) gays, etc. E cada religião, igreja ou denominação adotaria o casamento que lhe parecesse mais acertado para os seus membros. Não teriam, como não têm hoje, o direito de definir como viveriam os que não são seus membros.

Acabaria, também, essa excrescência que é o Estatuto da Família. A família é uma realidade social e ao estado não cabe regula-la. A única coisa que se admitiria é que o estado tornasse oficiais as convivências civis, permitindo que as partes celebrassem um CCC, caso o desejassem. Ao estado não caberia sequer incentivar essa celebração. Nada impediria, portanto, que as pessoas que assim o desejassem vivessem na “informalidade”, resolvendo os problemas de propriedade, de guarda dos filhos menores, e outros à medida que surgissem e da forma que achassem melhor. Hoje em dia pessoas que não são casadas já podem adquirir bens em conjunto ou “em condomínio”. E pais de crianças tidas fora do casamento ou de uniões estáveis podem ser acionados para lhes reconhecer a filiação, lhes dar pensão alimentícia e cuidar de outros aspectos de seu desenvolvimento enquanto menores.

A solução aqui proposta consolidaria a liberdade religiosa e a separação entre o estado e a igreja no plano da convivência entre as pessoas. E deixaria tanto os gays como os Cunhas e Felicianos sem algumas de suas bandeiras políticas, despoluindo nossos olhos e ouvidos.

Em São Paulo, 27 de Abril de 2015

Que será de nossos pertences digitais quando morrermos?

Inicialmente publicado no Blog das Editoras Ática e Scipione.

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Quando meu pai morreu, já lá vão mais de vinte anos, meus irmãos e eu decidimos, no dia mesmo em que ele foi enterrado, dar um destino aos seus pertences pessoais, poupando nossa mãe da incumbência. Na verdade, os filhos a assumiram porque duvidaram que a mãe fosse capaz de executá-la, dada a ligação afetiva que tinha com muitos desses pertences que, embora pessoais, também foram dela, pelo menos em algum sentido. Refiro-me a coisas como roupas, livros, revistas, discos, instrumentos musicais (ele tinha vários: violão, flauta transversal, teclado, acordeão…), etc. E, naturalmente, havia o que chamo genericamente de papéis: cartas recebidas, rascunhos de artigos que pensava publicar um dia, cópias datilografadas ou duplicadas de artigos publicados, esboços de sermões que ele pregou ou pretendia pregar, anotações sobre coisas que precisava fazer, endereços, números de telefone, etc. Encontrei até rascunhos de cartas que ele pretendeu me enviar mas, por alguma razão, não enviou, num período difícil em que ficamos quase dois anos sem falar um com o outro.

Meu pai não era um cidadão do mundo digital. Na verdade, em 1991 pouca gente era. Por isso, ele não tinha nenhum bem digital ao qual precisássemos dar destino.

Abrindo um parêntese, eu mesmo, na verdade, em 1991, estava apenas no vestíbulo desse universo. Comecei a ter acesso a ele quando, em 1987, assumi a direção do Centro de Informações em Saúde (CIS) da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e tive de me comunicar com freqüência com a Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, Suiça, para transmitir os relatórios mensais de incidência e prevalência de moléstias infecciosas e outras informações que a OMS requeria (ainda requer) de cada estado membro das Nações Unidas. Dr. Salah S. Mandil, diretor da área de Suporte a Sistemas de Informação da OMS, me arrumou um e-mail no sistema das Nações Unidas e eu tive de achar um jeito de conseguir acesso aos computadores do International Computer Centre (ICC) da sede européia das Nações Unidas, no Palais des Nations, em Genebra, antiga sede da Liga das Nações, nos quais os sistemas da OMS eram hospedados. Foi assim que me iniciei ao mundo digital, com bem mais de quarenta anos. Um perfeito imigrante digital. Fim do parêntese.

Hoje, quase todo mundo que vive em uma cidade é (em grau maior ou menor) cidadão do mundo digital — e, por isso, possui algum bem digital. Chamo de bem digital coisas como:

· Contas de E-mail, com a respectiva senha (é díficil encontrar quem não tenha pelo menos uma hoje — muita gente tem várias, eu sendo culpado reincidente desse sério desvio de conduta…).

· Caixas Postais, acessíveis por uma conta de e-mail, que armazenam uma quantidade significativa de e-mails, localmente (isto é, nos computadores da própria pessoa) ou remotamente (em algum site de WebMail na Web, como HotMail, GMail, Yahoo! Mail, UOL Mail, etc.).

· Nomes de Usuário, Senhas, Tokens, Cartões com Codigos Numéricos, etc. que dão acesso a sites diversos (inclusive a contas bancárias, a serviços de telefonia pela Web, como Skype, a serviços de mensagens instantâneas, como Messenger, etc.).

· Áreas (às vezes chamadas de perfis) em sites de mídia social (como FaceBook, Orkut, LinkedIn, WordPress, Blogger, Twitter, YouTube, Flickr, Picasa, Slideshare, etc.), acessíveis mediante nomes de usuário (ou e-mails) e senhas, que armazenam uma quantidade significativa de fotografias, vídeos, slides, mensagens, conversas instantâneas, comentários, artigos, registros de onde a pessoa esteve ou do que estava fazendo em determinado momento, relatos de seu estado mental em determinadas ocasiões, curtições, elogios, protestos, brigas pessoais (na frente de todo mundo), etc.

Arquivos digitais, em geral não protegidos, contendo textos, fotografias, imagens, vídeos, músicas, etc., armazenados em discos rígidos ou “memória flash” de computadores, telefones digitais, tocadores de música, câmeras de fotografia ou de vídeo, reprodutores de vídeo, etc. da própria pessoa ou de terceiros, ou, alternativamente, em discos rígidos portáteis, CDs, CD-ROMs, DVDs, “memory cards”, “pen drives, disquetes, etc. (facilmente perdíveis, acessíveis e copiáveis).

· Áreas em espaços virtuais fornecidos gratuitamente (como Windows Live SkyDrive, GoogleDocs ou iCloud) ou alugados, e acessíveis por nomes de usuários (ou e-mails) e senhas, que armazenam “na nuvem” (como se diz hoje) toda sorte de documentos pessoais ou mesmo profissionais dos usuários.

· Direito sobre domínios em sites que registram domínios, aqui no pais ou no exterior (como, por exemplo, registro.br, mydomain.com, name.com, dominios.pt, etc.).

Pode haver mais bens digitais – mas parece-me que esses são os principais.

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Antes de discutir que será desses nossos bens digitais quando morrermos, é bom ressaltar alguns fatos acerca deles, relevantes para o seu uso enquanto estamos vivos, que muitas pessoas desconhecem ou não consideram importantes.

1) BENS DIGITAIS TÊM DONO, ISTO É, PERTENCEM A ALGUÉM

Em primeiro lugar, bens digitais, embora intangíveis (porque são bens no espaço virtual), certamente têm dono — embora, em alguns casos, possa ser difícil definir quem é dono de determinada coisa.

Porque bens digitais têm dono, eles pertecem a alguém. Por isso, daqui em diante vou falar em “pertences digitais” em vez de “bens digitais”.

Vamos começar com um exemplo fácil de entender.

FaceBook, hoje usado por mais de um décimo dos sete bilhões de habitantes do planeta, é um ambiente (que alguns preferem chamar de plataforma) criado na Web por um pequeno grupo de rapazes liderado por Mark Zuckerberg (vejam http://www.facebook.com/zuck). Como FaceBook ainda não colocou ações na Bolsa de Valores, esse ambiente pertence aos proprietários originais (embora possa ter havido, por exclusão ou inclusão, modificação no grupo).

Agora, o conteúdo que os usuários colocam no FaceBook é, em princípio, propriedade de quem o colocou lá.

Embora você seja dono das informações que coloca no FaceBook, você, ao colocar essas informações lá, dentro das sofisticadas regras de privacidade que governam cada item ali colocado, você concede o direito às pessoas autorizadas de compartilhar aquelas informações com os seus contatos (lá chamados de amigos), com contatos de seus contatos, ou com o público em geral (sempre sendo possível “bloquear” o acesso a elas de pessoas que você não quer que as vejam).

Se FaceBook um dia fechar, ou resolver não mais permitir que os usuários deixem lá suas informações sem alguma forma de pagamento, provavelmente você será informado com antecedência para que tenha tempo para tomar as providências que julgar cabíveis. Espero que isso nunca aconteça, porque tenho uma quantidade enorme de informações lá. Fico grato a FaceBook por me permitir fazer uma cópia de tudo que tenho lá, para guardar nos meus discos rígidos. De vez em quando atualizo essa cópia — ou melhor, faço outra, atualizada.

2) OS DONOS SÃO RESPONSÁVEIS PELO USO DE SEUS PERTENCES DIGITAIS

Em segundo lugar, os proprietários de pertences digitais (como os proprietários de pertences não-digitais, como automóveis) são responsáveis pela seu uso, inclusive por parte de terceiros, podendo ser responsabilizados civil e criminalmente por mau uso desses pertences que infrinja direitos de terceiros.

Se você coloca lá no seu perfil uma afirmação que é injuriosa ou caluniosa para com uma outra pessoa, você, não o FaceBook, será chamado a responder pelo que disse (embora, como imagino que o FaceBook tem mais dinheiro do que você, o suposto injuriado vai provavelmente tentar colocar o FaceBook também como réu de um eventual processo).

Artigo recente no jornal A Folha de S. Paulo mostrou que tudo que você tuitar pode ser usado contra você no tribunal… Veja-se http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3001201116.htm. E os tribunais já registram vários divórcios baseados em conteúdo de e-mails ou até mesmo SMS. Portanto, cuidado com tuitadas , e-mails e SMS inconsequentes…

E, em outro exemplo, se você cria uma conta no FaceBook com um perfil fictício: nome e demais dados falsos? Neste caso, você, que criou a conta, continua responsável por ela, mesmo que seja uma pessoa diferente daquela que está caracterizada no perfil. Eles têm jeito de descobrir quem fez o que lá.

3) OS DONOS SÃO RESPONSÁVEIS PELA CONSERVAÇÃO DE SEUS PERTENCES DIGITAIS

Em terceiro lugar, entre as responsabilidades que os proprietários de pertences digitais têm, especialmente quando esses pertences são importantes, está a de mantê-los em perfeito estado de conservação e de fazer backups (cópias de segurança) regulares deles. Isso deveria ser óbvio, mas nem sempre é.

Saiba, porém, que o FaceBook também mantém backups de tudo que aparece lá. Assim, é bom que você saiba que, mesmo que você elimine algo de seu perfil, provelmente FaceBook mantém uma cópia do que apareceu no seu perfil, ainda que tenha ficado lá por muito pouco tempo, e pode oportunamente (ou mesmo inoportunamente) ressuscitar.

4) OS DONOS SÃO RESPONSÁVEIS PELO DESTINO QUE DEVEM TER OS SEUS PERTENCES DIGITAIS DEPOIS DE SUA MORTE

Em quarto lugar, e aqui chegamos ao nosso assunto, entre as responsabilidades que os proprietários de pertences digitais têm está a de dispor o que será feito deles quando eles, os proprietários, morrerem.

O jornal Folha de S. Paulo, em sua edição de 2/11/2011, discutiu esse assunto. Eis uma matéria:

“HERANÇA DIGITAL EM TESTAMENTOS

A. Qual é o procedimento para fazer um testamento com dados digitais?

O usuário faz um levantamento de todos os bens digitais que tem. Depois de produzir um documento detalhado, ele estipula o que deve ser transmitido para quem no testamento.

B. Se eu não fizer um testamento, quem poderá se apossar dos meus bens digitais?

Caso o testamento não seja feito, muitos dos direitos vão ser transmitidos automaticamente. Os herdeiros naturais são os familiares mais próximos. O Código Civil estipula que os filhos de uma pessoa são os primeiros na sucessão.

C. Nesse caso, o serviço digital é obrigado a fornecer dados digitais para os herdeiros?

Se houver uma ordem judicial nesse sentido, sim, mesmo que os termos de uso do site estipulem que a privacidade do usuário seja mantida. ‘Contratos, em geral, servem só para complementar o que a lei não dispõe’, diz o advogado Renato Ópice Blum.”

(http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/tc0211201104.htm. Vejam-se também as matérias correlatas em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/tc0211201102.htm e http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/tc0211201103.htm).

Isso significa que, os nossos pertences digitais são valiosos, e nós queremos que sejam preservados, precisamos nos preocupar com quem vai receber a (em alguns casos difícil) incumbência de herdá-los.

Disse que essa incumbência pode vir a ser difícil em alguns casos, porque penso no meu caso: só de artigos de blog, tenho, em meus vários blogs, para lá de 750. Pago, anualmente, para a WordPress, um certo valor para poder usar o endereço http://liberalspace.net no meu blog principal. Além disso, possuo mais de 150 domínios, registrados em vários registradores. O registro de cada um desses domínios precisa ser renovado anualmente, e eles vencem quase todos em datas diferentes… A maior parte deles está em renovação automática. Para mudar isso, quem herdar meus domínios terá de saber qual meu nome de usuário, qual a minha senha, etc…

Em 21/8/2006 escrevi sobre esse assunto em meu blog pessoal. O artigo se chamava “O que será dos meus hard disks?”. Veja-se http://liberalspace.net/2006/08/21/o-que-sera-dos-meus-hard-disks/.

Ali especulo o seguinte:

“Se os nossos herdeiros resolverem, em respeito à nossa privacidade, simplesmente reformatar tudo, sem ler nada, nossos segredos estarão preservados mas, além de morrermos fisicamente, a maior parte do que pensamos e sentimos (e que deixamos registrado em arquivos .doc de Microsoft Word, .ppt de Microsoft PowerPoint, .pst de Microsoft Outlook, ou então na história preservada de nossos papos pelo (agora) Windows Live Messenger (ex MSN Messenger), nas fotos .jpg que tiramos, nos filminhos .wmf ou .mpg que produzimos ou simplesmente guardamos) também se perderá… A reformatação de tudo isso deixará ferido para sempre o nosso orgulho: ninguém se interessou o suficiente pelo que fomos, pensamos e sentimos, pelas coisas que achávamos importantes, para querer preservar alguma coisa do estava armazenado em nossos hard disks.

Por outro lado, se resolverem fuxicar a nossa vida, podem encontrar coisas que os deixarão surpresos – quando não indignados. É incrível quão pouco os nossos parceiros, os nossos filhos, os nossos netos, os nossos outros parentes, conhecem da gente. Fazemos blogs – mas poucos dos parentes os lêem sistematicamente. O meu está no Live Spaces (antigo MSN Spaces) [agora no WordPress]. Mas também escrevemos uma quantidade enorme de textos que não colocamos em blogs. Escrevi livros, capítulos de livros, artigos, prefácios, posfácios, etc. que ninguém de minha família jamais leu. Tenho milhares e milhares de slides, correspondentes a palestras que ministrei, em arquivos de Microsoft PowerPoint que ninguém de minha família jamais viu. Participo de dezenas de listas de discussão, nas quais escrevo, diariamente, dezenas de mensagens, de que ninguém de minha família jamais tomou conhecimento. Envolvi-me em brigas homéricas em algumas dessas listas, e nessas brigas nem sempre me comportei de forma impecável (em termos de elegância no trato e na linguagem) – e minha família nunca ficou sabendo delas. Troquei e-mails pessoais com gente que ninguém de minha família conhece – e com gente que minha família nem imagina que exista e que seja importante para mim. O mesmo vale pelos papos pelo Windows Live Messenger.  Se minha família fosse fuxicar os meus hard disks, quanta surpresa teria… Seria um redescobrir do marido, do pai, do avô – na verdade, um descobrir, porque nunca tomaram conhecimento desse meu eu, para eles, desconhecido, mas que é conhecido, às vezes bem conhecido, por meus companheiros de listas, de e-mails, de papos no Messenger… E que em muitos aspectos é o meu eu mais íntimo!”

Enfim, é isso.

Escrito em São Paulo, 17 de Novembro de 2011, e transcrito aqui em 28 de Dezembro de 2011

Madrasta antes dos 30

Transcrevo, abaixo, um artigo, e vários comentários a ele, que apareceu na Revista TPM no dia 11 deste mês (Abril de 2011).

Gostei muito do artigo e gostei de ler os comentários – embora alguns reflitam posturas de gente magoada e um até seja abusivo.

Embora nos comentários o ponto de vista dos homens excepcionalmente apareça, eles são minoria absoluta – e nenhum padrasto se manifestou.

Pensei em comentar mais substantivamente, mas resolvi deixar isso para outro momento, para que meus comentários não sejam mal interpretados. Além disso, os equilíbrios, em situações assim, muitas vezes são frágeis.

Acho que o artigo em si, com os comentários, é leitura importante para mulher ou homem, de qualquer idade, que tenha enteados ou que tenha filhos que são enteados de alguém.

O link para o artigo no site do UOL é fornecido.

[NOTA acrescentada em 21/12/2014: Vários comentários foram acrescentados aqui no blog, e eu respondi a dois deles. Vale a pena le-los também. EC]

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http://revistatpm.uol.com.br/revista/108/reportagens/madrasta-antes-dos-30.html

Madrasta antes dos 30

Mulheres de 20 e poucos anos reinventam o papel da madrasta na vida cotidiana

11.04.2011

Texto por Nana Tucci, Fotos de Marcelo Naddeo

Você conhece um homem, começa a namorar e resolve morar com ele. Simples? Nem tanto, se ele vier com filhos no pacote. Cada vez mais, mulheres de 20 e poucos anos encaram ciúme e competição para reinventar o papel de madrasta

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Foto de Marcelo Naddeo

Luciana Bertarelli, 26 anos

Luciana Bertarelli, 26 anos – Entre os enteados, Natã, 9, e Julio, 18. João Pedro, 16, não estava em casa na hora da foto.

É bom

“Os momentos de afeto. Você sabe que, se eles demonstram, é porque você conquistou aquilo, pois eles não têm obrigação nenhuma de te amar. Quando recebo amor deles, acho a coisa mais preciosa do mundo.”

É difícil

“Conciliar os sonhos de quem ainda não foi mãe com os sonhos de quem já foi pai três vezes. Ter filhos em casa significa abrir mão de muita coisa e adiar muitos planos em função do coletivo.”

Uma boa lembrança

“No último Dia das Mães, o caçula, Natã, fez um presente na escola para a mãe dele. Depois ele perguntou ao pai se poderia dar mais dinheiro para que fizesse um para mim também. No presente da mãe ele escreveu ‘mãe’ e, no meu, escreveu ‘Lu’. Chorei de emoção.”

Um dia comum na vida de Luciana inclui deixar Natã, 9 anos, na aula de teatro, caminhar enquanto ele pratica judô, ajudá-lo com a lição de casa no fim do dia e ler um livro antes de ele dormir. Tem também João Pedro, 16, para quem ela prepara um lanche da tarde, e Julio, 18, que às vezes liga na madrugada querendo carona para voltar de uma festa. Aos 26 anos, a artista plástica Luciana Bertarelli realiza tarefas típicas de uma mãe. Mas ela não tem filhos: Natã, João Pedro e Julio são seus enteados.

Há cinco anos, a paulistana se viu representando um papel novo: o de madrasta. Cada vez mais mulheres – e cada vez mais jovens – vêm formando uma nova geração delas. Isso é consequência do aumento do número de pessoas que se casam mais de uma vez. Segundo o levantamento mais recente do IBGE sobre o tema, dos mais de 935 mil casamentos registrados no Brasil em 2009, cerca de 70 mil foram realizados entre mulheres solteiras e homens divorciados.

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Agregadas

Assim como Luciana, as mais de 20 mulheres ouvidas pela reportagem da Tpm concordam que ser madrasta significa, acima de tudo, enfrentar o desafio de descobrir seu papel dentro de uma estrutura familiar que já existe. A arquiteta paulista Maria Fernanda Corral, 27 anos, está recém-casada com o também arquiteto Cláudio, 30, pai das gêmeas Bruna e Fernanda, 6. Quando se viu nessa nova condição, recorreu à análise, mas ficou mais tranquila e confiante ao ouvir de seu pai: “O Cláudio é um bom pai? Se é um bom pai, será um ótimo marido”. Hoje, ela se considera mais amiga do que mãe das meninas. “Ou, melhor, avó. Porque pai e mãe educam, podam. Eu agrado”, define. Essa é, para ela, uma das vantagens de ser madrasta: viver os prazeres maternais, como brincar com a criança, testemunhar sua alegria diante de um acontecimento, se emocionar com as descobertas, porém sem a responsabilidade de mãe.

Já a designer gráfica Gabriela Juns, 25 anos, se sente uma irmã de sua enteada, Alana, 22. “No dia em que nos encontramos, foi como se eu estivesse conhecendo uma amiga”, conta. Mas ela teve que aprender a sacar quando é melhor sair de cena. “Eu percebo que às vezes ela quer ficar só com o pai. Meu desafio é me dar conta desses momentos, dar espaço. No mês passado, teve um dia em que ela estava chorosa, passando por problemas no namoro. Fiquei em outro lugar da casa, enquanto o pai conversava com ela”, lembra.

Também casada com um engenheiro-agrônomo, Guilherme, 44 anos, a jornalista brasiliense Clarissa Presotti, 30, não sabia exatamente como era vista pelas enteadas, Manuela, 18, e Julia, 15, no início da relação dos dois. “Era amiga, namorada do pai, madrasta?”, lembra ela, que já brigou muitas vezes com as meninas por picuinhas relacionadas à rotina da casa, pois moram todos juntos. “Eu gosto da casa organizada e as meninas nem sempre deixam tudo arrumado, principalmente quando ficam sozinhas.” Uma medida que Clarissa tomou para melhorar a bagunça foi estabelecer regras e funções para cada uma, do tipo: “Você fica com a louça da noite”, conta. Agora, grávida de sete meses, sente que a relação amadureceu. “Elas começaram a me ver com mais autoridade. Me encaram mais como mulher do pai, mãe do futuro irmãozinho. Sinto mais respeito e carinho delas”, confessa.

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Foto de Marcelo Naddeo

Maria Fernanda Corral, 27 anos – Com as gêmeas Bruna e Fernanda, 6

É bom

“Ser amiga. Ou, melhor, avó. Porque pai e mãe educam, podam. Eu agrado.”

É difícil

“Já me desentendi com meu marido porque sentia que em alguns momentos ele dava total atenção para as meninas e faltava atenção para mim. Claro que filhos demandam atenção, mas precisa haver espaço para todo mundo.”

Uma boa lembrança

“Quando uma das meninas, a Fernanda, disse, sem mais nem menos, que me amava. Fiquei surpresa e muito feliz, pois ela é a mais geniosa. Foi de graça, sabe?”

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Território marcado

Todos esses dilemas são conhecidos da terapeuta familiar e madrasta Roberta Palermo, autora de Madrasta – Quando o Homem da Sua Vida já Tem Filhos e de 100% Madrasta – Quebrando as Barreiras do Preconceito. No segundo livro, ela reforça o quanto é importante levar em conta o terreno antes de construir uma nova história. Afinal, ninguém fica confortável no início de uma nova união: o pai sofre porque saiu de casa e sente falta dos filhos.

A mãe, porque ficou sozinha com as crianças, tentando entender a mudança. Os filhos, porque não desejam que os pais se separem. E a madrasta, porque não esperava se apaixonar por um homem com filhos.

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Parte da família

Planos à parte, elas se apaixonam. E, hoje em dia, essa situação tem uma variante a mais: a presença da ex. Enquanto no século passado mulher só se casava com um homem que já fosse pai quando viúvo, hoje é comum ver mães que dividem a educação dos filhos com os ex-maridos.

Isso por si só tende a deixar o clima mais tenso para a mulher que está chegando. “Madrasta antigamente era a mãe postiça. Ela desempenhava o papel de mãe, pois não havia outra. Hoje deveria existir outro nome porque mãe e madrasta coexistem”, defende a arquiteta Maria Fernanda.

Talvez por isso uma das queixas mais recorrentes entre as entrevistadas pela Tpm foi que a ex-mulher deprecia a imagem delas diante dos filhos, atrapalhando a construção de uma relação sadia. “Para evitar esse tipo de conflito, eu mantenho uma relação distante e respeitosa com ela. Não discordo do que ela fala para os meninos, e quem conversa sobre eles com ela é meu marido”, explica Luciana Bertarelli.

A terapeuta Roberta fundou a Associação das Madrastas e Enteados (AME) e, em 2002, criou um fórum que hoje soma mais de 3.500 mulheres cadastradas – a maioria na faixa dos 30 anos. Em nove anos, estima já ter ouvido 7 mil madrastas, das quais cerca de 80% reclamavam das mães de seus enteados. Ela acredita que a madrasta ainda é vista com desconfiança, como se estivesse ali para desarmonizar as famílias, causando ciúmes, competição, roubando a atenção do pai, enfim, dominando o território sem permissão de todos os integrantes. A psicóloga Elza Montoro, especialista em terapia de casal e família, aponta um caminho: “Ter uma conversa franca com o marido e os enteados sobre a disposição de não concorrer com a mãe biológica faz toda a diferença”, sugere.

Isso não significa que, se o pai não der o aval, a madrasta não possa participar ativamente da educação dos enteados. “Logo no início do namoro notei que ele não educava muito as crianças e pedi autorização para ajudar. Ele me deu”, conta a cineasta paulistana Marina Cintra, 29 anos, que não hesita em dar bronca nos enteados, de 3 e 5 anos. Assim como ela, a publicitária Sharon Menasce, 27, tem a permissão do marido, Nando, para orientar Gustavo, 14. E atribui a isso a boa relação com o garoto. Os dois se conheceram quando Sharon estava se formando no ensino médio, aos 17 anos. Gustavo tinha 4. Como ela morava em São Paulo e o namorado no Rio de Janeiro, quando ia visitá-lo ela queria ficar 100% do tempo com ele. “Por isso, eu e o Gustavo tínhamos várias briguinhas, quando eu conversava com o Nando ele ficava interrompendo, me irritava”, lembra ela. Sharon ressalta também a importância de saber estabelecer limites. “Tenho liberdade de pedir que o Gustavo não vá a algum lugar conosco quando não quero”, diz.

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Foto de Marcelo Naddeo

Clarissa Presotti, 30 anos - Julia, 15, e Manuela, 18, com a mãe do futuro irmãozinho

Clarissa Presotti, 30 anos – Julia, 15, e Manuela, 18, com a mãe do futuro irmãozinho

É bom

“Antes de eu engravidar era meio confuso o meu papel. Amiga, namorada do pai, madrasta? Agora acho que me encaram como mulher do pai e mãe do futuro irmãozinho. Sinto mais respeito e carinho da parte delas.”

É difícil

“Saber qual o seu papel na educação dos enteados. Até que ponto pode intervir na educação deles, já que não é a mãe. A relação é sempre muito delicada e interferir é como pisar em ovos.”

Uma boa lembrança

“Foi muito especial quando contei que estava grávida. Elas ficaram muito felizes, ainda mais quando descobrimos que é um menino.”

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Toda forma de amor

Diante da complexa rede de desafios que passam a fazer parte do dia a dia dessas mulheres, elas se questionam se vale a pena pisar em um terreno tão delicado quando ainda são tão novas. Mas, passado o susto inicial, é possível se adaptar à nova realidade e encarar os enteados como um ganho. “Sempre quis uma família grande, e vou ter uma sem precisar ficar grávida tantas vezes”, comemora Marina Cintra. Para Maria Fernanda, o fato de o namorado ser pai potencializou o que ela sentia. “Eu me apaixonei mais por ele depois de ver o amor que tem pelas meninas. E agora já sei que meus filhos terão um paizão”, expressa. A designer Gabriela, por sua vez, questiona se teria se interessado pelo marido se ele não fosse pai. “Tenho certeza de que ele não seria como é se não tivesse a Alana. Além do mais, famílias modernas, complexas, com anexos, são muito mais interessantes”, aposta. Ela sabe do que está falando.

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Foto de Marcelo Naddeo

Gabriela Juns, 25 anos - Gabriela e a enteada, Alana, 22

Gabriela Juns, 25 anos – Gabriela e a enteada, Alana, 22

É bom

“Os filhos são pedacinhos das pessoas. Tenho certeza de que meu marido não seria como é se não tivesse a Alana.”

É difícil

“Saber dar espaço a pai e filha nos momentos certos.”

Uma boa lembrança

“O dia em que nos encontramos pela primeira vez. Confesso que me assustei um pouco quando vi que ela era maior do que eu! Mas a gente se divertiu tanto que já sentia que tinha uma grande amiga.”

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COMENTÁRIOS

A Tpm se reserva o direito de excluir comentários ofensivos

Paula | 19/04/2011 02:22:52

O problema é quando a ex não aceita o seu novo papel, se sente no direito de continuarcontrolando o Ex marido, e ainda por cima tudo o que acontece liga pra ele, e não estou falando por causa da filha de 5 anos, a ex quebra uma unha e é ele quem tem que ir ajudar. Já conversei com ele, e jamais me colocaria entra ele e a filha, muito pelo contrário, fazem muitas atividades entre os três. E não vejo nada demais. Nas raras ocasiões onde encontrei a menina, ela largava pai e mãe pra ficar comigo. Eu já cansei de conversar, e pelo jeito nada vai mudar, o medo que ele tem pela menina e o fato de não conseguir colocar a ex no seu devido lugar, vão fazer com que ninguém seja feliz. Então, não me conformo que uma mulher, haja dessa forma: “Se você não vai ficar comigo, não vai ficar com mais ninguém”. Mulheres, se dêem valor!! E não estou falando mal, nem bem…nem de madrastas e nem de mães. O importante é cada uma respeitar o seu lugar. E é o que eu tento fazer. Boa sorte pra todas!

Paula | 19/04/2011 01:54:57

Ótima matéria. Tenho 25 anos e confesso que pensaria duas vezes antes de encarar um companheiro com filhos… Não pelos filhos dele em si (tenho um instinto maternal enorme) mas sim por saber que existiria uma ex-mulher, por saber que vai ter sempre alguém no “calcanhar” daquele cara, os pedidos de pensão comprometendo a nossa renda familiar, fins de semana em que no lugar de descansar ou viajar vamos ter que ficar com as crianças… Apesar de todas as vantagens que possam existir, é importante pensar também nas inúmeras desvantagens….

Marines Hines | 19/04/2011 01:09:45

Tenho 03 enteados que moram comigo a 08 anos, sou a Madra ou maedrasta, como costumam me chamar, são 02 de uma mãe e 01 de outra, aqui em casa somos uma família, dou bronca, cuido e os AMO muito, não tenho filhos biologicos, meu marido fez vazequitomia e mesmo com a reversão e inumeras inseminações não conseguimos ter um filho, no começo sofri muito, mas agora estou bem, sei que quando eles tiverem filhos,só vai sobrar pra mim, sou eu que vou ajudar a cuidar e a mimar, acho que serei a vovozinha do domingo, quando eles teram a bela lembrança da comidinha e dos doces da vovó……

Cristina | 19/04/2011 01:09:16

Na verdade, cada um sabe onde doi o seu calo. Cada um tem sua verdade e infelizmente a regra é qua a “madrasta” é sempre a vilã. Dificilmente alguem se coloca no lugar dela, então aí é facil falar. Dificl é conviver com uma ex-mulher que manipula os filhos para interferir na vida de um novo casal ” pai e sua nova mulher”. Crianças nem sempre são anjos. E os pais tem total direito de terem um vida nova e feliz. Filhos serão para sempre independente do resto, mas o resto interfere nessa relação muito mais do que se pensam. As pessoas devem seguir sm frente em suas vidas. SEJAM FELIZES E DEIXEM AS PESSOAS QUE FIZERAM PARTE DE SUAS VIDAS, SEREM FELIZES!

Juliana | 19/04/2011 00:43:08

Aiaiai criar um padrão a partir de meia dúzia de particularidades… Relações são sempe muito subjetivas e nessa combinação não seria diferente. Meu filho tem 5 anos e convive há 3 com a madrasta. Meu filho é uma graça, querido, lindo, amoroso. Está tudo certíssimo na nossa vida. Mas a madrasta nunca falou comigo, foge dos eventos em que estaremos os três – pai, mãe e filho -, embora meu ex já tenha dito que em alguns momentos ela quer bancar a educadora e ele faz questão de não dividir com ela essa responsabilidade. Bem, os finais de semana dele são blackouts pra mim – não sei o que come, como dorme, com o que tem contato -, porque ele volta calado e cansado, dizendo que não quer outra mãe. poucas vezes se manifesta, como num almoço recente: “Mamãe, a tia X tem peito esquisitinho e perereca normal…” toin… Quase pirei. Sim, ela tomou banho pelada com meu filho, em vez de dar banho nele. Enfim, intimidade com filho alheio tem limite. Imagine se ele fosse menina e chegasse na casa do pai contando sobre o pinto do meu namorado. Eu seria uma mãe maluca que não se recuperou da separação. Não é assim que as mulheres se enxergam? E o que eu penso dessa madrasta? Muito a pensar…

Camila | 19/04/2011 03:51:34

Querida Juliana, eu li todos os comentarios, mas com o seu foi o que eu mais me familiarizei. Eu sou aquela madastra que vc tem. Moro com meu namorado que tem dois filhos – 3 e 5. A ex-mulher e extremamente ‘civilizada’ – vamos colocar nesses termos. Eles são bem fechados e tudo demorou muito pra acontecer entre a gente. Alguns meses pra falarem meu nome e mais outros mais pra me considerarem como uma pessoa extra perto do pai. O episódio do banheiro tambem aconteceu. Entraram quando eu tava tomando banho e só riram e tudo virou uma brincadeira. Agora, acontece de me trocar perto deles ou vice-versa sem problemas. Mas você despertou minha curiosidade para outra coisa: o que será que eles falam pra mãe? E o que ela fala de mim pra eles? No meu caso, eu participo o máximo possivel, mas nao interfiro na educacao de forma alguma e nao participo de eventos na escolinha ou coisa do tipo, isso e para os pais. Aniversario de um deles na casa dela, sim. Estranho não? Eu acho que ela deve estar tao assustada com a situacao como vc. A parte de educa-los, ela está errada na minha opiniao no sentido que muitas pessoas como ‘autoridade’ na vida dele vão confundi-lo mais do que ajudá-lo. Para mim eh bem dificil, principalmente quando ela fala pra ele que está comfortavel comigo sozinha com eles….. Estamos cada dia mais próximos, e eles não conversam muito. Pagaria pra saber o que eles falam pra ela. Boa Sorte!

Fabiana Souza | 18/04/2011 23:48:40

“Cris” O que é “boazinha” para você? Sou uma mulher madura, sou muito amada e AMÁVEL, crio muito bem minha filha e minha enteada que me dá muito carinho e alegria. Não preciso ser bobinha, não sou hipócrita, só sincera! Sei dar limites quando é preciso. Tenho um casamento feliz. Mas não tenho dúvidas nenhuma em saber como VOCÊ É, pois está com tanto ódio nas palavras, que imagino que você tenha sido “trocada” por uma mulher mais nova… Aaaah, o AMOR, só dá mesmo quem o TEM… beijos

Fabiana Souza | 18/04/2011 23:30:09

Tenho 2 enteadas, uma de 16, que mora com a mãe e uma de 8 que mora comigo, meu marido e minha filha de 13 anos do meu 1º casamento. A maior morre de ciúme do pai, por mais que eu tentei agradar ela não quer papo, nos respeitamos, mas, sinto que ela não entendeu que avida do pai é somente dele e que ela não pode controlar, e que nos ama de maneira diferente, espero que com o tempo ela reconheça que a amo muito e que desejo o melhor paraela, a mãe a ignora completamente, nem beijo dá, mas ela não quer vir morar conosco por mero ciúme. A menor adora a vida que tem, era ignorada e espancada pela mãe (se é que posso dizer mãe), engordou, tem roupas limpas, e a educamos. Eu, meu marido e minha filha vivemos em perfeita harmonia. Somos felizes! Ah, tenho 34 anos e meu amor 38

Cris | 18/04/2011 23:32:22

A mãe nunca presta e vc? Será q vc é tão boazinha quanto diz? Duvido….

Evelyna | 18/04/2011 23:21:16

Nunca deixaria um filho meu com uma dessas “mocinhas” de 20 e poucos anos… A maioria não tem nada na cabeça e o casamento com o homem mais velho se baseia quase que unicamente em segurança e grana… Muitas maltratam os enteados, conheço uma que colocava detergente no suco da criança e não é gente pobre não, a tal “madrasta” é engenheira. Desculpem o ceticismo mas não acredito que nada disso seja verdadeiro, essas mocinhas são jovens demais para tamanha responsabilidade e se submetem pq querem a segurança do casamento. Ninguém quer criar os filhos dos outros, ainda mais quando se tem 20 e pouco anos e se quer aproveitar a vida, sair, dançar…Mas como casam com velhos por interesse e por necessidade estas pobrezinhas se submetem…

Eveready | 19/04/2011 02:20:53

Ta amarga hein……

Camila | 19/04/2011 04:52:53

Querida Evelyna, Eu tenho 24 anos e meu namorado tem 32. Seus dois filhos,de 3 e 5 anos moram conosco 2 semanas por mes. Tenho muitas coisas em minha cabeca – o mestrado que faco no momento e uma delas. Meu relacionamento com seus filhos e muito bom e de maneira tento ‘criar filhos dos outros’. Moro na Noruega com um canadense. Nao tenho interesse financeiro algum nesta relacao, mesmo porque temos situacoes financeiras muito parecidas, uma vez que estamos os dois estudando para abrirmos nossa propria ONG. Sinto lhe dizer que esta enganada em relacao ao interesse de ‘mocinhas de 20 e poucos’ – o fato de pessoas se interessarem somente em dancar e sair e devido a superficialidade e nao a idade. Nao me submeto a nada, sinceramente. Minha tem um bom relacionamento com os filhos dele tambem. Por isso, sugiro que voce repense esse seu comentario, porque de tao simplista, me faz rir!

Nívea | 18/04/2011 23:16:35

Parabéns pela matéria, a verdade é que quando as coisas são construídas com bastante amor, sempre dará certo, o caminho a ser percorrido terá algumas dificuldades, mas terá sucesso. Lógico que há várias histórias e posições distintas, cada um com a sua, porém o importante é não generalizar, existe sim boas madrastas, assim como existe boas mães e bons pais, frisando-se que o contrário também ocorre. Nem toda madrasta é má e nem toda mãe é a pobre coitada. A vida tá aí e nos surpreende a cada dia.

Fabiana Souza | 18/04/2011 23:38:08

Nivea, você tem toda razão. Acho a palavra madrasta um tanto agressiva, prefiro o boadrasta, rs… pois sou uma pessoa totalmente amável e amiga. Cheguei a passar uma noite toda no show de um cantor que não curto para presentear minha enteada quando completou 15 anos. Fiz de coração, dei várias ideias para outros presentes, mas no fundo vejo que ela é quem não quer abrir o coração… E, a “mãe” além de ser agressiva, é egoísta e manipuladora, uma pessoa totalmente infeliz e arrogante, que não soma em nada!

Nívea | 18/04/2011 23:57:40

Fabiana o que realmente importa é você fazer a sua parte, a via do diálogo,das coisas bem esclarecidas somadas ao carinho e a boa vontade preponderará. Cada um tem seu tempo para se abrir, aceitar o novo, pode ser isso que esteja acontecendo com sua enteada, aos poucos e quando menos esperar você terá conquistado algo com ela, muitas vezes o amadureciemento das pessoas só ocorrem quando passam por muita coisa nessa vida, só daí elas passam a enxergar o que verdadeiramente vale a pena. Boa sorte.

Kariele França | 18/04/2011 23:12:51

Amei a materia!!! Tenho 28 anos e uma enteada linda, com 15 aninhos, em alguns momentos me vejo nela! Ela por iniciativa propria me chama de Boadrasta, nos damos bem, não me porto como madrasta, acho que to mais p/ amiga + velha, que brinca e da conselhos, rs!

Camila | 18/04/2011 22:44:30

Eu já passei pela situação enquanto “madrasta”, e acredito que os problemas ocorrem principalmente quando o pai não sabe se posicionar. Explico: passei por situações em que minha enteada mais velha (na época com 11 anos) foi mal criada e mal educada, inclusive se expondo a situações perigosas com terceiros, nas quais tive que interferir pois o pai não estava presente, mas o fiz de maneira gentil. Porém quando fui relatar ao meu namorado os fatos ocorridos, ele me criticou, dizendo que não deveria ter interferido, pois a filha era dele. Respondi que a partir do momento que ele deixou a menina sob minha responsabilidade, se ela se machucasse durante suas malcriações ele seria o primeiro a me culpar… Meu ponto é: pais inseguros as vezes optam por magoar quem consideram que os perdoará com mais facilidade, mas isso não é ser pai. É preciso ser firme para educar seu próprio filho. E coerente para manter qualquer tipo de relacionamento.

Maruska | 18/04/2011 22:39:54

No meu caso a mãe do meu enteado só quer viver a vida viajando, namorando,adquirindo bens… enquanto o pai pagava empregada para cuidar do menino ela foi ficando com ele, qdo fez 13 anos que ninguém segurava mais mandou para minha casa. NUNCA em 02 anos me fez uma ligação para perguntar como o filho está. Qdo vem passear quer dormir na minha casa com o namorado, e mesmo de frente para mim se quer toca no nome do filho. Apoia o filho ficar com os cabelos compridos “para vender”, apoia fazer tatuagem, qdo está com ele leva-o para bares (sei lá o que ela oferece para ele)… O meu casamento já esteve por um fio. Sinceramente a maioria das EX são mulheres despeitadas que não querem ver o PAIS de seus filhos felizes, mesmo qdo ela já possui um novo relacionamento. A sociedade é hipócrita e não assume que na maioria das vezes as vitimas são a “madrasta” e a criança.

Juliana | 18/04/2011 22:36:17

Também adorei a matéria, tenho 28 anos e dois enteados que adoro. Acho que a Madrasta que tenta afastar os filhos do marido é porque não ama o marido, ninguém pode ser egoísta a ponto de confundir uma coisa com a outra, filho é filho e relacionamento é outra coisa, totalmente diferente. Claro que tem momentos em que gostamos de ficar a sós com o nosso marido, afinal, temos esse direito uma vez que não fomos nós que tivemos os filhos, mas, dai a afasta-los por ciúme é muita crueldade e falta de noção.

Carol | 18/04/2011 22:28:45

Eu tentei ser como uma das entrevistadas que disse não discordar do que é dito pela mãe do enteado, etc… Tentei ter uma relação respeitosa, contudo impessoal com a pessoa, mas após tantas ofensas e tentativas e sem sucesso, cansei. Hoje, bem como antes, a mãe do menino insiste em denegrir eu e o pai para seu filho, enaltecendo o “namorido” que a mesma arrumou antes mesmo de eu conhecer meu marido, ou seja, fica a pergunta: pq a raiva se é tão feliz?! Tudo piorou ainda mais pq agora estou grávida de uma menina. Ela usa o fato para dizer ao filho que o pai agora não liga mais pra ele. O que fazer com uma safada dessas???

Cris | 18/04/2011 23:30:06

Eu trataria vc MUITO mal… com certeza..vc deve ter sido a amante e agora quer se fazer de boazinha, meus filhos nunca teriam contato com uma mulher como vc eu iria à justiça para impedir qualquer contato… Não temos q aceitar mulher de ex marido, a maioria é tudo mocinha vagabunda q quer ter boa vida… Homem velho quer se sentir por cima e por isso casa com uma coitada uns 15 anos mais nova no mínimo e 99% das vezes é moça POBRE. Eu fico me perguntando o q uma moça jovem dessas e totalmente imatura tem a oferecer a uma criança q nem é seu próprio filho? Essa matéria é pura ilusão, a realidade é outra… Olhem o modo como essa Carol escreve e fala… olhem o nível… impossível aceitar uma pessoa dessas, totalmente grosseira, vulgar e inferior e q ainda quer se meter a criar nossos filhos… ahhh… Cai fora!

Luna | 18/04/2011 23:45:52

Cris, sinceramente essa sua resposta foi muito pessoal até parece que conhece a Carol e é a mãe da criança que citou na história. Se não conhece no mínimo lhe faltou educação doméstica para se pronunciar e também saber se expressar em um site.

Luna | 18/04/2011 23:47:43

Ainda bem que os magistrados que atuam em Vara de Família possuem bom senso e sensatez, coisas que aparentemente lhe faltam.

Mah | 18/04/2011 22:28:14

Excelente matéria!!!

Angelo | 18/04/2011 22:27:22

É difícil, na maioria das vezes, a convivência dos filhos com a madastra. Sei bem que é isso. Tenho um casal de filhos e casei novamente com outra pessoa, no início ia tudo bem, ela entrou na história já sabendo do meu amor pelos filhos e por ela também. Mas a partir do nascimento de nossa filha, ela aos poucos começou a mudar, passou a implicar demais com meus filhos, principalmente com a menina. Era demais. Chegou ao ponto de eu, para evitar maiores problemas, presenteava meus filhos às escondidas. É a realidade. Fico feliz quando vejo que outros casos deram certo. No meu, foi preciso tomar uma decisão e optar pelos filhos. O que ela fez de bom mesmo foi somente me dar de presente mais uma filha. Dela em si não tenho lembranças, apenas pesadelos. Amo meus filhos, e a mim também, por isso estou à procura de nova madastra. Quando vejo casos assim que deram certos, fico tão animado!

Sula | 18/04/2011 22:26:58

Quando me separei há exatos 15 anos, meus filhos tinham 16, 13 e 10 anos respectivamente, como o pai trabalhava muito e nunca tinha tempo para os filhos ele prometeu que tudo seria diferente apartir da nossa separação ele iria ser mais presente na vida das crianças. Ledo engano, realmente a única pessoa importante em sua vida foi a MADRASTA, os filhos ficaram para segundo plano. Só que agora ele precisa dos filhos financeiramente, e eles são tão bons que o ajudam.

Jose Nelson | 18/04/2011 22:22:40

Dá nisso inverter a ordem natural das coisas. Quero mais é que se fodam.

MARCIA | 18/04/2011 22:19:20

Caramba, em quase todos os casos as má-drastas tem quase a idade dos filhos/as…  O mundo mudou taaaaanto e o homem continua previsível, trocando as mulheres por mais novas – será que a reportagem não achou nenhum caso em que a mulher é mais velha??

Gilian | 19/04/2011 01:15:46

Concordo plenamente com você. Vejo isso tanto na sociedade em geral quanto com amigas inhas na faixa etária de 33, 34 anos. Parece imaturo generalizar mas penso muito antes  e oficializar algum relacionamento pois não gostaria de passar por este tipo de situação. Quanto mais o tempo passa, mais vejo que os homens nunca mudarão seu jeito de pensar e agir.

Lidy | 18/04/2011 22:04:15

Tenho 29 e sou madastra de um menino de 15 e uma adolescente de 19, faz 6 anos que convivo com o pai deles, mais a maioria das vezes nos madastras sim temos um pouco de culpa no relacionamento de convivio familiar, mais muitas das vezes os enteados são  provocadores e faz sempre algo para nos tirarem do serio… Exemplo, falar sempre nas horas erradas da mãe e quando convivam em familias junto do pai e dar pra mais pior até dar novas namorads ao pai….

Ana | 18/04/2011 22:00:10

Deve ser 1 em um milhão um caso em que madrasta enteada (o) se dão bem. Sempre tem um lado que não colabora… Quando a madrastá quer ser legal, o resto não colabora. Ou o inverso. E tem mais, muitas vezes é a familia que causa problemas e o pai que não sabe se colocar…. No meu caso e familia não colabora em NADA, só ATRAPALHA!

Leonel | 18/04/2011 21:05:45

Pois é… como o primeiro comentário, eu infelizmente tive uma madrasta dessas mais pra bruxa mesmo. Mesma coisa, odiava que meu pai ficasse comigo e minha irmã, e nos tais  fins de semana q pegava a gente, ficava só no sábado, das 9 da manhã até umas 14h…. e depois era uma vez por mês, só. Triste, triste. Quando ela teve a filha dela piorou, porque aí é que não tolerava mais que meu pai tivesse contato conosco regularmente. Minha irmã (a de pai e mãe), por conta disso, pegou um desprezo enorme pelo nosso pai. Faz questão de nunca ligar pra ele, e quando ele, agora, sentindo falta resolve ligar pra ela, ela o trata mal, e deixa claro que vê-lo não é uma prioridade na vida dela.

Andrea | 18/04/2011 20:52:44

Tenho um enteado de 9 anos e optei por nao ter mais filhos. Eu e meu marido estamos casados há 03 anos. Nossa convivência é a melhor possível e realmente nós três nos esforçamos muito para que isto aconteça! Cada gesto de carinho e amor desta criança é muito especial para mim. É algo que conquistei, que veio com muito esforço, paciencia e claro, muito amor. Adorei a matéria!

Marcelo | 18/04/2011 20:52:21

Senhoras e Senhores: A verdade é uma só: Modernidade dos Infernos ! Mulher moderna e Homem moderno NÃO PRESTAM OS DOIS.

Lidia | 18/04/2011 22:09:00

Acho ridiculo o seu comentário.

Andressa | 18/04/2011 23:20:19

Nossa você é casado há quantos anos, tem filhos ??? RIDICULO, CHEGA A SER NOJENTO O SEU COMENTÁRIO !!!!

Camila | 19/04/2011 04:14:09

Marcelo, sinceramente, eu tenho pena de vc. Essa sua mentalidade ultrapassada(considerando que ‘antigo’ e ‘ultrapassado’ nao sao a mesma coisa) esta com os dias contados. Gracas a Deus nao? Pessoas simplistas como voce nao tem espaco algum na sociedade moderna. Sinto lhe dizer que estamos todos em constante desenvolvimento e o que vimos nessa reportagem sao reacoes naturais de mudancas na sociedade. Esse odio pelo ‘moderno’ que voce tem, se e que serve para algo, seria de riso para os que o leem!

Nina | 18/04/2011 20:47:44

Eu estou do outro lado da moeda, sou mãe de um menino de 2 aninhos que ama o pai de paixão e estamos separados há um ano porque peguei ele com a estagiária. Hoje ela está grávida de 7 meses e eu tenho que ser bacana com ela por causa do meu filho. Não deixo ele levar o menino para casa deles até por que ele trata muito mal ela e não quero que meu filho veja isso. Então a solução foi deixar ele passar o final de semana com os avós presente. Não confio nela, mas também nao falo mal, quero mais é que ela trate bem meu menino. Mas é complicado. Eu namoro há 4 meses e nunca tive vontade de apresentar para o meu filho por respeito a ele. Se um dia achar que vai dar certo, pensarei na possibilidade.

Sula | 18/04/2011 22:29:18

O amiga não se preocupe, aqui se faz, aqui se paga, o que é dela tá guardado.

Andressa | 18/04/2011 23:22:15

Nina, muito bom isso que vc faz, nao expor o seu menino, vc é a referencia dele !!!!

Kate | 18/04/2011 20:29:40 resposta | citação

Não vou generalizar, sei que há boas madrastas, ainda que minoria. Mas o fato é que a grande maioria das madrastas não suportam a presença constante das  crianças / adolescentes. Com certeza, elas prefeririam que o homem não tivesse filhos e encaram essa situação como aborrecimento. Uma das entrevistadas disse que pede ao enteado para ela sair a sós com o pai dele… será que o enteado tem a mesma liberdade? Eu tenho uma madrasta de “20 e poucos” que é uma cobra, antes de ela entrar na minha vida eu tinha um pai, ela tinha ciúme de mim e da minha irmã, tratava a gente mal na casa dele,  desrespeitava, criticava dizendo que a gente era feia e tudo mais, e falava mal da gente pro meu pai, nunca deixava ele ficar a sós com a gente, ela sempre tinha que estar no meio, mas ela vivia saindo só com o meu pai. Depois de tanto mal trato, deixei de ir pra casa dele e perdi o contato. Claro que o pior da história é ele, mas ela tb teve grande contribuição pra isso acontecer. O negócio dessas madrastas é tirar os filhos de perto do pai, conheço bem essazinhas aí.

Andressa | 18/04/2011 23:26:23

Kate, Eu sou BOADRASTA, como meu enteado me chama, o que eu mais quero é a convivencia dos dois, por vários anos eu ia pegar o menino na casa da mae dele para fazer uma surpresa ao pai, agora eu e o pai dele estamos nos casando e o quarto do meu enteado faz parte da minha casa para que ele more conosco, faço questao que meu enteado seja feliz, ele pediu e eu concedi que ele viesse conosco, somos uma familia, e o homem da minha vida felizmente tem filho, pois ele me dá muitas alegrias, conheci meu enteado ele tinha 3 anos, hoje ele tem 12 anos, é um menino lindo que eu amo !!!

Fernanda | 18/04/2011 16:09:24

Sei exatamente o que é isso. Tenho 27 anos, estou grávida de 35 semanas de uma menina e meu marido já tem 3 filhos. Todos mais velhos do que eu (29, 30, 34). Estamos todos felizes com a chegada da Maria, mas às vezes é complicado saber qual é o meu papel. Aos pouquinhos a gente aprende! Adorei a matéria!

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Em São Paulo, 19 de Abril de 2011