Casoy e FHC, Datena e Dilma

Eis o texto da entrevista de FHC a Boris Casoy em 1985:

“Boris Casoy – Senador, o senhor acredita em Deus?

FHC – Essa pergunta o senhor disse que não me faria.

Casoy – Eu não disse nada.

FHC – Perdão, foi num almoço, sobre esse mesmo debate.

Casoy – Mas eu não disse se faria ou não faria.

FHC – É uma pergunta típica de quem quer levar uma questão que é íntima para o público, uma pergunta típica de quem quer simplesmente usar uma armadilha para saber a convicção pessoal do senador Fernando Henrique, que não está em jogo. Devo dizer ao senhor Boris Casoy que esse nosso povo é religioso. Eu respeito a religião do povo, as várias religiões do povo, automaticamente estou abrindo uma chance para a crença em Deus.

Casoy – A pergunta não foi respondida. Não se trata de armadilha, nem de convicção pessoal.”

O texto da entrevista foi retirado do artigo de Fernando de Barros e Silva na Folha de S. Paulo de hoje, 15/10/2010.

Entrevista da Dilma ao Datena, disponível no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=EpI3uptRXXY):

“Datena: A senhora acredita em Deus?

Dilma: Olha, eu acredito em uma força superior que a gente pode chamar de Deus. E acredito, mais do que nessa força superior, se você me permitir… acredito na força dessa Deusa-Mulher que é Nossa Senhora.”

É isso… 25 anos depois, a mesma pergunta. E 25 anos depois, a candidata Dilma se embananando na resposta, como o candidato FHC, antes.

Em São Paulo, 15 de Outubro de 2010

Metadiscussão da presente discussão do aborto

Resolvi entrar, de certo modo e até certo ponto, na presente discussão do aborto. Mas vou fazê-lo pela via indireta, trazendo à discussão três artigos, de autores que eu normalmente aprecio bastante: Contardo Calligaris (que conheci pessoalmente em um congresso realizado em Bento Gonçalves, há algum tempo), Hélio Schwartsman e Carlos Heitor Cony. Os três artigos apareceram na Folha de S. Paulo de ontem, mas eu só os li agora de madrugada.

Antes, um preâmbulo para justificar o meu título. Não vou discutir o aborto. Vou discutir a discussão do aborto. Por isso, o que farei aqui (e o que os três autores fazem em seus textos) é uma metadiscussão da atual discussão do aborto, não é realmente uma discussão do aborto.

Quero ressaltar cinco passagens: duas do artigo do Calligaris, duas do artigo do Schwartsman, e uma do artigo do Cony. (Ressalte-se que o psicanalista no artigo de Calligaris é, certamente, ele próprio).

Os dois pontos que me parecem importante no artigo do Calligaris são:

1)  Mesmo em contextos em que a questão do aborto é discutida academicamente, em geral de forma racional e desapaixonada, por pessoas favoráveis e contrárias (erroneamente chamadas de “pro escolha” e “pro vida”) ao aborto, é muito difícil chegar a uma conclusão clara e inequívoca que possa convencer ou persuadir a outra parte. Como diz Calligaris, esse tipo de discussão em geral não chega a conclusão alguma.

A razão por que essa discussão não chega a conclusão alguma me parece evidente. Ela envolve diversos tipos de questões:

* Questões conceituais ou filosóficas – epistemológicas (o que é a vida, quando ela começa, o que é a consciência, quando ela surge, o que é uma pessoa, quando é que algumas células se tornam uma pessoa?);

* Questões fáticas ou científicas (como as discutidas no caso de anencefalia, nas quais a minha amiga, e bióloga, Lenise Garcia, professora de microbiologia na Universidade de Brasília e católica praticante, membro do Opus Dei, vive se envolvendo);

* Questões filosóficas – éticas (o que é moralmente certo e errado, com base em que critério se decidem essas coisas?);

* Questões religiosas – teológicas (quando é que um erro moral é também pecado, há pecados que são mais sérios do que os outros, toda e qualquer forma de colocar um fim não natural à vida, como no aborto, na eutanásia, na ortotanásia, etc., é sempre pecado?).

As respostas a essas questões, quando dadas em contextos acadêmicos, em que a discussão se dá (ou deveria se dar) de forma racional e desapaixonada, em geral são qualificadas, cheias de nuances e semitons. Por isso é muito difícil chegar a uma conclusão clara e inequívoca acerca da questão do aborto e de outras questões equivalentes, mesmo quando elas são discutidas nesse tipo de contexto.

2) Diz Calligaris, no segundo ponto que resolvi ressaltar: “uma eleição é o pior momento para debater qualquer questão que seja. Numa eleição, as pessoas precisam ser a favor ou contra”. E, acrescente-se, numa eleição, os ânimos e as paixões estão exacerbados, por fatores que vão muito além daqueles que influem numa discussão acadêmica. Aqui as pessoas querem ganhar a eleição – e as pessoas (os eleitores, os entrevistadores) em geral esperam respostas claras e inequívocas de seus candidatos: sim ou não? Por isso, a discussão é qualquer coisa menos racional e desapaixonada.

3) O primeiro ponto que quero discutir do artigo de Schwartsman é o seguinte: Se a discussão de questões complexas, cujas respostas, em contextos acadêmicos, são forçosamente qualificadas, nuanceadas, semitonadas, é complicada no contexto de uma eleição, quando essas questões envolvem componentes religiosos e teológicos, a discussão se complica talvez além do gerenciável e o resultado da discussão fica além do ponderável. Discussões puramente teológicas, em Faculdades de Ciências de Religião ou em Seminários, ainda podem ser conduzidas num clima racional e desapaixonado. Mas discussões entre fiéis, entre crentes, são outra coisa. E discussões entre fiéis e crentes, de um lado, e gente que não crê, do outro lado, no contexto de uma eleição, são quase impossíveis. Os fiéis e crentes em geral esperam respostas inequívocas, claras e distintas, do tipo sim ou não. Os políticos, em condições normais, fogem desse tipo de resposta. Mas, no contexto da eleição, não conseguem fugir.

Eis o que diz Schwartsman: “As dificuldades surgem quando a religião se torna a justificativa para posições inegociáveis. Ao pautar a política por uma lógica espiritual, que opera com conceitos como o de pecado, o discurso religioso introduz absolutos morais em questões que não podem ser tratadas de forma dogmática ou maniqueísta sem negar a própria política. . . . Enquanto uma lei positiva se justifica por sua racionalidade, comporta gradações e pode ser objeto de negociação, o pecado, por ter sido definido por uma autoridade incontestável, vem na forma de pacotes inegociáveis. A própria lei de aborto, de 1940, é um exemplo. Ela veda o procedimento, mas prevê exceções (risco de vida para a mãe e estupro) que não são admissíveis na lógica puramente religiosa.”

Perfeito. Não tenho o que acrescentar. Só ilustro.

“O senhor acredita em Deus?” perguntou o Boris Casoy ao Fernando Henrique antes da eleição para prefeito municipal de São Paulo, contra o Jânio. O FHC, acadêmico de boa estirpe, mas, naquela ocasião, político inexperiente, hesitou, gaguejou, e não respondeu de forma clara e inequívoca. Ficou em generalidades e evasivas. O resultado todos conhecemos. O Jânio ganhou, embora estivesse atrás nas pesquisas (fato que levou FHC até a se sentar na cadeira do Prefeito, então ocupada por seu correligionário Mario Covas). É por isso que políticos experientes em geral não discutem essas questões, se podem evitar – especialmente quando são candidatos. Mas é difícil evitar, quando se tem de responder a uma pergunta direta e inesperada.

“A senhora acredita em Deus?”, perguntou à Dilma o Datena, em um vídeo no YouTube. Ela respondeu algo mais ou menos assim: “Acredito em uma força superior. Mas acredito acima de tudo na Deusa-Mulher, Nossa Senhora”. Complicado, não? Sim ou não? Deusa-mulher? Nem os católicos dizem que Nossa Senhora é deusa – dizem que é mãe de Deus. Os protestantes não dizem nem isso.

4) O ponto que quero discutir do artigo do Cony é o seguinte: Serra em geral sai melhor nesse contexto, por uma razão simples. É político mais experiente.

Eis o que diz o Cony:

“Acompanho emocionado o grau de religiosidade que baixou nos dois candidatos. Vi as fotos de Serra beijando um terço e de Dilma fazendo o sinal da cruz durante a missa na Basílica de Aparecida, que ambos visitaram para homenagear a padroeira do Brasil. A Constituição federal e os bons costumes permitem a prática de qualquer religião, inclusive a prática de não ter religião nenhuma, como é o caso do cronista, que teve uma estrada de Damasco às avessas.

Vamos aos fatos e às lendas. Num filme de John Ford (“O Homem que Matou o Facínora”), o editor do jornal aconselha ao seu redator: ‘Se há um fato e uma lenda, publique a lenda’.

A lenda não atinge o Zé Serra, que provavelmente já visitou o santuário em outras ocasiões, como governador do Estado. E nunca se marcou por uma atitude pública contrária aos valores religiosos. O mesmo não acontece com Dilma, que tem um passado de militante petista próxima à periferia marxista, que sempre considerou a religião como o ópio do povo.”

Fim da citação.

Acrescente-se que a Dilma não é política experiente. Por isso, já fez declarações claras e inequívocas, antes de ser candidata, e algumas extremamente obscuras, que não enganam ninguém, depois de sê-lo.

Sendo esses os fatos, não é difícil de entender por que a candidatura do Serra cresce e a da Dilma cai – aos poucos, mas claramente, e que a questão do aborto provavelmente tem algo que ver com isso.

5) Por fim, o segundo ponto do artigo do Schwartsman: Que os fiéis e crentes queiram saber o ponto de vista dos candidatos sobre questões que lhes interessam, e que pautem seus votos pelas respostas dos candidatos, é algo perfeitamente natural e legítimo. Isso não quer dizer que o Brasil esteja se transformando em uma “república fundamentalista”, como alguém acusou.

Diz o Schwartsman:

“Não que religiosos não devam opinar. Na democracia, clérigos são livres para pregar o que bem desejarem e eleitores só devem satisfações do voto a suas consciências. Na verdade, seria impossível pedir às pessoas que não levem em conta seus valores (às vezes amparados em ensinamentos teológicos) na hora de fazer suas escolhas.”

Acho que é isso, por enquanto.

Eis os três artigos.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1410201024.htm

Folha de S. Paulo

14 de Outubro de 2010

CONTARDO CALLIGARIS

A favor ou contra?

É o pior momento para argumentar, porque, numa eleição, as pessoas precisam ser a favor ou ser contra

NO QUE prometia ser um belo dia de primavera de meados dos anos 1970 em Paris, um jovem psicanalista trabalhava no plantão de uma enfermaria psiquiátrica.
Considerando a exiguidade do salário que ele recebia, seria mais correto dizer que ele estagiava. De qualquer forma, ele não estava ali pelo dinheiro, mas para enriquecer sua experiência dos caminhos pelos quais a gente enlouquece e sofre.

O jovem psicanalista estava sempre disposto a topar uma parada que pudesse lhe ensinar algo novo. Naquele dia, embora esta não fosse sua atribuição, ele, com um psiquiatra e dois enfermeiros, embarcou na ambulância que respondia a um chamado da polícia do bairro 13. O comissariado recebera o telefonema angustiadíssimo de um homem que acabava de encontrar sua mulher e sua filha de um jeito que não conseguia descrever, mas que, ele gritava, não era normal.

A ambulância chegou antes dos policiais. O marido, desculpando-se por não ter a coragem de voltar lá dentro, apontou na direção da porta do banheiro do apartamento.

O jovem psicanalista foi o primeiro a entrar e descobriu uma jovem mulher, deitada nua na banheira, cantando feliz enquanto brincava com seu bebê na água. A jovem mulher não pareceu perceber a chegada do estranho e o jovem psicanalista se deu conta de que o bebê era curiosamente inerte, rígido e branco: ele estava morto há tempo.

O jovem psicanalista nunca esqueceria o corpinho que ele apertou contra si, como se houvesse uma chance de esquentá-lo de volta para a vida.

Engravidar e dar à luz (apesar de ser o cotidiano da espécie) são experiências tão extremas que elas podem enlouquecer algumas mulheres, em geral temporariamente, logo após o parto.

A internação da mulher de nossa história durou pouco: ela foi declarada não imputável por razão de insanidade e recuperou a dita sanidade rapidamente.
Durante sua internação, soube-se que, dois anos antes, um irmão do bebê morto na banheira também tinha falecido, aos três meses, de morte súbita e inexplicada. A equipe do hospital se perguntou: não seria legítimo esterilizar compulsoriamente as mulheres que matassem seus bebês numa psicose desencadeada pelo parto? De fato, existe um risco estatístico de recidiva caso elas deem à luz outra vez.

A discussão não chegou a conclusão alguma; ficou suspensa entre o respeito pela esperança de uma mãe que quer tentar uma nova gravidez, a dificuldade de garantir o direito à vida dos nascituros e nossa incapacidade de prever, prevenir e intervir a tempo. Pouco importa, pois nisto eu acredito mesmo: todas as discussões que valem a pena são inconclusas.

Bastante tempo depois, o jovem psicanalista, que não trabalhava mais naquele hospital, recebeu um telefonema do psiquiatra que estivera com ele na ambulância. A jovem mulher da banheira pedira uma consulta na mesma enfermaria onde ela fora internada dois anos antes: ela estava grávida e queria saber se corria o risco de enlouquecer de novo e assassinar seu bebê no berço. Que ela perguntasse era um bom sinal, mas insuficiente para responder com segurança. O que fazer? Encorajá-la a abortar ou a apostar que nada aconteceria? Quem sabe sugerir que levasse a gravidez a termo e se engajasse a entregar o bebê, na hora do parto, para a assistência pública?

Não sei a resposta certa e é por isso que me lembrei dessa história.

Uma eleição é o pior momento para debater qualquer questão que seja. Numa eleição, as pessoas precisam ser a favor ou contra.

Ora, as pretensas discussões entre “a favor” e “contra” me inspiram o mesmo mal-estar que sinto quando assisto a uma cena de violência. Faz sentido porque, nessas discussões, ninguém argumenta, cada um apenas reafirma abstratamente sua identificação: em “eu sou a favor” e “eu sou contra”, o que mais importa é reforçar o “eu”. Com isso, inevitavelmente essas discussões menosprezam, atropelam e violentam a vida concreta de todos.

Depois desse preâmbulo, talvez eu consiga, numa coluna futura, escrever sobre a questão do aborto. Enquanto isso, eis uma leitura que recomendo a todos os que preferem pensar a gritar: “O Drama do Aborto: Em Busca de um Consenso”, de dois médicos, A. Faúndes e J. Barzelatto (Komedi). Sobre o tema, talvez esse seja o escrito mais honesto, menos tendencioso e mais generoso que já li.

ccalligari@uol.com.br

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1410201003.htm

Folha de S. Paulo

14 de Outubro de 2010

HÉLIO SCHWARTSMAN

Liturgia de campanha

SÃO PAULO – Não deixa de ser um pequeno milagre: mesmo sem ter desempenhado papel determinante na votação presidencial, a religião ganhou momento e passou a definir a liturgia da campanha.

É conveniente para todos. Padres e pastores posam de grandes eleitores, Dilma abafa um pouco o caso Erenice e Serra pode continuar sonhando com o advento sobrenatural que subtrairá votos à petista.

Institucionalmente, porém, a transubstanciação da campanha em concurso de coroinhas é algo a lamentar. Não que religiosos não devam opinar. Na democracia, clérigos são livres para pregar o que bem desejarem e eleitores só devem satisfações do voto a suas consciências. Na verdade, seria impossível pedir às pessoas que não levem em conta seus valores (às vezes amparados em ensinamentos teológicos) na hora de fazer suas escolhas.

As dificuldades surgem quando a religião se torna a justificativa para posições inegociáveis. Ao pautar a política por uma lógica espiritual, que opera com conceitos como o de pecado, o discurso religioso introduz absolutos morais em questões que não podem ser tratadas de forma dogmática ou maniqueísta sem negar a própria política.

Enquanto uma lei positiva se justifica por sua racionalidade, comporta gradações e pode ser objeto de negociação, o pecado, por ter sido definido por uma autoridade incontestável, vem na forma de pacotes inegociáveis. A própria lei de aborto, de 1940, é um exemplo. Ela veda o procedimento, mas prevê exceções (risco de vida para a mãe e estupro) que não são admissíveis na lógica puramente religiosa.

Utilizar absolutos na política -religiosos ou ideológicos- é ruim porque eles a descaracterizam como instância de mediação de conflitos. O remédio contra isso, como já intuíram no século 18 os “philosophes” do Iluminismo francês e os “founding fathers” dos EUA, é a separação Estado-igreja. É essa linha que fica meio borrada com a introdução da fé na corrida eleitoral.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1410201005.htm

Folha de S. Paulo

14 de Outubro de 2010

CARLOS HEITOR CONY

Estrada de Damasco

RIO DE JANEIRO – Doutores da alma humana garantiram que nunca é tarde para a conversão súbita. O caso mais famoso foi o de Saul de Tarso, que caiu literalmente do cavalo na estrada de Damasco e se transformou em são Paulo, apóstolo dos gentios e nome de um Estado da Federação brasileira.

Acompanho emocionado o grau de religiosidade que baixou nos dois candidatos. Vi as fotos de Serra beijando um terço e de Dilma fazendo o sinal da cruz durante a missa na Basílica de Aparecida, que ambos visitaram para homenagear a padroeira do Brasil. A Constituição federal e os bons costumes permitem a prática de qualquer religião, inclusive a prática de não ter religião nenhuma, como é o caso do cronista, que teve uma estrada de Damasco às avessas.

Vamos aos fatos e às lendas. Num filme de John Ford (“O Homem que Matou o Facínora”), o editor do jornal aconselha ao seu redator: “Se há um fato e uma lenda, publique a lenda”.

A lenda não atinge o Zé Serra, que provavelmente já visitou o santuário em outras ocasiões, como governador do Estado. E nunca se marcou por uma atitude pública contrária aos valores religiosos. O mesmo não acontece com Dilma, que tem um passado de militante petista próxima à periferia marxista, que sempre considerou a religião como o ópio do povo.

Os tempos mudam, e nós mudamos com o tempo, disse Lotário 1º, imperador do Ocidente -parece também uma citação do poeta Virgílio. Nada demais que, às vésperas da eleição presidencial, num país em que a maioria do povo tem uma religião qualquer, os candidatos procurem demonstrar que também cultivam uma fé e cumprem os seus ritos básicos. Tudo bem.

FHC comeu uma buchada de bode durante sua campanha, cerimônia menos light e de difícil digestão.

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Em São Paulo, 15 de Outubro de 2010



Os múltiplos tentáculos do Estado

O Liberalismo Clássico defende o Estado Mínimo, que só cuidaria da segurança interna (função policial), da segurança externa (função militar), da elaboração de normas, severamente circunscritas por uma Carta Magna que limita o poder de legislar (função legislativa), e da administração da justiça (função judicial). A primeira e a segunda funções estão relacionadas, e a terceira e a quarta, também. Nada de Estado do Bem Estar, de Estado Rede de Segurança (Safety Net), de Estado Social.

Quando o Estado acha que não tem limites, acontece o que ouvi relatado no Jornal da CBN do Heródoto Barbeiro, hoje cedo. Há várias cidades brasileiras que hoje já possuem toques de recolher para os jovens. Pelo menos uma delas está instituindo um sistema mediante o qual, quando um aluno da escola alcança uma média de 20% de faltas (o limite permitido por lei é 25%), um dos pais terá de frequentar as aulas com o filho, para garantir que ele não vai ultrapassar o teto de 25%.

(Os instituidores dessas medidas não querem saber se os pais podem ou não acompanhar os filhos (pode ser que ambos trabalhem), se haverá lugar nas escolas para acomodar os pais, se o constrangimento causado aos estudantes não será pior, do ponto de vista psicológico, do que o gazeteamento, etc.)

A iniciativa dessas medidas vem do Ministério Público, do Conselho Tutelar e outros bichos, que se tornaram tentáculos do Estado que controlam a vida das pessoas, que deveria ser livre dessas interferências. 

Se não forem contidas, medidas como essas, que atendem à febre legisferante ou normatizante do Estado, se estenderão como praga. E daqui a pouco nem adulto poderá sair de casa quando quiser sem um salvo conduto de algum órgão estatal.

Em São Caetano do Sul, 14 de Outubro de 2010

Ignorância

Li nos comentários a um blog no UOL o seguinte:

“Que pena que a maioria das pessoas não tem a mínima noção do que está acontecendo no país. . . . Os ricos não querem que os pobres tenham acesso a pequenas coisas que eles [ricos] sempre tiveram, um pacote de biscoito ou um copo de requeijão, imaginem então uma faculdade particular, isso já é demais, né?”

Quem diz uma besteira dessas não para para se perguntar por que os ricos não iriam querer que os pobres tivessem acesso a essas pequenas coisas como biscoitos e requeijão, para não falar em faculdades particulares… Os ricos, afinal, são donos de fábricas de biscoitos e requeijão e de faculdades particulares. Por que não iriam querer que os pobres não tivessem acesso aos bens que fabricam ou aos serviços que prestam??? Muitos ricos se especializam em fornecer bens e serviços para os mais pobres.

Será que quem diz um contra-senso assim não pensa no fato de que não são os pobres que produzem esses bens e serviços, e que os pobres só têm acesso a essas coisas porque os ricos as disponibilizam para eles (mediante pagamento, naturalmente)? 

Em São Paulo, 13 de Outubro de 2010


As explicações da Microsoft sobre o fim do Live Spaces

Recebi ontem, 12/10/2010, a seguinte mensagem da Microsoft Brasil:

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Prezado(a) usuário do Windows Live Spaces,

Ocorrerão importantes alterações na sua conta do Spaces, que o afetam e exigirão que você escolha a opção que lhe seja mais apropriada. É com muito entusiasmo que anunciamos nossa parceria com um serviço de blog importante e inovador, o WordPress.com, a fim de oferecer a você uma experiência de blog atualizada.

Ajudaremos você a migrar seu blog atual do Windows Live Spaces para o WordPress.com ou baixá-lo para uso posterior. É importante lembrar que em 16 de março de 2011, seu blog atual será encerrado.

Com a nova versão dos serviços do Windows Live, fizemos uma série de alterações e aperfeiçoamentos em nossos produtos. Optamos por estabelecer uma parceria para oferecer aos nossos usuários uma solução de blog fantástica. Entretanto, sabemos que as alterações terão impacto para você. A finalidade deste email é abordar todas as suas possíveis preocupações.

Por que isto está acontecendo?

Nossos clientes solicitaram mais funcionalidades de blog, como um sistema integrado de estatísticas, salvamento contínuo de rascunhos e melhorias na tecnologia de combate a spam. Para fornecer a melhor experiência possível de blog, estamos colaborando com o WordPress.com para oferecer o serviço gratuito deles a você. Para quem já tem um blog no Windows Live Spaces, tornaremos mais fáceis as etapas iniciais, ajudando também na migração do conteúdo já criado no Spaces.

Qual é o prazo?

A partir do final de setembro de 2010, quando você acessar seu Windows Live Spaces, terá a oportunidade de atualizar o blog migrando-o para o WordPress.com e baixar o conteúdo para uso posterior.

A partir de 4 de janeiro de 2011, você não poderá mais fazer alterações no seu blog do Spaces, mas continuará podendo consultar postagens anteriores, baixar conteúdo para uso posterior e atualizar o blog para o WordPress.com.

Em 16 de março de 2011, o Windows Live Spaces será descontinuado e você não poderá acessar nem migrar seu blog no Spaces.

O que você precisa fazer antes do encerramento do Windows Live Spaces

A partir do final de setembro, quando você visitar seu blog, terá as seguintes opções:

Atualizar seu blog migrando para o WordPress.com – Ofereceremos uma maneira simples de migrar as postagens e os comentários do seu blog para o WordPress.com.

Baixar seu blog – Você poderá baixar as postagens antigas para manter uma cópia em seu computador e depois migrar para o WordPress.com.

Excluir seu blog – Você terá a opção de excluir o blog permanentemente caso decida que não precisa mais dele. Se quiser salvar o conteúdo, faça isso antes da exclusão.

Se você não consegue decidir, não se precipite – Durante mais alguns meses, você continuará podendo acessar o Windows Live Spaces enquanto toma uma decisão. Mas estamos muito empolgados com o que você poderá fazer no WordPress.com e esperamos que decida aproveitar essa experiência de blog aprimorada.

Observação: alguns conteúdos como gadgets, páginas de recados, listas, notas e rascunhos de postagens não serão migrados. Consulte as Perguntas frequentes para obter mais informações sobre como preservar esse tipo de conteúdo.

Vá para o seu blog do Spaces para escolher a opção mais adequada para você.

O que você pode esperar da migração para o WordPress.com:

As postagens, os comentários e os links existentes no seu espaço serão transferidos, e você terá a opção de compartilhar as atualizações no blog com seus amigos do Messenger.

No WordPress.com, você terá ferramentas que ajudarão a controlar seu blog e seus visitantes. Você receberá uma marcação que permite que as pessoas o encontrem e que você encontre pessoas com ideias afins. Isso inclui uma excelente funcionalidade de comentário de blog e prevenção de spam de trackback, para ajudar a manter sua experiência livre de problemas. Confira mais informações (A página está em inglês).

Agradecemos por usar o Windows Live e esperamos que você aproveite a nova experiência de blog.

Atenciosamente,

Equipe do Windows Live

Perguntas Frequentes

P: O que é o WordPress.com?

R: O WordPress.com é um site de blog gratuito, semelhante ao Windows Live Spaces. No WordPress.com, você encontrará ótimos temas e widgets para personalizar sua experiência, além de ferramentas para ajudá-lo a controlar seu blog e quem o está visitando. Você receberá uma marcação que permite que as pessoas o encontrem e que você encontre pessoas com ideias afins. Isso inclui uma excelente funcionalidade de comentário de blog e prevenção de spam de trackback para ajudar a manter sua experiência livre de problemas.

P: O que acontece com o conteúdo do meu Windows Live Spaces e o que posso migrar?

R: Veja a seguir uma lista das diferentes funcionalidades disponíveis atualmente no Windows Live Spaces e o que você pode esperar:

Blogs e comentários: se você optar por migrar ou baixar, o conteúdo do seu blog (incluindo fotos, vídeos e comentários inseridos) acompanhará você.

Fotos: as fotos que não fazem parte do seu blog, mas pertencem ao Windows Live, permanecerão ativas no SkyDrive e, se você quiser, poderão ser compartilhadas com outras pessoas. As que fazem parte do seu blog serão migradas caso você opte por migrar o blog. Não será migrado nenhum módulo fornecido por outros serviços no qual suas fotos estejam compartilhadas.

Os visitantes saberão onde encontrá-lo: se você migrar, os links existentes para o seu blog e para artigos específicos continuarão funcionando e os visitantes serão redirecionados para o seu novo blog no WordPress.com. Você também poderá manter seus amigos atualizados com as postagens mais recentes no Windows Live Messenger.

Blogs particulares: se você tiver um blog particular, ele será marcado dessa forma, a menos que você escolha outra opção durante a migração. Você poderá compartilhá-lo com seus amigos do Windows Live Messenger ou simplesmente selecionar algumas pessoas para serem convidadas para o WordPress.com.

Gadgets, páginas de recados, listas, notas e rascunhos de postagens: infelizmente, este tipo de conteúdo não pode ser migrado. Considere a possibilidade de publicar seus rascunhos de postagens nos próximos meses e mover o conteúdo existente em listas e notas para o seu blog antes de
migrar.

Módulos Perfil e Contatos: estas informações permanecem no Windows Live. Você poderá adicionar seu novo blog ao seu Perfil e compartilhá-los com os amigos.

P: O que posso esperar entre o momento atual e a data em que o Windows Live Spaces será encerrado?

R: A partir do final de setembro de 2010, quando você visitar seu blog, terá a oportunidade de atualizá-lo migrando-o para o WordPress.com e baixar o conteúdo para uso posterior. Seu blog continuará disponível para publicação. A partir de 4 de janeiro de 2011, você não poderá mais fazer alterações no seu blog do Windows Live Spaces, mas poderá consultar postagens anteriores, baixar conteúdo para uso posterior e atualizar o blog para o WordPress.com. Em 16 de março de 2011, o Windows Live Spaces será descontinuado e você não poderá acessar nem migrar seu blog.

P: Onde posso obter mais informações?

R: Você é pai de uma criança que usa o Windows Live Spaces? Tem um blog particular? Você usa o Writer para publicar no Windows Live Spaces? Tem outras perguntas? Visite nossa Central de Ajuda para obter mais informações e conhecer outros recursos.

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Em São Paulo, 13 de Outubro de 2010. 

O Comentário de Guilherme Ribeiro

[O Segundo Comentário ao meu post “O Povo Unido…”, neste blog Liberal Space, e minha resposta.]]

Guilherme Wagner Ribeiro disse, em comentário ao post “O povo unido…” (e, presumo, à minha resposta a um comentário anterior no post “O comentário do Balbino”):

—-Início da Transcrição—–

Prof. Eduardo, Mas, quem é, para o Rubem, o povo? Há uma noção preconceituosa de povo no texto, de quem queima instrumentos musicais. Por que não reconhecer também que é o povo quem os toca, os inventa. E não há espaço para gostos como Bach na noção de povo? Por que não? O povo que eu amo é uma realidade, que tem esperança e que pode aprender a respeitar os direitos humanos.

Um abraço,

Guilherme.

—-Fim da Transcrição e Comentário Meu—–

Concordo com você, Guilherme, que o artigo do Rubem Alves evidencia um certo tom preconceituoso – talvez elitista fosse um melhor termo para descrevê-lo. Há um certo sentido do termo em que todos somos povo, não é verdade? Quando os Presidentes da República à moda antiga diziam “Povo Brasileiro” todos nós estávamos incluídos. A dicotomia ali era entre o governo e o povo, entre os que governam e os que são governados. O Rubem Alves, você, eu, todos somos povo nesse sentido.

Mas a palavra “povo” tem outros sentidos. Em um deles, o povo se contrapõe não só ao governo (elite política), mas também às elites econômicas e principalmente culturais. Lulla, por exemplo, é, hoje, elite política e elite econômica (está, pelo que consta, podre de rico). Mas culturalmente é povo, nesse sentido, apesar de presidente (por enquanto) e rico. FHC, quando presidente, era membro das três elites: política, econômica e cultural. A elite, quando usa o termo “povo” nesse sentido, geralmente reflete um certo preconceito – o mesmo preconceito que o povo demonstra quando fala das elites. O próprio Lulla, que é elite em vários sentidos, menos o cultural, tem preconceito ao falar da elite cultural. Ele tende a achar que aquela cultura que ele não tem, e que a elite cultural exibe, é perfeitamente dispensável e sem valor. É como se dissesse: “Vejam até onde eu cheguei sem a cultura que a elite cultural exibe”. Dá um péssimo exemplo para os alunos de nossas escolas. Não resta dúvida de que todos nós temos nossos gostos e preferências, em especial no tocante à forma de viver e à arte.

O Rubem confessa alguns dos seus gostos e preferências: “Tenho vários gostos que não são populares [populares = do povo]. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos [de elite]. Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol.”

Eu pertenço à mesma classe social do Rubem e tenho nível cultural equivalente. Gosto de Bach e de Brahms, mas não acho muita graça em Fernando Pessoa, Nietzsche e Saramago. Como ele, gosto muito de silêncio – detesto barulho, zoeira. Gosto de churrasco (i.e., da carne) em determinados lugares (Baby Beef, por exemplo), mas detesto churrascarias (mesmo as mais chiques, como Fogo de Chão) e apenas suporto esses eventos familiares (amigos incluídos) também denominados de churrascos (melhor seria denominá-los churrascadas). Não gosto de concertos de rock, mas gosto de alguns tipos mais soft ou light de músicas denominadas rock. Gosto de alguns tipos de música sertaneja (mas não de ir aos shows) e gosto de futebol (mas não gosto muito de ir a campo de futebol, embora vá, quando o glorioso SPFC está disputando um título). A razão principal pela qual não gosto de concertos de rock, shows de música sertaneja, e jogos de futebol está no fato de que geralmente são grandes agrupamentos de gente (de povo?).

Concordo com o Rubem que: “Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.”

E concordo ainda mais com ele quando diz: “Somente os indivíduos pensam”.

Grupos não pensam. Podemos nos beneficiar, e de fato nos beneficiamos o tempo todo, do pensamento de outros indivíduos. Acho que é até possível falar, como o faz Pierre Lévy, em “Inteligência Coletiva”. A Inteligência Coletiva é o produto das inteligências individuais em interação. Mas somente indivíduos pensam. O povo não pensa. Em grandes ajuntamentos, como os que se fazem à porta das delegacias e dos tribunais, quando os Nardonis e o Bruno (goleiro do Flamento) vão dar depoimento ou ser julgados, se alguém gritar “Lincha”, o povo enfrenta a polícia, arrebenta as portas, e tenta linchar os acusados. Torcidas uniformizadas cometem as maiores atrocidades contra o “inimigo”. Matam torcedores indefesos que estejam com o uniforme do outro time. Num jogo de futebol, inflamado pelo espírito de grupo, um jogador pode quebrar a perna de outro que, fora do campo, era seu amigo…

O resultado desses fatos – que me parecem inegáveis – é que um bom orador, que fala a linguagem do povo, como Hitler, na Alemanha, nos anos 30 e 40 do século passado, e Lulla, no Brasil, hoje, consegue manipular o povo e fazer com que o povo faça o que sugere, sem pensar… Se Mao Zedong mandava queimar violinos, porque eram instrumentos favorecidos pela elite, o povo fazia isso – como, hoje e aqui, quebra os trens e queima os ônibus que vão lhes fazer falta no dia seguinte, se uma liderança emergencial grita “Quebra!” Se o Lulla manda votar na Dilma, o povo vota. Sem pensar. O ditador Getúlio Vargas, através de sua poderosa assessoria de comunicação, se rotulou “Pai dos Pobres”. A propaganda da Dilma sugere que Lulla é pai, e Dilma seria a mãe, do Brasil…

Isso é tentativa clara de manipular o povo. Os argentinos tinham um pai em Perón e uma mãe em Evita. Aceitaram até a Isabelita como uma segunda mãe… O Kirchner conseguiu eleger a Christina. O Roriz está tentando eleger a Wesleian. Tudo por quê? Porque o povo não pensa… É preciso muito esforço para “despertar a consciência” do povo (para usar a expressão que o Balbino usou no primeiro comentário). Mas alguma coisa aconteceu nos dias que antecederam ao primeiro turno das eleições que levaram o povo a parar e pensar: “Epa, acho que é bom ganhar um tempo mais para pensar, para ver e ouvir novos debates, para conversar…” O resultado? Um Lulla irado, que sumiu por três dias, e que deixou sua “mulher” com cara inchada de choro explicar por que não havia ganho a eleição no primeiro turno… Os analistas não sabem se foi a corrupção deslavada na Casa Civil, ou o aborto… ou aquela sensação indigesta que a gente às vezes tem de que estão nos enrolando, estão tentando enfiar alguma coisa goela abaixo que tem um gosto meio ruim… Sei que estou mexendo em vespeiro, mas é isso aí.

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Publicado em São Paulo, 11 de outubro de 2010, no meu blog Liberal Space.

O Comentário de Jaime Balbino

[O Primeiro Comentário ao meu post “O Povo Unido…, neste blog Liberal Space, e minha resposta]

Jaime Balbino respondeu à minha transcrição de um artigo antigo do Rubem Alves dizendo:

—-Início da Transcrição—–

Lamento Chaves, mas são textos assim que me fazem gostar cada vez menos de Rubem Alvez [sic]. Que aliás foi meu professor. [Balbino deve ter sido mau aluno: não aprendeu a escrever o sobrenome do professor…] Por exemplo, dizer que “o nazismo era um movimento popular” é de uma simplicidade retórica infantil que só se justifica em um texto raso, feito para a massa menos crítica que “se deixa levar pelos produtores de imagens”, como ele próprio admite em seu texto. É desse jeito que o Prof. Rubens [sic] quer despertar consicência? [O primeiro nome do homem é RubeM.] Fosse para realmente discutir democracia poderia o autor questionar para que 10 Leis se lhes foi dado o Livre Arbítrio, a esse povo judeu tão desobediente (lembrando que o Deus do 1o Testamento é só deles). Discurso fácil para justificar a máxima de Pelé: “Brasileiro não sabe votar”. Então que volte a ditadura. E que essa próxima seja mais teológica.

Abraço. 

Balbino.

—-Fim da Transcrição e Comentário Meu—–

Não tenho procuração para defender o Rubem, nem ele precisa de defensores, sendo mais do que capaz de defender a si próprio. Mas acho que ele merece uma defesa minha, porque o ataque a ele foi feito no meu blog e ele dificilmente lerá o comentário feito aqui. O objeto do medo do Rubem é um slogan, uma palavra de ordem: “O povo unido jamais será vencido”. Por que o Rubem tem medo desse slogan? Porque o Rubem é uma minoria: um intelectual de gostos refinados, que, em regra, não encontram guarida no povo. Se o povo, unido, jamais será vencido, e o povo se unir para proibir as minorias de fruir daquilo que lhes dá satisfação, e as obrigar a participar daquilo que ele, povo, gosta, e elas, as minorias, não, então o Rubem está perdido – a menos que…

Tem razão, portanto, o Rubem de temer o slogan. O Rubem nos diz que ele gosta, por exemplo, de “Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio” e não gosta de “churrasco, de rock, de música sertaneja, de futebol” – e, posso acrescentar, de Carnaval e outras coisas barulhentas e que se desfrutam em grandes multidões… Se alguém com grande poder persuasório ou força política resolver unir o povo contra indivíduos com gostos como os do Rubem, e esse povo não puder ser vencido, esses indivíduos não têm saída, estão perdidos… – a menos que…

Usei duas vezes a expressão “a menos que…” A menos que o quê? A menos que o Rubem e outras minorias como ele vivam em uma democracia liberal que possua uma constituição com cláusulas pétreas, imutáveis, que nenhuma lei possa violar, suspender, limitar ou restringir, garantindo direitos e liberdades individuais básicos para todos, e deixando claro que esses direitos e liberdades não poderão ser violados nem mesmo por uma lei que tenha o apoio de todo o povo, unido, menos uma pessoa. Esses direitos e liberdades não podem ser violados nem mesmo pela Suprema Corte (Supremo Tribunal Federal), cuja obrigação primeira é fazer com que sejam respeitados por todos, inclusive por ela, a Corte, e cada um de seus membros.

São estes os direitos e liberdades em questão:

• o direito sobre a própria pessoa e sua integridade e segurança, que inclui o direito de dispor sobre a própria pessoa e o próprio corpo de qualquer forma, inclusive pondo fim à própria vida ou vendendo-se como escravo;

• a liberdade de expressar sem qualquer restrição o que pensam (respondendo, a posteriori, pelo que disserem, quando houver calúnia, injúria e difamação);

• a liberdade de ir e vir sem restrição ou coação, dentro do território, para fora dele ou de volta para ele;

• a liberdade de se associar com quem quiserem e de não se associar com quem não quiserem, de forma tácita ou através de contratos explícitos;

• a liberdade de trabalhar no que desejarem e de fazer o que quiserem com o fruto desse trabalho;

• a liberdade de buscar a felicidade como houverem por bem (desde que direitos e liberdades de terceiros não sejam violados), ainda que isso implique viver, expressar-se e agir de forma inusitada, incomum, exótica e impopular.

O povo unido pode, sim, ser vencido. É a lei que impede o povo, ainda que unido, de vencer, quando a ação do povo se volta contra os direitos e as liberdades das minorias. Numa democracia liberal fundada nos direitos e nas liberdades individuais, a lei impede o povo até mesmo de linchar um criminoso, ainda que este tenha sido pego ou preso em flagrante delito.

Quanto aos pontos secundários. Não há dúvida de que muitas pessoas não sabem votar. Caso prova fosse necessária, os votos dados ao Tiririca e a muitos fichas-sujas (por corrupção e roubalheira, especialmente, na última eleição, são prova disso. Mas isso não quer dizer que essas pessoas não tenham o direito de votar – SE os direitos e as liberdades das minorias estiverem devidamente resguardados. (Sou a favor de que ninguém tenha a obrigação ou o dever de votar – só o direito).

Assim, o Rubem não está propondo ditadura, militar ou civil, secular ou religiosa, para protegê-lo do povo, unido ou desunido. Está, simplesmente, defendendo seus direitos de minoria – algo que não é feito em ditaduras, mas, sim, em democracias liberais constitucionais fundadas em cima da inalienabilidade e inviolabilidade dos direitos e das liberdades básicas de cada um e de todos.

Por fim, o Nazismo era um movimento político popular, sim, não no sentido que tenha se originado no povo (embora até aqui seja possível argumentar) mas porque, a partir de um determinado momento, contou com enorme apoio popular. O povo delirava com os discursos de Hitler.

O perigo das ditaduras, ainda que originadas em voto democrático, está em que elas normalmente abolem as garantias dos direitos e das liberdades individuais. Daí podem agir sem maiores restrições. E a primeira liberdade que as ditaduras em geral abolem é a liberdade de expressão, em especial a liberdade de imprensa e das demais mídias. É por isso que todo ditador (ou aprendiz de ditador) dá prioridade a medidas que restringem a atuação da imprensa e das demais mídias, tentando-as subordiná-las ao controle do governo (controle esse eufemisticamente designado de “controle social”, o processo sendo chamado de “democratização da mídia”). Hitler fez isso. Chavez está fazendo isso. Os irmãos Castro sempre fizeram isso. A Coréia do Norte faz isso. A China continua a controlar a Internet e as demais mídias. Nossos aprendizes de ditadores aqui estão tentando controlar as mídias o tempo todo.

No caso do Nazismo, o resultado da eliminação das garantias aos direitos e liberdades das minorias foi o assassinato de cerca de seis milhões de Judeus e a morte de muitas outras pessoas. Não nos esqueçamos de que os Judeus eram uma minoria na Alemanha.

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Publicado em São Paulo, 10 de Outubro de 2010 (10 de 10 de 10), no meu blog Liberal Space.

“O Povo”

Um artigo antigo do Rubem Alves, para que a gente reflita, nesses tempos de demagogia.
 
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O Povo
 
Rubem Alves
 
“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece” (Friedrich Nietzsche).
 
É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega:
 
“Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos”.
 
Tardiamente: na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre o que me calei: “O povo unido jamais será vencido”, é disso que eu tenho medo.
 
Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo” tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo. Não sei se foi bom negócio…
 
O fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere. A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.
 
E há também a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou. Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos. E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre.” Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus: Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
 
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga.
 
Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
 
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O Homem Moral e a Sociedade Imoral, observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis” por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
 
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem apenas quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras… O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade.
 
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás (para ser libertado). Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos e matava cãezinhos a pauladas na rua, em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar… O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o seu Führer.
 
O povo, unido, jamais será vencido!
 
Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos. Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol. Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno”, à semelhança do que aconteceu na China.
 
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção.” Isso é tarefa para artistas e educadores.
 
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.
 
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Publicado em São Paulo, 9 de Outubro de 2010, no meu blog Liberal Space.

 

A greve dos que sustentam o mundo nas costas

Transcrevo abaixo artigo meu publicado na Folha de S. Paulo de hoje, na seção Cifras & Letras.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0910201005.htm

Cifras & Letras

CRÍTICA – LIBERALISMO

Ayn Rand ataca socialismo mostrando greve de patrões

Livro formou economistas como Alan Greenspan, ex-presidente do Fed

EDUARDO CHAVES

Especial para a Folha

A Bíblia do pensamento liberal na segunda metade do século não é um livro de economia ou de filosofia política: é um romance.

“Atlas Shrugged”, a clássica defesa da liberdade, do individualismo e do capitalismo escrita por Ayn Rand (1905-81), romancista e filósofa russo-americana, acaba de ganhar nova edição em português, com novo título: “A Revolta de Atlas”.

A edição anterior, publicada em 1987, e há muito esgotada, tinha o título de “Quem é John Galt?”. A tradução é a mesma, mas foi editada e revisada pela editora Sextante.

Com 1.232 páginas na presente edição, o livro tem um enredo extremamente complexo e bem elaborado, que não é possível resumir aqui.

No entanto, uma descrição, ainda que breve, do tema escolhido por Rand dá ideia da dimensão da obra.

Originalmente publicada em 1957, a história se passa nos Estados Unidos, numa época futura em que o país, seguindo o exemplo de países europeus e latino-americanos, caminha para o socialismo e resolve regular e assim controlar sua economia.

GREVE DOS CHEFES

O livro descreve o que acontece quando aqueles que (como Atlas) sustentam o mundo nas costas resolvem fazer greve, sacudindo o mundo dos ombros e deixando que literalmente se dane.

“Vamos ver o que acontece ao mundo quando quem faz greve contra quem” é frase (retirada do livro) que resume o tema da obra.

Entrando em greve, empresários americanos começam a desaparecer, abandonando suas empresas nas mãos de reguladores e controladores estatais. Grandes filósofos, cientistas e artistas também desaparecem, abandonando seus empreendimentos.

O lado otimista da história é que o Estado pode confiscar empresas e outros empreendimentos, mas não consegue obrigar empresários e outros empreendedores a lhe arrendar suas mentes, sua criatividade, sua competência, seu trabalho.

O Estado, portanto, que fique com os empreendimentos, decidem seus proprietários na história. Mas eles não colocam mais suas mentes a serviço da sustentação de um mundo onde esse tipo de confisco pode acontecer.

(Na realidade, o que deixam para o Estado espoliador não passa da carcaça de empresas e empreendimentos cuja alma eles levaram consigo.)

CAOS

A história narra nos mínimos detalhes o caos que resulta dessa inusitada greve em que aqueles que normalmente são vítimas das greves, os empreendedores, retiram do mercado sua mente e seu trabalho, e, no processo, deixam o mundo sem bens, sem serviços, sem empregos.

Quando Atlas faz greve, o mundo literalmente desmorona (mais ou menos como aconteceu com o mundo comunista em 1989).

Ao final da história, quando as luzes do velho mundo se apagam, simbolizando a derrocada que lhe sobrevém quando Atlas deixa de sustentá-lo, a porta está aberta para a construção de um mundo novo: a greve termina e Atlas está pronto para reassumir seu lugar.

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EDUARDO CHAVES foi professor de filosofia da Universidade Estadual de Campinas e, depois de aposentado, leciona filosofia da educação no Centro Universitário Salesiano de Americana, SP.

A REVOLTA DE ATLAS
AUTORA Ayn Rand
TRADUÇÃO Paulo Henriques Britto
EDITORA Sextante
QUANTO R$ 69,90 (1.232 págs.)

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Em São Paulo, 9 de Outubro de 2010

All Nobel Prizes in Literature

The Nobel Prize in Literature has been awarded 102 times to 106 Nobel Laureates between 1901 and 2009.

2010

Mario Vargas Llosa (announced today, Oct 7, 2010)

2009
Herta Müller

2008
Jean-Marie Gustave Le Clézio

2007
Doris Lessing

2006
Orhan Pamuk

2005
Harold Pinter

2004
Elfriede Jelinek

2003
John M. Coetzee

2002
Imre Kertész

2001
Sir Vidiadhar Surajprasad Naipaul

2000
Gao Xingjian

1999
Günter Grass

1998
José Saramago (Portuguese)

1997
Dario Fo

1996
Wislawa Szymborska

1995
Seamus Heaney

1994
Kenzaburo Oe

1993
Toni Morrison

1992
Derek Walcott

1991
Nadine Gordimer

1990
Octavio Paz (Mexican)

1989 
Camilo José Cela (Spanish)

1988
Naguib Mahfouz

1987
Joseph Brodsky

1986
Wole Soyinka

1985
Claude Simon

1984
Jaroslav Seifert

1983
William Golding

1982
Gabriel García Márquez (Colombian)

1981
Elias Canetti

1980
Czeslaw Milosz

1979
Odysseus Elytis

1978
Isaac Bashevis Singer

1977
Vicente Aleixandre (Spanish)

1976
Saul Bellow

1975
Eugenio Montale

1974
Eyvind Johnson, Harry Martinson

1973
Patrick White

1972
Heinrich Böll

1971
Pablo Neruda (Chilean)

1970
Aleksandr Isayevich Solzhenitsyn

1969
Samuel Beckett

1968
Yasunari Kawabata

1967
Miguel Angel Asturias (Guatemalan)

1966
Shmuel Yosef Agnon, Nelly Sachs

1965
Mikhail Aleksandrovich Sholokhov

1964
Jean-Paul Sartre

1963
Giorgos Seferis

1962
John Steinbeck

1961
Ivo Andric

1960
Saint-John Perse

1959
Salvatore Quasimodo

1958
Boris Leonidovich Pasternak

1957
Albert Camus

1956
Juan Ramón Jiménez

1955
Halldór Kiljan Laxness

1954
Ernest Miller Hemingway

1953
Sir Winston Leonard Spencer Churchill

1952
François Mauriac

1951
Pär Fabian Lagerkvist

1950
Earl (Bertrand Arthur William) Russell

1949
William Faulkner

1948
Thomas Stearns Eliot

1947
André Paul Guillaume Gide

1946
Hermann Hesse

1945
Gabriela Mistral (Chilean)

1944
Johannes Vilhelm Jensen

1943
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1942
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1941
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1940
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1939
Frans Eemil Sillanpää

1938
Pearl Buck

1937
Roger Martin du Gard

1936
Eugene Gladstone O’Neill

1935
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1934
Luigi Pirandello

1933
Ivan Alekseyevich Bunin

1932
John Galsworthy

1931
Erik Axel Karlfeldt

1930
Sinclair Lewis

1929
Thomas Mann

1928
Sigrid Undset

1927
Henri Bergson

1926
Grazia Deledda

1925
George Bernard Shaw

1924
Wladyslaw Stanislaw Reymont

1923
William Butler Yeats

1922
Jacinto Benavente

1921
Anatole France

1920
Knut Pedersen Hamsun

1919
Carl Friedrich Georg Spitteler

1918
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was allocated to the Special Fund of this prize section.

1917
Karl Adolph Gjellerup, Henrik Pontoppidan

1916
Carl Gustaf Verner von Heidenstam

1915
Romain Rolland

1914
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was allocated to the Special Fund of this prize section.

1913
Rabindranath Tagore

1912
Gerhart Johann Robert Hauptmann

1911
Count Maurice (Mooris) Polidore Marie Bernhard Maeterlinck

1910
Paul Johann Ludwig Heyse

1909
Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf

1908
Rudolf Christoph Eucken

1907
Rudyard Kipling

1906
Giosuè Carducci

1905
Henryk Sienkiewicz

1904
Frédéric Mistral, José Echegaray y Eizaguirre

1903
Bjørnstjerne Martinus Bjørnson

1902
Christian Matthias Theodor Mommsen

1901
Sully Prudhomme

TO CITE THIS PAGE:

MLA style: "All Nobel Prizes in Literature". Nobelprize.org. 7 Oct 2010 http://nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/

Em São Paulo, 7 de Outubro de 2010