Press Release de 15/3/2000 do Programa “Sua Escola a 2000 por Hora”

Fuçando na Internet achei uma relíquia… O Press Release, de 15/3/2000 (vai fazer onze anos), do Programa “Sua Escola a 2000 por Hora”, do Instituto Ayrton Senna, da Microsoft Brasil e da Gateway Brasil, criado em Junho de 1999.

Tive o privilégio de ser membro do Comitê Diretor inicial desse programa, e, depois da saída de Lea Fagundes e de Carlos Eduardo “Castor” de Oliveira, de ser seu único consultor, até Dezembro de 2006.

O programa continua até hoje, mas com nome diferente: Escola Conectada (http://www.educacaoetecnologia.org.br/escolaconectada/).

Transcrevo a seguir o Press Release, que anuncia o resultado do primeiro concurso, feito em 1999. O resultado foi anunciado em 15/3/2000.

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São Paulo, quarta-feira, 15 de março de 2000

Instituto Ayrton Senna, Microsoft e Gateway anunciam vencedores do concurso “Sua Escola a 2000 por hora”

São Paulo, 15 de março de 2000

Mais de R$ 2 milhões foram investidos na premiação, que inclui 20 laboratórios de informática e acompanhamento pedagógico com grandes especialistas em educação.

A Microsoft Brasil, o Instituto Ayrton Senna e a Gateway anunciaram hoje os ganhadores da promoção “Sua Escola a 2000 por hora”, lançada em outubro do ano passado. Foram premiadas as 20 iniciativas mais criativas de uso da tecnologia relacionadas às novas formas de ensino e aprendizagem nas escolas de ensino médio e fundamental dos Estados de São Paulo, Ceará, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal.

“Hoje comemoramos uma vitória em nossa história. Estamos conseguindo transformar a realidade de muitos jovens que não teriam acesso às novas tecnologias que estão surgindo, estimulando também a participação da comunidade e o desenvolvimento do conceito de cidadania”, diz Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna.

Os 20 projetos escolhidos (veja texto em anexo) abordaram áreas como saúde, cultura, meio ambiente e desenvolvimento comunitário. Todos estão, de alguma maneira, relacionados à cidadania. Em Fortaleza (CE), por exemplo, há um projeto que informará a comunidade do bairro José Walter sobre o tema da auto-medicação. Em Mauriti, pequeno município cearense localizado na fronteira com Paraíba e Pernambuco – região extremamente afetada pelas secas -, haverá um programa para o desenvolvimento de pesquisas na área de irrigação, acompanhando e desenvolvendo trabalhos relacionados a
esse escopo no Brasil e no exterior.

Há dois trabalhos que incentivam a formação de uma rede para estudantes portadores de deficiência auditiva, um no Rio Grande do Sul e outro no Distrito Federal. No Ceará, o “GP da Cidadania” pretende colocar a escola como atrativo para que os responsáveis pelos alunos vislumbrem a possibilidade de transformação social, diminuindo a distância entre pais e filhos. Na cidade de Crato, no mesmo Estado, Outro projeto abordará – através de um site desenvolvido pelos alunos – problemas como saneamento básico, controle de natalidade, desemprego, baixos salários, entre outros.

Em Porto Alegre, o projeto “A informática informando, formando e transformando a educação” analisará temas como lixo seletivo, aditivos químicos em alimentos e seus efeitos colaterais, petróleo e carvão fabricando energia, entre outros. Em Nova Prata, também no Rio Grande do Sul, haverá uma séria de trabalhos mostrando a importância da água. Alguns estudos irão comparar o consumo na escola e residência de alunos, mapear os países que mais sofrem com a falta de água, localização de maiores mananciais, todos através de um site na Internet.

Semana de imersão em tecnologia educacional

Cada projeto está sendo aprimorado através da semana de imersão em tecnologia educacional. De 13 a 17 de março, os representantes das escolas estão envolvidos em cursos, visitas, palestras e debates focados em tecnologia e educação realizados em São Paulo.

Ministrado por uma equipe multidisciplinar que dá suporte no processo de implantação das iniciativas, o treinamento recebe orientação de renomados especialistas em educação no Brasil, para trabalhar em cima dos projetos, bem como para conhecer o que há de mais inovador nessa área. O professor Eduardo Chaves, por exemplo, possui PhD pela Universidade de Pittsburgh (EUA) e é professor titular de Filosofia da Educação da Unicamp. Já Lea Fagundes, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tem formação em pedagogia e psicologia.

As escolas receberão, cada uma, um laboratório de informática para o desenvolvimento de seus projetos. A aliança entre a Microsoft, o Instituto Ayrton Senna e a Gateway conta com investimentos de R$ 2 milhões no fornecimento de hardware, software, consultoria técnica, laboratórios de informática e apoio pedagógico. “O retorno foi fantástico. De todas os convites enviados às escolas participantes, tivemos um retorno de mais de 1.100 projetos”, afirma Luiz Sette, diretor de relações institucionais da Microsoft Brasil.

Para Paulo Alouche, diretor comercial da Gateway, o resultado confirma a expectativa de um forte interesse da área educacional em tecnologia. “Há dois anos desenvolvemos projetos, produtos e tecnologia própria para educação. Hoje já atingimos mais de dois milhões de alunos no ensino fundamental, muitas universidades e projetos especiais para alunos carentes (como os da USP). A cada experiência aprendemos muito e nos tornamos ainda mais capacitados para contribuir com o nível de educação no Brasil”.

Site ganha novo design

Além da premiação das escolas, as instituições estarão fazendo o lançamento oficial do novo site do concurso. Clicando em http://www.escola2000.org.br [EC: Esse link não funciona mais], o internauta poderá conferir as principais novidades, viabilizando um espaço para troca de informações. “Para isso estamos deixando o site com uma cara nova, muito mais interativo: serão inseridos links para as páginas dos projetos vencedores, livro de visitas, acompanhamento dos projetos que estarão sendo desenvolvidos, entre outras  novidades”, diz Adriana Martinelli, coordenadora do concurso “Sua Escola a 2000 por hora”.

Mesmo com a interface anterior, o site já vinha tendo uma boa audiência. Foram mais de 111 mil hits durante o último mês. Cada hit equivale ao número de vezes em que a página foi acessada. “Foi o mesmo número de acessos que tivemos em nosso portal de games”, afirma Larissa Griska, editora de Web da Microsoft Brasil, fazendo alusão ao portal vertical Game Zone.

Instituto Ayrton Senna

Desde que foi fundado em 1994, o Instituto Ayrton Senna está apoiando projetos que atendem a mais de 180 mil crianças e adolescentes brasileiros em situação de risco pessoal e social. São programas que vão desde nutrição e saúde infantil até educação, profissionalização, esportes e cultura. Tudo isso para dar às crianças e adolescentes uma oportunidade e um começo. Idealizado a partir dos sonhos e ideais de Ayrton Senna e sua paixão por seu país, o Instituto é uma organização sem fins lucrativos, mantida por 100% dos royalties de todos os contratos de imagem do Ayrton, a marca Senna e do personagem Senninha, doados integralmente por sua família.

Microsoft Brasil

A subsidiária brasileira da Microsoft foi inaugurada em setembro de 1989 e ocupa a nona posição entre as 60 filiais da empresa, com faturamento de US$ 313,5 milhões no ano fiscal encerrado em 30 de junho de 1999. Dirigida por Mauro Muratório Not, a icrosoft Brasil possui uma equipe com cerca de 200 profissionais, voltados para o atendimento das necessidades do mercado brasileiro nas áreas de marketing, vendas, distribuição, suporte técnico e consultoria. Além de um escritório central, em São Paulo, a companhia possui filiais no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

Gateway

Microcomputadores e alta tecnologia não são ferramentas apenas para proporcionar negócios entre empresas. Desde o início da indústria de computadores, essas ferramentas também foram direcionadas para educação e a gestão de projetos sociais, causando enormes impactos positivos. A Gateway, segunda maior empresa mundial em vendas diretas, sente-se honrada em participar de um projeto voltado ao desenvolvimento da educação no Brasil. Como em outros países, a Gateway pretende participar ativamente do desenvolvimento tecnológico e social no país.

Lista de Vencedores do prêmio Sua Escola a 2000 por hora

CEARÁ

Centro de Educação de Jovens e Adultos José Walter
Diretor: Manoel Batista dos Santos – Tel: 0XX85 – 291-1019
Cidade: Fortaleza
Título: Saúde Solidária
Projeto: Criação de meios de comunicação, tais como boletins informativos, jornal virtual, sites, cursos e oficinas que informem a comunidade do bairro José Walter sobre saúde e medicamentos. Usarão a informática para coleta de dados da situação da comunidade tendo como foco o problema da auto-medicação e colocando todo o tipo de informações que obtiverem em rede, aproximando pessoas, encontrando e discutindo problemas semelhantes.

Escola de Ensino Básico André Cartaxo
Diretora: Maria Socorro de Oliveira Montenegro – Tel: 0XX88 – 552-1454
Cidade: Mauriti
Título: Educar prá irrigação que a terra tem vocação
Projeto: Visa desenvolver atividades de pesquisa e estudo sobre a seca e as diferentes maneiras de irrigação no Brasil e no mundo. Busca trabalhar com os filhos de agricultores locais (alunos da escola) que sofrem diretamente os efeitos da falta de água.

Escola de Ensino Fundamental e Médio Arquiteto Rogério Fróes
Diretora: Francisca Nunes e Silva – Tel: 0XX85 – 249-2850
Cidade: Fortaleza
Título: GP da Cidadania
Projeto: Colocar a escola como atrativo para que os pais e responsáveis
pelos alunos vislumbrem a possibilidade da transformação social, diminuindo a distância entre pais e filhos. Pretende também criar uma visão crítica dos meios de comunicação, para medir o impacto desses veículos no ambiente familiar e nas condições de aprendizagem do educando.

Escola de Ensino Fundamental e Médio Estado da Bahia
Diretora: Acilana Alencar Leal – Tel: 0XX88 – 521-1829
Cidade: Crato
Título: Educação e Cidadania – Juntas na Construção de uma Sociedade Mais Justa
Projeto: Trata-se de um trabalho de conscientização e engajamento com relação aos problemas que assolam a comunidade (saneamento básico e moradia precários, controle de natalidade, falta de trabalho, salário baixo e inexistência de sentimentos de respeito pelo outro). Através das atividades desenvolvidas pela comunidade escolar (leitura e construção de textos disponíveis em sites, criação de relatórios e informativos, intercâmbio entre estados) pretende-se convencer a comunidade de que se pode transformar a sociedade em que vivem.

Escola de Ensino Fundamental e Médio Raimundo Nogueira
Diretora: Francisca Célia da Silva Barbosa – Tel: 0XX85 – 336-1562
Cidade: Horizonte
Título: O Ceará na Rede
Projeto: Visa criar a oportunidade para que alunos da Escola Pública se integrem e vivenciem as novas tendências educacionais. Os alunos farão um estudo físico, econômico, social e cultural do estado do Ceará comparado com outras regiões do país e do mundo (via Internet e através de viagens pelo estado do Ceará), registrando fotos, filmagens e divulgando seu trabalho.

SÃO PAULO

Escola Estadual Dona Cyrene de Oliveira Laet
Diretora: Romilda Kalil – Tel: 6241-2435
Cidade: São Paulo
Título: As faces da Beleza entre Diferentes Culturas
Projeto: Trabalhar a auto-estima tendo o “belo” e suas diferentes manifestações nas diferentes culturas, como tema gerador.

Escola Estadual José Lins do Rego
Diretora: Marcia Luchesi de Mello Souza – Tel: 0XX11 – 5514-0115
Cidade: São Paulo
Título: Muito Barulho Mas Não Por Nada: O Resgate da Obra de William Shakespeare e sua Relação com o Brasil de Hoje.
Projeto: Visa, a cada bimestre, analisar uma obra de Shakespeare, com estudos e pesquisa sobre a vida do artista na Internet e produção de textos e obra de teatro.

Escola Estadual Odete Maria de Freitas
Diretora: Leonor Maria de Oliveira – Tel: 0XX11 – 7962-4710
Cidade: Embu
Título: As Caras da Adolescência
Projeto: Desenvolvimento de uma página na Internet com divisão de função entre os alunos (pesquisador, técnico de arte, redator, etc…) abordando temas tais como: sexualidade, direitos humanos, cultura, saúde e estudos científicos.

Escola Estadual Prof. Pery Guarany Blackman
Diretora: Maria Bernardete de Castro Lima – Tel: 0XX11 – 7823-1409
Cidade: Itu
Título: Pery e Senna Shopping
Projeto: Criação de um “supermercado pedagógico”, onde cada disciplina abordará um tema relacionado ao sistema capitalista de consumo (produção,
mercado de trabalho, importação, exportação, Mercosul, compra e venda, contexto histórico de alguns produtos, meio ambiente)

Escola Estadual Profa. Alzira Salomão
Diretora: Yurene Aparecida Prates Inoue – Tel: 0XX17 – 261-2133
Cidade: Nova Granada
Título: Escola e Informática do Sonho à Realidade
Projeto: Produção de um jornal, transformando a sala de informática em uma sala de imprensa.

RIO DE JANEIRO

Colégio Estadual Dom Otaviano de Albuquerque
Diretora: Zenilda Auxiliadora Assad – Tel: 0XX24 – 733-3797
Cidade: Campos
Título: Brasil são outros 500…
Projeto: Ensino da história do Brasil a partir do resgate do “eu” (dos alunos), no município, no Brasil e no mundo.

CES Madureira
Diretora: Marcia Monteiro de Araújo – Tel: 0XX21 – 351-6022
Cidade: Rio de Janeiro
Título: 50 Anos de Brasil na Música Popular em Revista Interativa
Projeto: Construir uma Revista Eletrônica (que permite inserir som, imagem, vídeo) que terá como conteúdo os 50 anos mais recentes da história do Brasil, estudados a partir das músicas, jingles, marchinhas carnavalescas e discursos políticos famosos das diferentes épocas da história.

Escola Estadual de Ensino Supletivo Embaixador Dias Carneiro
Diretora: Maria Ricardina Gonçalves Montedo – Tel: 0XX21 – 392-6960
Cidade: Rio de Janeiro
Título: Rede de Doações
Projeto: Se propõe a pesquisar ONGs locais para verificar necessidades, conhecer o trabalho e então construir um site com todas as informações dessas entidades, para facilitar o processo de doações. Este site e toda a estratégia desenvolvida será um modelo para que outras escolas repitam a idéia facilitando o processo de doações para um maior número de entidades.

Escola Municipal Francisco Paes de Carvalho Filho
Diretora: Maranei Pereira Soares – Tel: 0XX24 – 620-3047
Cidade: São Pedro D´Aldeia
Título: Pesque Essa Idéia
Projeto: Valorização e conscientização da pesca artesanal, através da construção de sites, estudos e comparações da pesca de São Pedro da Aldeia com outras regiões pesqueiras no mundo.

RIO GRANDE DO SUL

Colégio de Aplicação – UFRGS
Diretor: Jorge Luiz Day Barreto – Tel: 0XX51 – 316-6980
Cidade: Porto Alegre
Título: Projeto Amora 2000
Projeto: Pretendem constituir um campo de investigação pedagógica para a produção de conhecimentos e metodologias. Por meio de mudanças nas práticas curriculares que incorporem Tecnologias de Informação e Comunicação, buscam o desenvolvimento da autonomia, cooperação e criticidade no aluno através do amplo acesso à informação e da construção do conhecimento.

Escola Estadual de 1º e 2º Grau Prof. Elmano Lauffer
Diretor: João Celeste – Tel: 0XX51 – 344-4666
Cidade: Porto Alegre
Título: A Informática Informando, Formando e Transformando a Educação
Projeto: Realização de pequenos projetos de visitas e análise das informações sobre temas específicos: Lixo Seletivo; Aditivos Químicos em Alimentos e Efeitos Colaterais; Petróleo e Carvão Fabricando Energia; A Língua Portuguesa e a Comunicação; Literatura e História, Sexualidade e DST; Meio Ambiente; A Nova Ordem Mundial de Globalização e os Reflexos Regionais.

Escola Estadual de 1º Grau Onze de Agosto
Diretora: Maria de Fátima Bavaresco – Tel: 0XX54 – 242-1437
Cidade: Nova Prata
Título: A Escola de Olho N’Água
Projeto: Visa destacar aos alunos a importância da água como recurso para todos. Buscará comparar o consumo de água na escola e residência dos alunos e estudar as diferentes maneiras de racionalizar o consumo de água na cidade; trabalhar com a despoluição do Rio Retiro; mapear países que mais sofrem com a falta de água; localização dos maiores mananciais de água no mundo, no país, nos estados e no município; palestras; visitas; elaboração de textos; criação de página na Internet.

Escola Municipal Octávio Lázaro
Diretora: Norma Regina Cairuga – Tel: 0XX51 – 658-1799
Cidade: Charqueadas
Título: DeafNet – Surdez em Rede
Projeto: Criação de uma rede de escolas e de turmas para estudantes portadores de deficiência auditiva, através do computador no Rio Grande do Sul.

DISTRITO FEDERAL

Centro de Ensino 07 de Ceilândia
Contato: Eunice Viana dos Santos – Tel: 0XX61 – 371-3433
Cidade: Ceilândia
Título: CE 07 se liga a 2000 por hora!
Projeto: Direcionar os recursos da informática ao atendimento da questão da surdez, aliado à capacitação profissional e ao envolvimento da comunidade escolar.

Centro de Ensino de 1 Grau 06 de Sobradinho
Diretor: Ronildo Ramos da Silva – Tel: 0XX61 – 591 – 1362
Cidade: Sobradinho
Título: Informática Ativa – Construindo o Conhecimento
Projeto: Usar a informática como instrumento para o estudo das regiões brasileiras. A idéia é resgatar as raízes culturais das diferentes regiões que formam o país, representadas nas comunidades do Distrito Federal.

Imagem do evento disponível no endereço: http://www.s2.com.br/clientes/microsoft/images/escola.jpg
[EC: Esse link não funciona mais]

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Atendimento Microsoft: (11) 822-5764
Para qualquer informação à imprensa contate:

Microsoft Informática Ltda. (http://www.microsoft.com/brasil)
Katia Mourilhe, email: katiam@microsoft.com

S2 Comunicação Integrada S/C Ltda. (http://www.s2.com.br)
José Luiz Schiavoni (MTb 14.119) – email: joseluiz@s2.com.br
Priscila Rocha (MTb 19.977) – email: prirocha@s2.com.br
Saulo Filho, email: saulof@s2.com.br
Ana Carolina Fullen, email: acarol@s2.com.br
Tel/Fax: (11) 253-1930

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Em São Paulo, 23 de Fevereiro de 2011.

“Tudo que você tuitar pode ser usado contra você, até no tribunal”

Mais uma série de artigos interessantes na Folha de hoje, 30/01/2011 sobre o hábito e as consequências de tuitar.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3001201116.htm

Tudo que tuitar pode ser usado contra você, até no tribunal

Postagens consideradas ofensivas acabam na Justiça ou em boa dor de cabeça para internautas falastrões

Anônimos ou famosos, ninguém está livre dos ecos de comentários inconsequentes nas redes sociais da internet

JAMES CIMINO

DE SÃO PAULO

O vendedor Pedro Henrique Santos, 19, está pagando, a prestação, o preço de uma tuitada inconsequente.

Morador de Ipameri, cidadezinha do interior de Goiás, ele não viu nenhum problema em postar no seu perfil do microblog uma foto de uma garota em trajes sumários.

Processado por danos morais, teve de pagar à vítima -maior de idade- R$ 3.000.

Como não tinha todo o dinheiro, vai desembolsar por mês R$ 150, em 20 vezes.

O caso ilustra uma situação cada vez mais corriqueira: os desabafos, os comentários e as brincadeiras de mau gosto facilmente esquecíveis se ditos em mesa de bar se amplificam se feitos nas redes sociais, com consequências na vida profissional e legal do internauta desbocado.

Antes de Pedro, outras pessoas, incluindo aí os famosos, tiveram problema.

O comediante Danilo Gentilli foi investigado pelo Ministério Público por acusação de racismo após ter feito uma piada em que comparava, no Twitter, o gorila King Kong a jogadores de futebol.

Há casos em que a tuitada não vira caso de Justiça, mas acaba em boa dor de cabeça.

Rita Lee criticou a construção do estádio do Corinthians em Itaquera. Chamou o bairro da zona leste paulistana de “c… de onde sai a bosta do cavalo do bandido”. Gal Costa disse que os conterrâneos baianos eram preguiçosos. As duas ouviram poucas e boas do público.

As empresas têm ficado de olhos nos perfis de seus funcionários. Dois rapazes, um da região de Campinas, outro de Piracicaba, acabaram demitidos por justa causa após postagens inconsequentes.

O primeiro publicou no Orkut que estava furtando notas fiscais da empresa onde trabalhava. O segundo postou no YouTube um vídeo em que dava cavalos de pau com a empilhadeira da empresa.

Ambos entraram com ações na Justiça do Trabalho a fim de reverter o caráter da demissão, mas perderam.

Juliana Abrusio, professora de direito eletrônico da universidade Mackenzie, aponta que o afã de fazer um desabafo, de exprimir uma opinião ou de simplesmente demonstrar atitude crítica em relação a algo faz com que as pessoas percam a ideia do alcance da internet.

“Se você fala mal de alguém numa mesa de bar com seis pessoas, ele fica ofendido, mas é suportável. Quando vai para 6.000 ou 6 milhões de pessoas, a pessoa pode ser destruída”, afirma.

Renato Opice Blum, advogado especializado em crimes digitais, diz que o Brasil tem mais de 30 mil decisões judiciais relacionadas à internet. Só em seu escritório há cerca de 5.000 mil ações.

Um fotógrafo colaborador do Grupo Folha acabou afastado após publicar no Twitter uma declaração considerada ofensiva aos torcedores do Palmeiras, na sede do clube. Foi agredido fisicamente.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3001201117.htm

ANÁLISE

Tuitar pelos cotovelos só é vantagem para quem não tem nada a perder

“CASES” COMO O DAS ELEIÇÕES DOS EUA DEIXARAM IDEIA DE QUE É PRECISO TUITAR A GRANEL

DANIEL BERGAMASCO

EDITOR-ADJUNTO DE COTIDIANO

Uma das primeiras grandes ilusões sobre as vantagens de tuitar pelos cotovelos veio da campanha de Barack Obama à Casa Branca, em 2008. Tornaram-se simbólicas as fotos do democrata pendurado no Blackberry.

Com mais seguidores que os concorrentes, ele também acabou por colocar mais voluntários pelas ruas e arrecadar mais dinheiro.

Ficou a falsa ideia de que uma coisa possa ter sido consequência direta da outra e, pela distorção de “cases” como esse, propagou-se a imagem de que tuitar a granel pode ser uma boa maneira de cativar a internet, fazer negócios e influenciar pessoas.

Obama, contudo, nunca tuitou pelos cotovelos, nem pelo fígado. Suas mensagens refletiam um discurso estudado, gerado em laboratório.

Foram as suas causas políticas, propagadas também via TV e grandes comícios, que deram assunto para que seus admiradores espalhassem seu nome no ventilador.

Estratégia diferente tinham alguns dos candidatos pequenos ou nanicos que, sem medo de dar tiro no pé, acabaram acertando na mosca em posições mais controversas e saindo da corrida melhor do que entraram.

Da mesma forma, a lista de celebridades brasileiras com maior número de seguidores está cheia de casos em que esse público todo não faz soma de bons contratos.

A atriz Fernanda Paes Leme, com seu mais de meio milhão de seguidores, está entre os top da rede social, mas na publicidade está muito longe do status de uma Grazi Massafera -que, por sua vez, nem Twitter tem.

Há casos ainda de gente traída pelo dedo leve, pelo esquecimento de que as mensagens são documentos e pelo anseio do desabafo.

A cantora Claudia Leitte alfinetou “alguns” fãs “muito malas” de Ivete Sangalo e acabou por colocar em xeque sua imagem de boa moça.

Celebridades que se deram melhor são as quase-famosas, como a modelo Angela Bismarchi, conhecida pelas muitas cirurgias plásticas.

Ela já agrega mais de 50 mil seguidores tecendo comentários sobre temas como as especificidades sexuais das hienas. No embalo, vai lançar um livro sobre sexo.

PARA TODOS

Cabe, assim, o exemplo também para advogados, vendedores, professores.

Fazer propagar informações sobre um produto que se quer vender ou compartilhar assuntos do qual se é especialista pode ser um gol.

O escritor Fabrício Carpinejar ganhou 84 mil seguidores divulgando sua obra em textos breves.

Já dar bom dia a cavalo para tornar o perfil atraente a um monte de curiosos pode esquentar o ego, mas só tem se mostrado vantagem para quem não tem nada a perder.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3001201118.htm

É preciso ter bom senso nas redes, dizem advogados

DE SÃO PAULO

As crescentes ações na Justiça fomentadas pelo mau uso da internet podem ser facilmente evitadas, segundo advogados consultados pela Folha. Basta ter bom senso.

“As pessoas não podem esquecer que a lei não mudou. Na dúvida, não fale mal do companheiro de trabalho, não faça piada com o chefe, não se deixe fotografar em situação vexatória. Tudo vira evidência”, afirma a advogada Gilda Figueiredo Ferraz.

Segundo Alessandro Barbosa Lima, dono da empresa E.Life, que oferece serviços de monitoramento de marcas, semanalmente surgem casos de uso indevido das redes sociais por funcionários.

O advogado Eli Alves da Silva, presidente da comissão de direito trabalhista da OAB-SP, diz que não apenas os empregados podem se dar mal com o uso indevido das redes sociais. Empregadores também podem ser punidos e sofrer consequências caso os funcionários reclamem de condições de trabalho.

“Se o empregado reclamar de condições de trabalho que revelem um descumprimento da lei trabalhista, o patrão pode vir a ser punido, caso haja prova dessa ação.”

O advogado Renato Opice Blum descreve o que pode ser o limite entre a liberdade de expressão e o crime.

“Se o internauta avançar o limite da crítica normal e partir para o lado da ofensa, pode ser processado pelos crimes de calúnia, injúria e difamação, sem prejuízo de uma indenização. Tem sempre que evitar fazer juízo de valor”, afirma o advogado.

Para Brum, a primeira coisa que a pessoa deve fazer ao aderir a uma rede social é ler as regras de uso e conhecer os recursos que o programa oferece ao usuário.

Ele cita como simbólico o casos do diretor da Locaweb, patrocinadora do São Paulo, que criticou o time durante um jogo e foi demitido.

(JAMES CIMINO e EVANDRO SPINELLI)

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Em São Paulo, 30 de Janeiro de 2011.

Ainda E-Books

Na Folha de hoje (30/01/2011):

TECNOLOGIA

E-books superam brochura na Amazon

A loja virtual Amazon anunciou que as vendas de livros para Kindle superaram pela primeira vez as dos livros de brochura. Seis meses atrás, a empresa disse que os livros eletrônicos ultrapassaram os de capa dura. Em 2010, para cada 100 livros de brochura, a Amazon vendeu 115 e-books.

Em São Paulo, 30 de Janeiro de 2011.

E-Books: É só uma questão de tempo; Paper Books: “Your days are numbered”…

Diz notícia na Folha de S. Paulo de hoje, 29 de Janeiro de 2011:

“O site de vendas Amazon anunciou que as vendas de livros para o leitor digital Kindle já superam as das publicações tradicionais em papel. Segundo um comunicado do site, desde o início de 2011, para cada cem livros em papel, são vendidos 115 para o Kindle.”

Diz matéria assinada por Josélia Aguiar no Painel das Letras da Folha de hoje:

“O futuro quando?

Nos EUA, onde é maior a adesão ao livro digital, 2011 começa com as perguntas de antes: quando livrarias de tijolos vão fechar e se grandes autores publicarão sem intermediários, explica à Folha Mike Shatzkin, organizador do Digital Book World. O evento, realizado na última semana em Nova York, debate vendas, enquanto o Tools of Change for Publishing, em fevereiro e similar em importância, se concentra na produção. No mundo, as dúvidas são: com que rapidez o livro eletrônico se disseminará e como o varejo local resistirá à hegemonia americana. Shatzkin estima entre 10% e 15% o percentual de americanos que leem livros digitais. Em outros países, não supera 1%.

Os números ainda são ‘medíocres’ por aqui, afirma Luciana Villas-Boas, diretora da Record: ‘Vendemos até agora 37 exemplares eletrônicos’. Na Objetiva, que ofereceu mais títulos, o diretor Roberto Feith diz que desde novembro foram 663 exemplares vendidos: ‘O aumento foi de 252% em um mês, depois do lançamento do iPad e do Galaxy no país’.

(joselia.aguiar@grupofolha.com.br)”

o O o

Tenho o meu Kindle desde 12 de Junho do ano passado. Já acumulei nele mais de 250 livros eletrônicos e um sem fim de revistas: assino Time (semanal), Newsweek (semanal), Bloomberg Business Week (quinzenal), e Reason (mensal). Sou fã incondicional do Kindle – e da Amazon, na minha opinião uma empresa mais criativa do que o Google. A Amazon é dona também do site International Movie Data Base (IMDB), um dos meus sites favoritos na Internet, e do Audible, um site para a venda de audio livros (algo de que também sou fã).

Tenho uma biblioteca em papel de mais de 30 mil volumes. Mas aderi de coração aos livros eletrônicos. É incomporável poder entrar num avião para um voo de 15 horas com 250 livros na mochila… Quando saio por um tempo maior, levo o Kindle e o iPad. O iPad é melhor do que o Kindle para ler revistas (como a VEJA), cheia de fotos e gráficos. A edição para o iPad da VEJA contém clips de audio e filmes. Imbatível. Pena que a Abril tente forçar os clientes a fazer, junto com a assinatura para a VEJA em iPad, uma assinatura para a VEJA em papel.

Editoras de livros convencionais, se cuidem.

Houve uma época em que um empresário americano fez fortuna vendendo gelo para refrigerar alimentos e ambientes. Não havia refrigeradores e aparelhos de ar condicionado naquela época. Havia, para refrigerar alimentos, a “ice box”, uma caixa vertical com dois compartimentos, parecida com uma mini-geladeira duplex. Enchia-se de gelo o compartimento superior, equivalente ao congelador. Colocavam-se alimentos no compartimento inferior. Enquanto o gelo durava, o alimento se conservava. Para refrigerar ambientes, havia um ventilador cujo fluxo de ar passava por uma caixa onde havia água refrigerada a gelo. O ar que saía era fresco. Não frio de todo, mas fresco. Convivi, na minha infância, com a “ice box”. Tínhamos uma em nossa casa na Rua Particular, 10, em Santo André. Convivi com o ventilador refrigerado a ar quando estudei nos Estados Unidos e morava na 6001 Saint Marie Street, em Pittsburgh.

Mas voltemos ao nosso empresário. O negócio dele era buscar gelo para alimentar essas máquinas. Ele ia buscar gelo – enormes blocos – no Polo Norte. Especializou-se em técnicas sofisticadas para cortar grandes blocos de gelo, em transporte que preservava a maior parte dos blocos de gelo, em técnicas sofisticadas para particionar o gelo e vendê-lo no varejo. Ficou biliardário. Chegou a exportar blocos de gelo para a Índia. Sua tecnologia era tão sofisticada que o gelo, indo de navio, ainda chegava em tamanho suficiente para ser vendido no varejo na Índia.

Mas, daí, o ambiente tecnológico mudou: surgiram as geladeiras e os aparelhos de ar condicionado que conhecemos hoje. Nosso empresário, em vez de investir nesse novo negócio, tentou proteger o negócio que já tinha contra a nova concorrência: aprimorou as técnicas de cortar, remover, transportar, particionar e comercializar gelo. Não adiantou. Em pouco tempo estava falido.

Aquele empresário via seu negócio como o comércio de gelo – não o comércio de refrigeração. Estrepou-se. Pagou pelo erro com sua fortuna.

Muitas editoras de hoje vêem o seu negócio como sendo vender livros, revistas, e jornais em papel – e anunciam: o livro impresso, a revista impressa, o jornal impresso nunca vão acabar!!! Tudo bem, botam na Internet uma versão virtual, mas não apostam nela: continuam a investir no negócio antigo. Relutam em deixar que alguém assine uma revista virtual apenas: se assinar a revista em papel, ganha, por um valor a mais, acesso à revista virtual…

Vão quebrar. 

É questão de tempo.

Em São Paulo, 29 de Janeiro de 2011

Internet Archive: The WayBack Machine

Arquivo da Internet: A Máquina para Voltar no Tempo.

Mencionei em post anterior, mas aqui quero dedicar a esse site um post separado. Recomendo, sem reservas, o Internet Archive – The WayBack Machine (http://www.archive.org/web/web.php). Ele mantém cópias de muitos sites que já desapareceram ou foram modificados.

Confira.

Veja, por exemplo, www.mindware.com.br, que é o site de minha empresa. Eles têm todas as alterações nesse site deste 1998. Dá até vergonha ver o que eu tinha como site de minha empresa em 1998, um ano depois de ela ter sido criada em Junho de 1997.

(O nome fantasia de minha empresa era, e continua sendo, Mindware – embora eu tenha mudado o que vem depois do MindWare… Originalmente era MindWare Editora. Hoje uso MindWare – EduTec.Net).

O que mais me admira no Internet Archive foi o sentido histórico que esse pessoal teve, lá atrás, em 1996 (no século passado!), de preservar versões anteriores de site que se modificam constantemente, ou de preservar sites que por alguma razão despaceram.

Eis como eles descrevem o site:

“Browse through over 150 billion web pages archived from 1996 to a few months ago. To start surfing the Wayback, type in the web address of a site or page where you would like to start, and press enter. Then select from the archived dates available. The resulting pages point to other archived pages at as close a date as possible. Keyword searching is not currently supported.”

150 bilhões de páginas armazenadas… Quase 30 páginas para cada habitante do planeta!

A importância desse site para a pesquisa histórica, para a história da Internet, etc., é simplesmente fantástica.

Entre lá e veja, por exemplo, quantas vezes a Microsoft já alterou seu site (www.microsoft.com). Investigue o ano em que ela fez mais alterações em seu site…

Como dizia Aurélio Campos, o céu é o limite.

Em São Paulo, 16 de Outubro de 2010

 

A mudança do Live Spaces para o WordPress

Já deixei claro em diversos lugares que, embora não achasse o Windows Live Spaces “um micro” (foi assim que meu amigo Julio de Angeli o designou no Facebook), acho que, sistema de blog por sistema de blog, o WordPress é superior, e, assim, saímos ganhando com a decisão da Microsoft de migrar o Windows Live Spaces para o WordPress.

O WordPress criou um blog sobre essa migração: http://pt.blog.wordpress.com/2010/09/27/bem-vindos-bloggers-do-windows-live-spaces/.

Esse blog contém inúmeros comentários críticos à migração em si e ao modo em que foi feita.

As críticas à migração em si dizem respeito, em geral, ao fato de que o Windows Live Spaces, embora inferior como sistema de blog, permitia que a gente tivesse, ao lado do blog, albuns de fotografia, diversas listas de preferências (de outros blogs, de filmes, de músicas, de livros, etc.), uma minijanela de Windows Live Player, listas de amigos, livro de ouro com comentários gerais ao siete (e não para posts específicos do blog), etc.

Às críticas ao processo dizem respeito, em geral, ao fato de que o sistema de migração criado, embora perfeito na migração do blog e das fotos inseridas nos posts, não migrou as outras coisas mencionadas no parágrafo anterior. Pior do que isso: depois de migrado o blog, tornou-se muito difícil acessar essas outras coisas no site antigo, porque o URL do site antigo foi usado para redirecionar para o novo blog no WordPress.

Compartilho da maioria dessas críticas.

Na verdade, fui meio precipitado ao fazer a migração sugerida e fiquei meio desesperado quando vi que minhas janelas (extra-blog) sobre “Meu credo liberal”, “Meus filmes favoritos”, etc., não haviam sido migradas e pareciam ter simplesmente desaparecido.

Na realidade, não desapareceram. Essas janelas, junto com os albuns de fotografia, as listas de amigos, etc., continuam disponíveis. O que desapareceu foi o URL master que dava acesso a elas. Sub-URLs (longos e complicados) ainda dão acesso a essas coisas.

Descobri, no processo de tentar encontrar meu site antigo, que o Google tem uma ferramenta interessante, chamada Google Cache, que dá acesso a coisas que você acessou recentemente na Internet mas que agora sumiram. Bastou colocar na janela de busca do Google “cache: ec.spaces.live.com” (no meu caso) para encontrar uma cópia do site antigo, antes da migração. (Hoje, passados vários dias, isso já não funciona). Assim recuperei o material que não havia sido migrado e que estava aparentemente perdido (e o coloquei como “Páginas” – não “Posts” – no blog do WordSpace).

Assim, quem me salvou de um processo de migração mal feito (porque incompleto), fazendo com que não perdesse material importante para mim, foi o principal concorrente da Microsoft – a sua nêmesis, Google. Thank you, Google. E mais cuidado da próxima vez, Microsoft.

(A propósito, o site Internet Archive – The WayBack Machine (http://www.archive.org/web/web.php) tem cópia de muitos sites que já desapareceram ou foram modificados. Confira. Veja, por exemplo, www.mindware.com.br, que é o site de minha empresa. Eles têm todas as alterações nesse site deste 1998).

Em São Paulo, 16 de Outubro de 2010

Ainda sobre a riqueza e a densidade da informação vs imaginação

Coloquei aqui há dias uma entrevista de Juergen Boos que alegava que a riqueza e a densidade da informação presentes em materiais multimídia inibe a imaginação. Vide:

http://ec.spaces.live.com/default.aspx?_c01_BlogPart=blogentry&_c=BlogPart&handle=cns!511A711AD3EE09AA!3445 

Mauricio Ernica comentou no Facebook:

“Riqueza e densidade negam o imaginário? Essa afirmação me parece baseada numa visão ao mesmo tempo pobre e ingênua no que diz respeito à construção do imaginário e preconceituosa no que diz respeito à integração de mídias.”

Viviane Camozzato contestou, também no Facebook:

“Fiquei pensando que as imagens e outros recursos visuais tem o poder, sim, de preencher muitos dos vazios tão importantes para a imaginação. No caso dos contos de fadas, por exemplo, a imagem de determinado tipo de princesas (louras, altas, magras…) tem sido fecunda para limitar a imaginação a partir destas formas. Por muito tempo certas imagens eram praticamente as únicas, e acho que tudo isto tem a ver mais com a força e recorrência de certas formas de representação do que com a representação em si. Atualmente tem ocorrido um movimento crescente (mas ainda muito insuficiente, creio) para pluralizar mais as imagens e as possibilidades de contar as histórias. Entretanto, acho que tudo isto seria melhor se a prática de contar e construir histórias com as crianças e  representá-las de formas variadas (sem insistir, por exemplo, em fixar as coisas em consonância com uma suposta correspondência na "realidade") fosse uma atividade primeira ao invés de fazer dos livros multimídia uma nova babá eletrônica como a TV. Abs!”

Tendo a concordar com a Viviane.

Tomemos uma história contada em livro. Neste caso, temos apenas a história, narrada pelo texto. Dom Casmurro, de Machado de Assis, por exemplo, livro que provavelmente todos nós lemos na adolescência. Cada leitor precisava usar a sua imaginação para atribuir a Bentinho e Capitu as suas vozes e a sua aparência, para construir os cenários… Para aqueles de imaginação rica, a história ficava muito mais rica do que para aqueles de imaginação mais pobre…

Compare-se o livro com as rádionovelas, que continham apenas áudio (sim, sou desse tempo). Agora a gente tinha uma história representada por diálogos e uma voz que narrava… Ainda podíamos imaginar a aparência dos personagens. Mas os personagens agora tinham voz (e os efeitos especiais sonoros eram criados por aquela figura especial, o “sonoplasta” [Lima Duarte foi sonoplasta, pelo que consta]). Nossa imaginação, nesse caso, preenchia os detalhes visuais: como era a aparência dos atores, como era o cenário, como se desenvolviam as cenas. Mas nossa imaginação não conseguia mais imaginar, para os personagens, uma voz diferente daquela provida pelo rádio. As vozes de Albertinho Limonta e Isabel Cristina na primeira edição de O Direito de Nascer no rádio ficaram para sempre cristalizadas na mente de quem as ouviu. Edições subseqüentes da novela na rádio não pareciam críveis, porque as vozes eram diferentes. Tal é o poder da mídia para inibir a imaginação!

Entra o vídeo – e a nossa imaginação da aparência dos personagens é afetada… Quando a gente lia (digamos) Gabriela, Cravo e Canela antes de haver uma novela e um filme sobre o livro, cada um podia imaginar a aparência de Gabriela e de Mundinho… Depois da novela da Globo, não é fácil imaginar uma Gabriela que não tenha a cara, o corpo e o jeito da Sonia Braga… Ou um Mundinho muito diferente de José Wilker. No filme, em que Mascelo Mastroianni representa Mundinho, algo parece estar fora de lugar… E assim vai… Nosso imaginário ficou circunscrito por a gente já ter cristalizado uma imagem da Gabriela, do Mundinho, não ficou?

Continuando: Para quem assistiu a Os Dez Mandamentos de Cecil B de Mille, é possível imaginar um Moisés que não tenha a cara de Charlton Heston??? Para várias gerações que assistiram a O Vento Levou, Rhett Butler é Clark Gable.

E assim vai.

Meus dois romances favoritos são, nesta ordem, Atlas Schrugged (Quem é John Galt?) e The Fountainhead (A Nascente), ambos de Ayn Rand, escritos em 1957 e 1943, respectivamente. De The Fountainhead foi feito um filme em 1949, com Gary Cooper e Patricia Neal nos papéis principais de Howard Roark e Dominique Francon. Um desastre, na minha opinião. Ayn Rand era fã de Cooper e quis que ele tivesse o papel. Mas ele era totalmente inadequado para representar Roark. Bem mais velho, com uma voz rouca, rápida e meio em staccato, seco, sem nenhum charme… Neal, então, na minha imaginação, é a anti-Francon: baixinha, agitada, com um rosto que deixa muito a desejar. Quando vi o filme, custei agüentar até o fim. O livro, entretanto, já li uma dezena de vezes. Dizem que está sendo planejada uma série sobre Atlas Shrugged (que dificilmente caberá em um filme – o livro tem mais de mil páginas de história densa e complicada). Duvido que achem atores que consigam corporificar as imagens de John Galt, Dagny Taggart, Francisco D’Anconia, Ragnar Danneskjöld, Hank Rearden. (Para a imagem de James Taggart, o vilão e anti-herói, consigo imaginar vários!). Dizem que Angelina Jolie pleiteia a parte de Dagny. Mas, na minha imaginação, não há como Angelina possa se transmutar em Dagny. Por outro lado, se eu não tivesse lido o livro, e viesse a ver a série, com Angelina Jolie no papel de Dagny Taggart, provavelmente, quando fosse ler o livro, Dagny seria Angelina…

É isso.

A pergunta interessante é a levantada por Viviane, em seu comentário. Na escola, ambiente em que desejamos (entre outras coisas) estimular ainda mais a já rica imaginação das crianças, devemos usar histórias em vídeos e histórias em multimídia? Será que, se o fizermos, a imaginação das crianças não ficará compremetida e se tornará menos rica?

Maurício, em seu comentário, disse que esse receio “me parece basead[o] numa visão ao mesmo tempo pobre e ingênua no que diz respeito à construção do imaginário e preconceituosa no que diz respeito à integração de mídias.” Por que, Maurício? Você apenas alegou, não argumentou… Vamos argumentar um pouco?

Em São Paulo, 11 de Abril de 2010

A riqueza e densidade da informação no livro inibe a imaginação

Quanto mais rica e densa é a informação em um livro, menor é o espaço deixado para a imaginação – e esta é extremamente importante.

Por isso, o diretor da Feira de Frankfurt tem dúvidas quanto aos méritos de livros multimídia, com sons, vídeos, etc. Eis a entrevista dele publicada na Folha.

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http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u717325.shtml 

07/04/2010 – 09h53

Livro interativo limita capacidade de imaginação, diz diretor da Feira de Frankfurt

MARINA LANG
da Reportagem Local

Um livro que fala, canta, tem ilustrações animadas e tecnologia 3D. Há dez anos essas características seriam fantasia de filmes de ficção. Mas, daqui a outros dez, elas devem vigorar –e com a força total de um mercado em expansão.

O livro digital multimídia –que compila outros atrativos além da leitura trivial, como dublagem e animações– mal começou a ser desenvolvido na rota do mercado e, mesmo assim, já foi alvo de críticas pela possível subtração da capacidade imagética dos leitores.

A opinião é compartilhada por Juergen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, um dos maiores eventos mundiais voltados ao segmento, que ocorre anualmente na Alemanha.

Em entrevista à Folha, Boos fala da limitação que o e-livro multimídia traz à imaginação do leitor. Mas acrescenta: "para livros profissionais ou de não-ficção, isso pode ser uma tremenda vantagem".

FOLHA – Pesquisas recentes mostram que o leitor não quer pagar por conteúdo on-line, e que até deixaria de ler algumas publicações, caso elas optassem por esse caminho. O que o senhor pensa a respeito disso?

JUERGEN BOOS – A cultura do gratuito que existe on-line se tornou um problema existencial para pessoas e instituições que vivem da produção e exploração da propriedade intelectual. Consideramos nossa responsabilidade transmitir o valor real da propriedade intelectual para os usuários, para que também haja uma disposição de pagar por conteúdo on-line em um futuro próximo.

Em qualquer caso, é necessário chegar a uma solução o mais rápido possível, em que tanto provedores de conteúdo quanto usuários possam coexistir.

Isto significa que editoras vão ter que experimentar mais e mais modelos com novo pagamento no futuro –por exemplo, pay-per-view, publicidade ou conteúdo exclusivo.

FOLHA – Dentro dessa perspectiva, qual o futuro dos direitos autorais no mercado editorial?

BOOS – Editoras do mundo todo estão perdendo bilhões de dólares em vendas devido à pirataria –e a maior prioridade é o controle deste problema, encontrando uma solução que seja adequada para editores e fornecedores de conteúdos. A proteção de conteúdo é sempre central, independentemente do meio ou a forma em que ele é transmitido.

FOLHA – O senhor acha que o modelo Creative Commons oferece um tipo de vantagem financeira para a indústria editorial?

BOOS – O Creative Commons é uma abordagem interessante, na minha opinião. No passado, autores concediam seus direitos à editora –e ela tentava explorar toda a gama de direitos.

Hoje, o autor concede os direitos de edição da cópia de seu livro para a editora de livros tradicionais, os direitos de um audiobook a uma editora de audiolivros, os direitos de e-books para a Amazon ou outra plataforma. Em outras palavras, o negócio de direitos está se tornando cada vez mais fragmentado.

Em geral, o negócio está produzindo mão-de-obra com mais intensidade, e as partes envolvidas devem conversar entre si com mais frequência. Não faz muito sentido a concessão de direitos de uso diferentes para diferentes conteúdos.

Mas os editores, sem dúvida, vão colher menos benefícios financeiros a partir deste modelo; no lugar disso, os autores vão ganhar vantagem.

FOLHA – O que o senhor pensa sobre o iPad? O que ele representa para o mercado editorial?

BOOS – O iPad é um dispositivo fascinante. O que eu acho problemático, no entanto, é o fato de que se trata de um sistema fechado, que não permite a troca com outros sistemas.

Assim, estou certo que muitos mais dispositivos aparecerão no mercado nos próximos meses, que serão comparáveis ao [sistema do] iPad em termos das suas funções de multimídia, e que vão criar concorrência.

Em princípio, não existem limites para esse desenvolvimento, e estou realmente ansioso para ver quais os produtos que vão surgir nos próximos meses.

FOLHA – O senhor acredita no conceito dos livros multimídia que incorporam animação, gráficos, narração e interatividade?

BOOS – O e-book ainda está nas fases iniciais de desenvolvimento, e oferece inúmeras possibilidades.

A integração de fotos, animações e outros elementos interativos será certamente um aspecto que fará com que esta mídia seja particularmente atrativa no futuro.

FOLHA – Dentro desse conceito, o senhor crê que os leitores possam perder sua capacidade de criar suas próprias imagens e construção narrativa na leitura de livros multimídia?

BOOS – Quando eu leio um romance, a minha imaginação embarca em uma jornada. Eu imagino como um personagem deve se parecer, a figura definida do personagem e que tipo de voz que ele ou ela possa ter.

Eu fico total e completamente imerso na história. O e-book multimídia impõe limites para minha imaginação, desde o início, porque eu sou abastecido com imagens precisas.

Por outro lado, para livros profissionais ou de não-ficção, isso pode ser uma tremenda vantagem.

Mas espero sinceramente que a nossa capacidade de explorar o poder de nossa imaginação, como um resultado [da leitura], não se perca por completo.

FOLHA – Com dispositivos digitais, o custo do livro reduz drasticamente. Sob esta ótica, qual a perspectiva para o mercado editorial?

BOOS – Não ocorre, necessariamente, a situação de que a produção de um e-book é substancialmente mais barata do que um livro impresso. Sim, o processo de impressão não faz parte da equação, mas o processo de produção de um e-book é mais complexo, pois ele deve ser preparado de forma completamente diferente.

Acima disso, na Alemanha existe o problema adicional do preço fixo do livro [a regulamentação alemã exige que todos os livros, digitais ou não, sejam vendidos sob mesmo preço; descontos são ilegais no país].

Exatamente como os preços dos e-books devem ser determinados já é objeto de intenso debate na indústria.

FOLHA – Existe a possibilidade de ocorrer a supressão do livro impresso?

BOOS – Quando o audiobook chegou no mercado, as pessoas também pensaram inicialmente que eles iriam substituir os produtos impressos –mas eles se revelaram complementares.

Estou convencido de que o livro impresso não morrerá, mas que o livro eletrônico vai se tornar um componente adicional e substancial da nossa socialização por meios de comunicação –como foram antes o rádio, a TV e a internet.

FOLHA – Qual o panorama atual das vendas de livros eletrônicos?

BOOS – Um estudo recente sobre os e-readers prevê que haverá cerca de 50 modelos no mercado em 2010.

Com base em estimativas conservadoras, o número de leitores eletrônicos vendidos na Alemanha, em meados de 2011, será em torno de 170 mil. E cerca de 65 mil livros eletrônicos foram vendidos nos primeiros seis meses de 2009 na Alemanha.

Os números são simples. A partir deles, podemos deduzir que a demanda do cliente sobre a informação está aumentando, mas a vontade de comprar ainda é pequena. No entanto, tudo pode mudar em breve.

Com relação ao Brasil, infelizmente, não há dados disponíveis no mercado. Será muito interessante observar o desenvolvimento desse mercado aí.

FOLHA – O que o senhor pensa a respeito da criação de um formato padrão para arquivos de e-book?

BOOS – Os usuários não querem sistemas fechados –caso eles tenham boas alternativas. Por isso acho que um formato padrão e-book será estabelecido a longo prazo –como foi o caso da indústria da música com o formato MP3, por exemplo. Qual será esse formato é algo que ainda está sendo visto.

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Em São Paulo, 7 de Abril de 2010