Reunião em Campinas em 31/8/2009

Realizou-se ontem à noite em Campinas evento voltado para a discussão da Alienação Parental. A reunião foi patrocinada pela regional de Campinas do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), com o apoio da Livraria Cultura e do Outback, e teve lugar no Auditório da Livraria Cultura, no Shopping Center Iguatemi, em Campinas, às 19h.

O ponto central do evento foi a exibição do documentário de longa metragem “A Morte Inventada: Alienação Parental”, roteirizado e dirigido pelo cineasta Alan Minas, e produzido por sua mulher, Daniela Vitorino. Já escrevi um breve post sobre o filme, mas não custa repetir o site do filme:

http://www.amorteinventada.com.br/

A duração do filme é de cerca de 1h20.

Depois da exibição do filme, houve um debate do qual participaram o próprio Alan Minas, Giselle Câmera Groeninga, psicanalista, Jamiel Miguel, advogado e Juiz de Direito aposentado, e César de Moraes, psiquiatra infantil. Cada um falou por cerca de 15 minutos.

Depois da intervenção dos debatedores, o público pode fazer perguntas. A sala estava superlotada – com gente sentada nas escadas e em puffs trazidos da área de lazer do terceiro andar da magnífica Livraria Cultura de Campinas. (Pedro Herz, obrigado. Pena que eu me mudei de Campinas logo depois de inaugurada a Livraria Cultura de lá. Mas adoro também a original, no Conjunto Nacional, na Av. Paulista, em São Paulo).

O evento foi organizado por Luís Eduardo Barros, que, no entanto, em sua modéstia, fez questão de não aparecer, cuidando apenas da organizar o evento (com muita competência) e de receber, atenciosamente, os que lá estiveram, despedindo-se deles ao final. Atenção personalizadíssima. Obrigado, Eduardo.

Vários eventos desse tipo têm se realizado no Brasil, em especial depois do lançamento do filme, com o objetivo de sensibilizar e informar advogados, promotores, e juizes acerca do problema, e de reunir profissionais de saúde mental, serviço social e educação interessados em ajudar as vítimas da Alienação Parental.

Procure-me, se estiver interessado em organizar um evento assim em sua cidade (eduardo@chaves.com.br) e eu colocarei você em contato com as pessoas que poderão fazê-lo.

Em São Paulo, 1º de Setembro de 2009

Síndrome de Alienação Parental

[O material abaixo, com o título acima, foi transcrito de um panfleto com o título “Síndrome de Alienação Parental”, retirado do site http://www.alienacaoparental.com.br/o-que-e. As passagens entre colchetes são acréscimos de minha mulher, Paloma Epprecht e Machado de Campos Chaves.]


Ajude a Parar Com Essa Violência Contra Nossos Filhos


1. O QUE É A ALIENAÇÃO PARENTAL?

Síndrome de Alienação Parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, é o termo proposto por Richard Gardner em 1985 para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor.

Os casos mais freqüentes da Síndrome da Alienação Parental estão associados a situações em que a ruptura da vida conjugal gera, em um dos genitores, uma tendência vingativa muito grande. Quando este não consegue elaborar adequadamente o luto da separação, desencadeia um processo de destruição, vingança, desmoralização e descrédito do ex-cônjuge. Neste processo vingativo, o filho é utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro.


2. O GENITOR ALIENANTE

Exclui o outro genitor da vida dos filhos

* Não comunica ao outro genitor fatos importantes relacionados à vida dos filhos (escola, médico, comemorações, etc.)

* Toma decisões importantes sobre a vida dos filhos, sem prévia consulta ao outro cônjuge (por exemplo: escolha ou mudança de escola, de pediatra, etc.)

* Transmite seu desagrado diante da manifestação de contentamento externada pela criança em estar com o outro genitor [ainda que de forma não explicita, gerando desconforto e ansiedade na criança, inibindo manifestações espontâneas de afetividade em relação ao genitor alienado]

Interfere nas visitas

* Controla excessivamente os horários de visita.

* Organiza diversas atividades para o dia de visitas, de modo a torná-las desinteressantes ou mesmo inibi-la.

* Não permite que a criança esteja com o genitor alienado em ocasiões outras que não aquelas previa e expressamente estipuladas.

Ataca a relação entre o filho e o outro genitor

* Recorda à criança, com insistência, motivos ou fatos ocorridos que levem ao estranhamento com o outro genitor.

* Obriga a criança a optar entre a mãe ou o pai, fazendo-a tomar partido no conflito.

* Transforma a criança em espiã da vida do ex-cônjuge.

* Quebra, esconde ou cuida mal dos presentes que o genitor alienado dá ao filho [ou compra presentes idênticos para tentar neutralizar o presente do outro genitor].

Denigre a imagem do outro genitor

* Faz comentários desairosos sobre presentes ou roupas compradas pelo outro genitor ou mesmo sobre o gênero do lazer que ele oferece ao filho [ou então acusa o outro genitor de dar aos filhos presentes muito caros para tentar comprar o afeto deles].

* Critica a competência profissional e a situação financeira do ex-cônjuge.

* Emite falsas acusações [ou faz insinuações] de abuso sexual, uso de drogas e álcool [ou outros desvios de comportamento graves que desabonem a conduta moral do outro genitor].


3. CRIANÇA ALIENADA

* Apresenta um sentimento constante de raiva e ódio [ou profundo desapontamento] contra o genitor alienado e sua família.

* Se recusa a dar atenção, visitar, ou se comunicar com o outro genitor.

* Guarda sentimentos e crenças negativas sobre o outro genitor, que são inconseqüentes, exageradas ou inverossímeis com a realidade.


4. CRIANÇAS VÍTIMAS DE SAP SÃO MAIS PROPENSAS A:

* Apresentar distúrbios psicológicos como depressão, ansiedade e pânico.

* Utilizar drogas e álcool como forma de aliviar a dor e a culpa da alienação.

* Cometer suicídio.

* Apresentar baixa auto-estima.

* Não conseguir uma relação estável quando adultas.

* Possuir problemas de gênero, em função da desqualificação do genitor atacado.


PAI E MÃE, OS FILHOS PRECISAM DE AMBOS!


80% dos filhos de pais divorciados já sofreram algum tipo de alienação parental.


COMO PARAR A SAP?


Busque e Divulgue Informação

* A Síndrome da Alienação Parental é um tema bastante discutido internacionalmente e, atualmente, no Brasil também é possível encontrar vários sites sobre o assunto, bem como alguns livros. Pesquise na Internet e livrarias pelo termo “alienação parental”.

Tenha Atitude

Como pai / mãe

* Busque compreender seu filho e proteja-o de discussões ou situações tensas com o outro genitor.

* Busque auxílio psicológico e, se necessário, jurídico para tratar o problema. Não espere que a situação de SAP desapareça sozinha.

No campo jurídico e psicológico

* É crescente o número de profissionais atuando para combater essa violência.

* A informação sobre SAP é muito importante para garantir às crianças e adolescentes o direito ao desenvolvimento saudável, ao convívio familiar e à participação de ambos os genitores em sua vida.

Como cidadão

* A Alienação Parental não é um problema somente dos genitores separados. É um problema social, que, silenciosamente, traz consequências nefastas para as gerações futuras.


LUTE CONTRA ESSA VIOLÊNCIA

O MUNDO NO COMBATE À SAP

Pais do mundo inteiro têm se organizado para lutarem em defesa de seus filhos, contra a Síndrome da Alienação Parental. Dados da organização Splintwo, estimam que mais de 20 milhões de crianças sofram esse tipo de violência.

Abaixo estão apenas alguns exemplos de sites no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Chile, Argentina, México, Espanha, Suíça e Austrália.

APASE – Associação de Pais e Mães Separados
www.apase.org.br

Pais por Justiça
www.paisporjustica.com

Pai Legal
www.pailegal.net

SAP (Síndrome de Alienação Parental)
www.alienacaoparental.com.br

SOS Papai e Mamãe
www.sos-papai.org

Amor de Papá
www.amordepapa.org

Fact
www.fact.on.ca

Parental Alienation Awareness Organization
www.paawareness.org

SplitnTwo
www.splitntwo.com [Este link não está funcionando]

MCP
www.mcp-ge.org

As informações deste folder têm como base os trabalhos publicados por Richard Gardner, bem como dados disponíveis em bases de dados da Internet.

Transcrito em 1º de Setembro de 2009

“A Morte Inventada – Alienação Parental”

O título deste post é tirado do título de um importante documentário de longa metragem, feito (roteirizado e dirigido) por Alan Minas (produzido por Daniela Vitorino), lançado em Abril deste ano.

Veja o site do filme em:

http://www.amorteinventada.com.br

A caixinha do DVD descreve o filme da seguinte forma:

“O filme revela o drama de pais e filhos que tiveram seus elos rompidos por uma separação conjugal mal conduzida, vítimas da Alienação Parental. Os pais testemunham seus sentimentos diante da distância por anos de afastamento de seus filhos. Os filhos que na infância sofreram com esse tipo de abuso revelam de forma contundente como a AP interferiu em suas formações, em seus relacionamentos sociais, e, sobretudo, na relação com o genitor alienado. O filme também apresenta profissionais de Direito, Psicologia e Serviço Social, que discorrem sobre as causas, condições e soluções da questão”.

O filme recebeu apoio da Livraria Cultura, onde pode ser encontrado, tanto nas lojas como no site online:

Livraria Cultura [www.livrariacultura.com.br]

O preço é R$ 32,00. Vale plenamente o investimento.

Em São Paulo, 1º de Setembro de 2009

Alienação Parental – Vamos Combatê-la

1. A Causa

A Alienação Parental é problema muito sério – mais sério ainda porque pouco conhecido ou reconhecido como tal. Ela envolve pelo menos o Direito (da Família e da Infância), a Psicoterapia (Psicologia, Psiquiatria) e a Educação.

Acabei de criar, no FaceBook, uma “causa”: o combate à Alienação Parental, em suas múltiplas formas.

Uma “causa”, no FaceBook, é aquilo que o nome sugere: algo que você julga digno de alcançar e pelo qual se propõe lutar, convocando e regimentando para isso os seus amigos naquela Comunidade Virtual. No caso, o que julgo digno de alcançar é, em última instância, a extirpação da Alienação Parental.

Se você não tem certeza o que é isso, continue lendo, por favor.

O endereço da causa “Alienação Parental – Vamos Combatê-la” no FaceBook é:

http://apps.facebook.com/causes/345192/8183309?m=fb5a6ed7

Se você não faz parte da comunidade FaceBook, eu sugiro enfaticamente que venha a fazer parte. Basta clicar em:

http://www.facebook.com/

e seguir os passos indicados.

E, depois, de entrar no FaceBook, junte-se à causa do combate à Alienação Parental para conhecer melhor o problema e nos ajudar a extirpá-lo.

2. A Coisa

A Alienação Parental pode ser definida como um conjunto de atitudes e ações, por parte de um dos genitores, visando a alienar os filhos do outro genitor, depois de um processo de separação, em regra não consensual. Ela normalmente é praticada pelo genitor que não desejava a separação contra o genitor que resolveu sair do lar.

As atitudes e ações do genitor alienante têm como objetivo imediato romper os laços afetivos dos filhos com o outro genitor, criando, neles, fortes sentimentos de desafeição, desrespeito e até mesmo temor para com o genitor alienado. Esses sentimentos fazem com que os filhos sintam desconforto e ansiedade na presença do genitor alienado, quando estão juntos. (Na melhor das hipóteses, os filhos se sentem “culpados” por estarem sendo felizes junto do genitor que é acusado de “traição” e “abandono o lar”).

Mas muitas vezes a Alienação Parental envolve, por meios práticos e no plano jurídico (até mesmo através de acusações infundadas), tentativas de literalmente impedir a convivência do genitor alienado com os filhos. Acusações totalmente infundadas de abuso sexual por parte do genitor alienado, infelizmente, não são infreqüentes.

As consequências de longo prazo desse processo são o ódio ou a indiferença dos filhos para com um genitor, cujo único “crime” foi não desejar mais conviver com o outro genitor, mas que é descrito por este como alguém que abandonou os filhos. Assim, o genitor alienado é literalmente assassinado, do ponto de vista afetivo-relacional-psicológico, pelo outro. Como diz um importante documentário sobre o assunto, a Alienação Parental é um processo de “Morte Inventada”.

A Alienação Parental é um ato de violência – de violência psíquica e afetiva. Quando, pela ação de um genitor, o afeto e o respeito de seus filhos pelo outro genitor é destruído, temos um ato de violência psíquica e afetiva que atinge o genitor alienado, os seus filhos, e até mesmo o genitor alienador.

Quando alguém comete um assassinato, propriamente dito (digamos: um assassinato físico), ele mata e destrói a vida de uma pessoa e a vida daqueles que a amavam. Mas mata e destrói também algo importante em si mesmo. Ninguém é mais o mesmo, depois de assassinar um semelhante. Quando o assassinato se dá no seio daquilo que um dia foi uma família, os efeitos são mais funestos ainda.

Os efeitos não são menos funestos no caso do assassinato psíquico e afetivo envolvido na Alienação Parental.

O genitor alienado não é menos assassinado porque continua vivo, do ponto de vista físico. Privado do amor e do respeito dos filhos, por ação (consciente ou não) do ex-cônjuge, o genitor alienado vê morrer, dentro de si, um componente essencial de sua vida afetiva.

Mas os filhos também sofrem as conseqüências trágicas desse assassinato, e, psíquica e afetivamente, morrem um pouco (“secam por dentro”, como disse alguém) no processo. Os filhos têm uma propensão natural a amar e respeitar seus genitores. A educação (em casa, na comunidade, na igreja, na escola, nos meios de comunicação) reforça esse propensão. De repente, recebem uma pressão psicológica na direção contrária (pressão que raramente têm condições de resistir, pois ela provém do genitor supostamente vítima…) O genitor alienado é descrito como mau (pior: é pecador!), é acusado de ter traído o cônjuge, de ter abandonado os filhos, de não ter mais interesse neles…  Por meios sutis – ou não tanto – os filhos são levados a “desaprender” o que a propensão natural e o meio lhes havia ensinado: o amor e o respeito a um dos genitores. Esse processo é um processo de educação ao contrário, de verdadeira deseducação, de lavagem cerebral. Aquele que havia sido, até ali, objeto de amor e respeito, agora deve ser “despaternalizado”: desamado, desrespeitado, desobedecido – quando não ofendido, insultado, agredido… O carro ia correndo a 100 por hora – e, de repente, tenta-se engatar a marcha à ré… A caixa de câmbio estoura.

Não tenho simpatia pelo genitor alienador. Mas ele também sofre as conseqüências: torna-se uma pessoa pior do que era, do ponto de vista psíquico, afetivo, social. E pode sofrer conseqüências piores aindas. Apesar da pressão psicológica que sofrem do genitor alienador, os filhos crescem, começam a se interessar por investigar os fatos, começam a pensar por sí próprios, e, quando percebem que o genitor do qual foram levados a se afastar não é o monstro que o outro genitor os levou a crer que fosse, revoltam-se contra o genitor alienador. Há inúmeras evidências de casos em que, num dado momento, quando já mais crescidos e mais donos de seu nariz, os filhos revertem a opção que foram pressionados a adotar, alinham-se com o genitor alienado, contra o alienador. O feitiço, muitas vezes, se vira contra o feiticeiro. O tiro sai pela culatra.

Mas, apesar de a vida muitas vezes punir o genitor alienador dessa forma, o genitor alienado e os filhos nunca vão conseguir resgatar o tempo perdido. Podem, na melhor das hipóteses, reconstruir a relação – mas ficará sempre uma lacuna, um buraco, a lembrança dos Natais, dos aniversários, dos Dias das Mães / dos Pais não vividos juntos, dos passeios não tidos ou não usufruídos, dos carinhos não trocados… E a lacuna de um de seus geni
tores permanece – só que agora é do outro.

Enfim, a Alienação Parental é uma tragédia total. Ninguém sai ganhando quando ela acontece. Todos perdem. Uns, certamente, mais do que outros. Mas todos perdem.

Por isso, empenhe-se em conhecer melhor o que é a Alienação Parental e como combatê-la.

3. Mais Recursos

Além do site da causa no FaceBook, sugiro os seguintes sites:

SAP – Síndrome da Alienação Parental
[www.alienacaoparental.com.br]

Instituto Brasileiro de Direito de Família
[www.ibdfam.org.br]

Associação de Pais e Mães Separados
[www.apase.org.br]

Pais por Justiça: Pai/Mãe, não desista de mim…
[www.paisporjustica.com]

SOS – Papai e Mamãe!
[www.sos-papai.org]

Split in Two
[www.splitntwo.com]

A Alienação Parental tem sido, historicamente, mais praticada pelas mães contra os pais, do que vice-versa. Isso se reflete no endereço de algumas associações. Mais recentemente, porém, têm se registrado casos escabrosos em que o genitor alienante é o pai. Nestes casos, a Alienação Parental se torna mais um caso, e um caso muito triste, de violência contra a mulher.

Em São Paulo, 1º de Setembro de 2009

Carta Renúncia de Janio Quadros (25/08/1961)

Mais um acontecimento significativo da História do Brasil teve lugar num mês de Agosto…

Quarenta e oito anos atrás, neste dia, Janio Quadros renunciava à Presidência da República, apenas sete meses depois de ter sido consagrado com a maior vitória que um candidato a Presidente já havia tido na história do Brasil

Jânio Quadros

Eis o texto de sua Carta Renúncia:

"Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu dever. Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções, nem rancores. Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.

Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior. Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração.

Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranqüilidade, ora quebradas, indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo que não manteria a própria paz pública.

Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes, para os operários, para a grande família do Brasil, esta página da minha vida e da vida nacional. A mim não falta a coragem da renúncia.

Saio com um agradecimento e um apelo. O agradecimento é aos companheiros que comigo lutaram e me sustentaram dentro e fora do governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade. O apelo é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios, para todos e de todos para cada um.

Somente assim seremos dignos deste país e do mundo. Somente assim seremos dignos de nossa herança e da nossa predestinação cristã. Retorno agora ao meu trabalho de advogado e professor. Trabalharemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.

Brasília, 25 de agosto de 1961.

Jânio Quadros"

Escrito e transcrito em São Paulo, 25 de Agosto de 2009

O Estado e a lei antifumo (ou Do fascismo do Estado democrático)

Muito interessantes os dois artigos de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo (7 e 24 de agosto do ano corrente, respectivamente) sobre a Lei Antifumo de São Paulo.

Transcrevo-os no final para referência mais fácil.

Pondé atribui a um “impulso fascista moderno” a energia dedicada por tantas pessoas, hoje em dia, em reprimir o uso do tabaco. Comento isso mais tarde.

Vou tentar explicar em minhas palavras o argumento dele, indo, em alguns casos, um pouco além da posição que ele se propôs defender (e deixando algumas facetas de seu argumento sem comentário).

Como hoje parece pacífico (talvez por se acreditar provado pela ciência?) que a fumaça do cigarro alheio pode causar danos aos pulmões de não-fumantes que estejam perto de fumantes, parece tranqüila a defesa da tese de que cabe ao Estado proteger os não fumantes da fumaça do tabaco alheio.

Mesmo essa tese, porém, precisa ser acompanhada de qualificativos importantes:

a) Essa proteção deve ficar restrita a espaços públicos e fechados;

b) Essa proteção não deve se aplicar a não-fumantes que:

i) desejem estar perto de fumantes, ainda que em espaços públicos e fechados;

ii) não se importem em estar perto de fumantes, ainda que em espaços públicos e fechados; 

iii) estão convictos de que a intervenção do Estado na questão é mais nociva e prejudicial do que a fumação remota e involuntária do cigarro alheio.

Isso quer dizer que:

a) O Estado não deve restringir a liberdade dos fumantes em espaços públicos abertos (ruas, praças, praias, parques, florestas, etc.);

b) O Estado não deve interferir em contextos em que sua interferência não é bem-vinda, nem muito menos solicitada, e dos quais as pessoas envolvidas preferem que o Estado fique (bastante!) longe.

Além disso, a proteção do Estado deveria se restringir a exigir que os espaços públicos fechados reservassem uma área para não fumantes – facultando-lhes manter uma área para fumantes e os acompanhantes que preferem estar com eles a estar em áreas interditadas a fumantes.

Mas isso não seria novidade: a maior parte dos estabelecimentos comerciais já praticava essa norma,

Coerentemente com o aqui assinalado, Pondé critica a lei antifumo por ela (por exemplo) “não preservar alguns poucos bares e restaurantes livres para fumantes [ou não preservar, nos bares e restaurantes destinados a não fumantes, espaços reservados para fumantes], sejam eles consumidores ou trabalhadores do setor.”

A questão mais interessante, porém, do ponto de vista teórico, e não mais simplesmente prático, diz respeito às razões pelas quais o Estado se acha no direito de dar vazão a essa sua fúria legisferante, reduzindo os espaços da liberdade individual.

Pondé sugere que essa fúria legisferante se deve a um “impulso fascista moderno”.

Tendo a concordar com ele.

O fato de um Estado ser, em termos gerais, democrático (eleger seus governos democraticamente, adotar procedimentos legislativos democráticos, etc.) não o impede de agir de forma fascista. O fascismo só é eliminado quando o Estado democrático se alicerça numa plataforma de direitos individuais invioláveis, imprescritíveis, irrevogáveis.

Na ausência desse alicerce, o Estado vira presa fácil de “almas mesquinhas e autoritárias” que gozam (i.e., orgasmizam) diante da possibilidade de controlar o comportamento alheio pelos padrões de seu estreito código moral. São essas almas mesquinhas e autoritárias que Pondé chama de “freiras feias e sem Deus”. (Convenhamos: ser freira já é um desastre; freira feia, então, um desastre duplo; freira feia e sem Deus, então, um desastre completo).

A democracia, quando não alicerçada nos direitos individuais, tende a legislar as tendências puritanas da maioria da população (como já o havia percebido de Tocqueville, numa época em que a ciência não havia ainda declarado o fumo passivo e vicário prejudicial à saúde), banindo atividades que não prejudicam a ninguém (exceto, talvez, os que nelas indulgem), como o jogo, a bebida, o fumo, as demais drogas.

A legislação de tendências puritanas tem como objetivo, em última instância, não a proteção de terceiros contra as ações do fumante, do consumidor de bebida alcoólica ou outras drogas, mas, sim, a proteção do indivíduo contra si mesmo – fazer do indivíduo um ser virtuoso (algo que nenhum liberal digno do nome admite como função legítima do Estado).

As “freiras feias sem Deus”, se não tiverem sua ação cerceada, irão, muito em breve, nos proibir de beber vinho Porto, comer carne vermelha, fumar em casa (para proteger o pulmão do vizinho), ler romances de cunho mais erótico, andar pelados em casa…

Pondé chega ao clímax literário do seu argumento quando diz:

O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô.”

Lindo…

No artigo de hoje, Pondé explica, com clareza exemplar, porque essa atitude de fúria legisgerante é fascista, mesmo num Estado democrático:

Já o fascismo é, no fundo, uma religião civil e não um tipo específico de política ou governo. Manifesta-se como um governo cuja autoimagem é a de um agente moral na sociedade. Agente este movido pela fé em gerar melhores cidadãos, por meio do constrangimento legal e científico dos comportamentos.
Na democracia, o fascismo ainda é mais perigoso porque tende a ser invisível. Esta invisibilidade nasce da ilusão de que a legitimidade pelo voto inviabiliza o motor purificador do fascismo. Pelo contrário, a própria ideia de ‘maioria’ ou de ‘vontade do povo’ trai a vocação fascista.”

Por fim, mais uma questão importante: devemos delegar à ciência e aos cientistas a decisão de definir as nossas leis?

É isso.

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Folha de S. Paulo
7 de agosto de 2009

As freiras feias sem Deus

LUIZ FELIPE PONDÉ
COLUNISTA
DA FOLHA

O QUE MOVE as pessoas, em meio a tantos problemas, a dedicar tamanha energia para reprimir o uso do tabaco? Resposta: o impulso fascista moderno.

Proteger não fumantes do tabaco em espaços públicos fechados é justo. Minha objeção contra esta lei se dá em outros dois níveis: um mais prático e outro mais teórico.

O prático diz respeito ao fato de ela não preservar alguns poucos bares e restaurantes livres para fumantes, sejam eles consumidores ou trabalhadores do setor. E por que não? Porque o que move o legislador, o fiscal e o dedo-duro é o gozo típico das almas mesquinhas e autoritárias. Uma espécie de freiras feias sem Deus.

O teórico fala de uma tendência contemporânea, que é o triste fato de a democracia não ser, como pensávamos, imune à praga fascista.

A tendência da democracia à lógica tirânica da saúde já havia sido apontada por Tocqueville (século 19). Dizia o conde francês que a vocação puritana da democracia para a intolerância para com hábitos "inúteis" a levaria a odiar coisas como o álcool e o tabaco, entre outras possibilidades.

Odiaremos comedores de carne? Proprietários de dois carros? Que tal proibir o tabaco em casa em nome do pulmão do vizinho? Ou uma campanha escolar para estimular as crianças a denunciar pais fumantes? Toda forma de fascismo caminhou para a ampliação do controle da vida mínima. As freiras feias sem Deus gozariam com a ideia de crianças tão críticas dos maus hábitos.

A associação do discurso científico ao constrangimento do comportamento moral, via máquina repressiva do Estado, é típica do fascismo. Se comer carne aumentar os custos do Ministério da Saúde, fecharemos as churrascarias? Crianças diagnosticadas cegas ainda no útero significariam uma economia significativa para a sociedade. Vamos abortá-las sistematicamente? O eugenista, o adorador da vida cientificamente perfeita, não se acha autoritário, mas, sim, redentor da espécie humana.

E não me venha dizer que no "Primeiro Mundo" todo o mundo faz isso, porque não sou um desses idiotas colonizados que pensam que o "Primeiro Mundo" seja modelo de tudo. Conheço o "Primeiro Mundo" o suficiente para não crer em bobagens desse tipo.

O que essas freiras feias sem Deus não entendem é que o que humaniza o ser humano é um equilíbrio sutil entre vícios e virtudes. E, quando estamos diante de neopuritanos, de santos sem Deus, os vícios é que nos salvam. Não quero viver num mundo sem vícios. E quero vivê-lo tomando vinho, vendo o rosto de uma mulher linda e bêbada em meio à fumaça num bistrô.

Luiz Felipe Pondé é colunista da Ilustrada

Folha de S. Paulo
24 de agosto de 2009

LUIZ FELIPE PONDÉ
A volta das freiras feias


E se a ciência descobrir que fumantes emitem partículas cancerígenas pela respiração?


HÁ DIAS escrevi no caderno Cotidiano desta Folha um artigo cujo título era "Freiras Feias sem Deus" sobre a nova lei antifumo. Um mar de e-mails.

Volto ao tema hoje para aprofundar duas questões que julgo mais importantes neste debate. Uma delas se refere à imagem de uma freira feia sem Deus como metáfora dos fascistas amantes da nova lei. Por que freira, por que feia, por que sem Deus?

Outra questão, mais "séria", referia-se ao uso do termo "fascismo" para uma lei legitimamente votada num Estado democrático de direito. Como aplicar um termo advindo do universo totalitário ao campo da vida política democrática?

Eu sei, caro leitor: quem é afinado com o debate da filosofia política contemporânea sabe que a suposição de que a democracia seja imune ao fascismo não passa de mera ignorância.

A democracia atual, com suas intenções de corrigir o comportamento do cidadão (elevando-o à categoria de agente moral), pelo contrário, bebe muito na inspiração fascista.

A referência da "freira" aqui é simbólica, é claro. "Freira" remete à figura da mulher religiosa maníaca pelo controle das paixões e dos desejos, uma espécie de fiscal da virtude e do pecado. Ela ama castigar o pecador enquanto se olha no espelho e vê sua face como sendo a do espírito puríssimo. Não muito distante do não fumante militante que, ainda que não confesse, vê o fumante como um lixo da humanidade, alguém que tem prazer em se melar com a morte.

"Feia" é a figura da deformação interna da alma advinda desta fiscalização orgulhosa. Goza a noite em seu quartinho abafado, com a ideia de que, finalmente, aqueles que ela detesta serão humilhados. Como ratos que se escondem no escuro pra respirar seu ar doente.

"Sem Deus" é uma referência mais sofisticada. A relação entre a luta contra o pecado e o vício, por um lado, e Deus, por outro, implica a noção de piedade. Deus é uma ideia que traz em si um abismo no qual miséria humana e misericórdia divina se encontram.

Uma freira feia sem Deus é terrível porque a única coisa que ela deseja é a violência legal como controle total do pecador, sem amor algum pelo infeliz. Ao pecador resta apenas a miséria e a vergonha.

Já o fascismo é, no fundo, uma religião civil e não um tipo específico de política ou governo. Manifesta-se como um governo cuja autoimagem é a de um agente moral na sociedade. Agente este movido pela fé em gerar melhores cidadãos, por meio do constrangimento legal e científico dos comportamentos.
Na democracia, o fascismo ainda é mais perigoso porque tende a ser invisível. Esta invisibilidade nasce da ilusão de que a legitimidade pelo voto inviabiliza o motor purificador do fascismo. Pelo contrário, a própria ideia de "maioria" ou de "vontade do povo" trai a vocação fascista.

O fator saúde, seja pessoal, seja do planeta, seja da sociedade, sempre foi uma paixão fascista -isto já é largamente conhecido. A própria noção de progresso como saúde social canta hinos fascistas.

Perguntará o leitor: mas se for assim, não tem solução! Sim, tem, basta o governo ser mais cético com seus impulsos de purificação do mundo e se ater a sua condição de "síndico" da sociedade e não de reformador. A ideia de uma sociedade "saudável" já é fascista. O estado moderno tem em seu DNA a vocação ao fascismo.

Outro veneno é a associação com a ciência. Aqui tocamos o fundo do poço. Só idiotas, ou fascistas confessos, mesmo que mentirosos, creem em verdades científicas como parceiros éticos.

A rejeição de comportamentos construída via argumento científico tem a seu favor
do ponto de vista do fascista a segurança de que ela é inquestionável. E se a "ciência" tivesse provado que os judeus eram mesmo seres inferiores e eticamente poluidores do mundo, seria correto exterminá-los? Ou pelo menos confiná-los?

Imagine, caro leitor, se em alguns anos "a ciência descobrir" que fumantes e ex-fumantes emitem partículas cancerígenas pela respiração. Claro que esse "a ciência descobrir" pode significar uns quatro ou cinco trabalhos financiados por lobbies contra os fumantes. Como proceder?

Arrisco dizer que nossas freiras feias sem Deus proporiam campos de concentração para os fumantes. Assim garantiríamos um ar sempre puro. A inspiração fascista da modernidade é resultado da secularização do cristianismo e seu desejo de perfeição. Pena que só sobraram as freiras feias e sem Deus.

ponde.folha@uol.com.br

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Escrito e transcrito em São Paulo, 24 de agosto de 2009

Carta Testamento de Getúlio Vargas (24/08/1954)

Hoje faz 55 anos que Getúlio Vargas se suicidou, deixando ao país sua “Carta Testamento”, transcrita a seguir.


Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.

A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

Rio de Janeiro, 23/08/54

Getúlio Vargas

Transcrito em São Paulo, 24 de agosto de 2009 – 55 anos depois

Virginianos

Sou virginiano.

Nasci num 7 de Setembro (aniversário chegando).

Desde pequeno ouço observações de que virginianos são detalhistas, quase maníacos por acertar as coisas de acordo com algum esquema que têm na cabeça.

Não sei se porque ouvi isso desde criança, ou realmente porque virginianos são mesmo assim, ou ambas as coisas, confesso que sou meio maníaco por detalhe. E, às vezes, admito, os detalhes mais bestas.

Alguns exemplos.

Quando coloco as notas de dinheiro no bolso (não uso carteira), elas têm de estar todas arrumadas, do valor maior para o menor, sempre na mesma posição: a cara do mesmo lado (e não de cabeça para baixo). [A propósito, detesto andar com notas de Euros no bolso: cada uma tem um tamanho. É uma desgraça: impossível de arranjá-las direito. Admiro os dólares por sua uni-tamanhicidade].

Quando arrumo chaves em um chaveiro, elas têm de estar todas com a serrinha virada para o mesmo lado e devem obedecer a uma seqüência relacionada da mais usada para a menos usada. Tanto quanto possível, desde que não viole os princípios anteriores, coloco-as também da maior para a menor.

Quando arrumo ternos ou camisas no guarda-roupa, a frente dos ternos ou das camisas tem de estar virada para o mesmo lado – e o ganho do cabide tem de estar virado para o mesmo lado também.

Quando arrumo alguma coisa em uma estante (como, por exemplo, as corujinhas da minha coleção de corujas aqui no sítio), elas têm de estar agrupadas de uma certa forma. (Deixei a Paloma ajeitá-las, recentemente, e, felizmente, ela fez um arranjo bem a gosto do mais exigente virginiano).

Quando vejo um quadro meio tortinho na parede, sinto uma vontade quase irresistível de arrumá-lo – ainda que a parede seja da casa de outra pessoa… Idem em relação a livros ou revistas dispostos na mesa de centro – mesmo que esta seja de uma sala que estou visitando,  ou da sala de espera de um médico ou dentista. Em casa, chego a medir com trena os espaços laterais de um móvel qualquer, que, na minha opinião, deveria estar centrado numa determinada posição, para verificar se são exatamente iguais… As duas pontas do cordão do sapato (as que a gente amarra) têm de ter absolutamente o mesmo tamanho, antes e depois de amarradas… Quando uso gravata (felizmente, agora, coisa rara), a parte de trás da gravata tem de ter um centímetro a menos do que a da frente, para que fique escondidinha… Para não aparecer pelos lados, passo-a por dentro da etiqueta com a marca da gravata…

No Desktop (Área de Trabalho) do Microsoft Windows, tenho sistemas bastante complexos e sofisticados para determinar onde cada ícone deve ficar, quais devem estar também no Launch Pad, e assim por diante. Se alguém mexer, ou se o Windows resolver rearranjar tudo, fico irado (e a ira não é muito santa).

Por falar em computador, lembrei-me dos tempos da máquina de escrever. (Se houver alguma criança lendo, uma máquina de escrever era algo assim parecido com um computador, só que aquilo que a gente digitava já ia sendo impresso direto, na hora – um grande barato!). Apesar de nunca ter feito curso de datilografia, minhas linhas tinham de ser todas justificadas à direita – ainda que tivesse de ficar contando os espaços restantes na linha para conseguir que o fim da palavra, ou o fim de uma sílaba, mais o hífen, ficassem certinhos no último espaço disponível em cada linha… Se errasse nesse esforço, ou se cometesse algum erro de datilografia (crianças: leia-se, digitação), ainda que fosse no finzinho da página, arrancava o papel e digitava tudo de novo… Por aí se pode ver por que sou grato aos computadores e a Microsoft Word… Sai tudo justificadinho, sem que eu precise ficar contando os espaços faltantes, um erro pode ser corrigido com facilidade, antes de imprimir, e ninguém percebe que ele existiu!

E assim vai.

Não é fácil ser virginiano. Até minha bagunça tem sua própria ordem. Meu escritório pode parecer absolutamente ilógico ao não-virginiano, mas tem sua lógica: se alguém mexer em algo, imediatamente percebo.

Mas não lamento. Se pudesse nascer de novo, e tivesse direito de escolha, escolheria ser virginiano – nascido mais uma vez no dia 7 de Setembro. Só que às 12h, exatamente no meio do dia, e não às 21h45, como nasci desta vez.

[PS. No site de Horóscopo de Rick Levine (http://www.tarot.com), diz-se isso, de forma genérica, acerca de virginianos:

“The Virgin is highly discriminating, but not necessarily as prudish at some might believe. In ancient times, a Virgin was a woman who was not the property of man, and therefore had the legal right to just say "no." Now, in modern times, you Virgos are known for your ability to be highly discriminating — especially when it comes to matters of personal desire. When you are ready, however, to say yes, the laser-like focus of your passion is anything but prudish.

You Virgos have the uncanny sense to see what’s wrong with a person, a situation or your environment. It’s why you make such natural critics. Your practical analytical abilities are second to none. Your mental process may not be the most creative, but your razor-like thinking is highly effective. Like the maiden pictured in your glyph, you separate the useful wheat from the unneeded chafe, the good from the bad. You might be a "clean freak," but most Virgos have a messy closet somewhere or a disaster under their bed.

Your motto could be "Perfect is almost good enough." On one hand, this trait makes you very employable, for you’re not likely to do shabby work. On the other hand, you can be so finicky that you put limitations on your interactions and experiences before they happen. You’ll be happier if you can learn to be selectively less critical, both of others and yourself.”

Apesar de haver uns trechos que eu preferisse que não fossem revelados, considero esse relato elogioso…]

[Agradeço às inúmeras respostas a uma versão anterior deste post republicada (por RSS) no FaceBook – todas elas muito simpáticas, se bem com algumas assim meio beirando à condescendência…]

Em Salto, 20 de Agosto de 2009 (modificado um pouco no dia seguinte).

19 de agosto de 1967

No dia em epígrafe (como se diz em burocratês) fiz minha primeira viagem para os Estados Unidos (na verdade, minha primeira viagem para o exterior). Voei num Boeing 707 da PanAm, que saiu de Viracopos, em Campinas (era o aeroporto velho, decrépito), parou no Galeão, no Rio (era o aeroporto velho ainda, também decrépito), e foi para o Aeroporto Kennedy, em Nova York. De Nova York peguei um vôo da TWA (TransWorld Airlines) para Pittsburgh. Tanto a PanAm como a TWA sobrevivem apenas In Memoriam.

Essa minha primeira viagem aos Estados Unidos foi longa – durou sete anos. Só voltei de lá no dia 7 de junho de 1974, para vir trabalhar na UNICAMP. No interim só saí dos Estados Unidos umas duas ou três vezes para ir ao Canadá. Fiquei nos Estados Unidos esse tempo todo, sem voltar para o Brasil sequer uma vez, porque os tempos eram outros: eu era um estudante sem dinheiro e o preço das passagens aéreas (e mesmo dos telefonemas internacionais) era proibitivo… E o mar aqui no Brasil de 1967 a 1974 não estava pra peixe… 😦

Faz, hoje, portanto, quarenta e dois anos que saí do Brasil para estudar, porque as portas se fechavam para mim por aqui. Muitos ainda saem do país hoje, porque portas diferentes se lhes fecham.

Antes desse dia, eu estudava (e trabalhava) aqui no Brasil.

Meu primeiro emprego na vida foi iniciado no dia 2/1/1959 – eu tinha quinze anos (ainda era “de menor”, portanto) e nesse dia comecei a trabalhar como escriturário no Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S/A (INCO), que tinha matriz em Itajaí, na filial de Santo André, na Rua General Glicério, no rumo da estação do trem.

No ano de 1959 eu cursava a quarta série do Ginásio (equivalente à oitava série ou nono ano do Ensino Fundamental de hoje). Quase perdi o ano, porque tinha de ficar depois do expediente no banco “procurando diferenças” entre a contabilidade e o caixa…

Trabalhei cerca de nove meses no INCO e me transferi, em Outubro de 1959, quando já tinha dezesseis anos, para a Companhia Swift do Brasil S/A, em Utinga, bairro de Santo André, onde fui contratado como Faturista e, depois, promovido para Analista de Custos.

Registre-se que em 1960 comecei a fazer o curso Científico (Ensino Médio para aqueles que pretendiam seguir carreiras na área de Ciências Exatas e Engenharias), mas desisti no meio do ano. Não era minha praia.

Só saí da Swift porque me senti chamado para estudar para o ministério – queria ser pastor. Depois de conversar com meus pais, decidi ir fazer o curso Clássico (Ensino Médio para aqueles que pretendiam seguir carreiras na área de Filosofia, Letras, Artes e Ciências Humanas) no Instituto José Manuel da Conceição (Instituto JMC), em Jandira, SP. (Vide meu site http://www.jmc.org.br/, para uma idéia dessa escola…). Fui para o JMC em Fevereiro de 1961.

Concluído o Curso Clássico (Ensino Médio), no final de 1963, fui, no início de 1964, para o Seminário Presbiteriano do Sul (SPS), em Campinas, também conhecido como Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana do Brasil. Minha festa de calouro estava agendada para o fatídico dia primeiro de abril de 1964. Não é preciso dizer que foi cancelada…

O curso de Teologia, no Seminário de Campinas, durava cinco anos – dois anos do chamado “Pré-Teológico”, onde a gente estudava Filosofia, Sociologia, Grego, Hebraico, etc., e três do “Teológico” propriamente dito (História da Igreja, Teologia Sistemática, Teologia do Velho e do Novo Testamento, etc.). Eu, como bom aluno que sempre fui, puxei, para os dois primeiros anos, algumas matérias dos anos posteriores.

Estudei no Seminário de Campinas de 1964 até o meio do ano de 1966 – quando fui expulso do Seminário (com mais setenta e tantos alunos – só sobraram quinze alunos lá). As razões da expulsão explicarei a seguir.

Como explicação preliminar é preciso dizer que, com uma ou duas exceções, o corpo docente do Seminário era muito conservador, tanto teológica quanto politicamente, e entre os alunos havia alguns (admitidamente, uma minoria) que chegavam a ser extrema e ignorantemente reacionários (novamente, tanto no plano teológico quanto no político) – umas verdadeiras antas. Sendo essa a situação dentro do Seminário, é bom que registre que, pessoalmente, foi, a médio e longo prazo, uma sorte tremenda ter sido expulso de lá em junho de 1966 – embora naquele momento eu não pudesse perceber isso.

As razões de minha expulsão foram basicamente duas:

(a) defender teorias não muito ortodoxas acerca da religião e da teologia cristã (especialmente as propostas por Rudolf Bultmann, que me pareceram persuasivas, à época);

(b) por publicar, no jornal do Centro Acadêmico, do qual em 1966 eu fui fundador e era editor e redator, e que tinha o provocante nome de “O CAOS em Revista” (visto que o nome do Centro Acadêmico era “Oito de Setembro”, data da fundação do Seminário), críticas admitidamente violentas aos corpo docente do Seminário e defesas apaixonadas, baseadas no livro On Liberty, de John Stuart Mill, do direito à liberdade de pensamento e de expressão, em especial dentro de uma instituição que se pretendia de ensino superior.

Meu liberalismo data daí. Os cinco primeiros artigos que escrevi chegaram a ser publicados mas as edições foram imediatamente confiscadas (“empasteladas”) pela Reitoria do Seminário (Rev. Júlio de Andrade Ferreira, Reitor); no caso dos outros dois, a Congregação do Seminário havia instituído a censura prévia e as peças foram cortadas antes de serem publicadas. Na verdade, o jornal inteiro de Junho de 1966 foi censurado.

Assim, minha carreira de jornalista foi abruptamente interrompida sem que sequer uma das peças que escrevi tivesse sido normalmente distribuída.

[Esse episódio está descrito em mais detalhe no post “Quarenta Anos depois do CAOS: 1966-2006”, aqui neste space].

Estando fora do Seminário, o Presbitério Paulistano, ao qual eu estava vinculado, debaixo da tutoria de meu pai, prontamente cortou minha bolsa. Resultado: sem dinheiro, procurei emprego nas empresas de Campinas e imediatamente achei um, como Analista de Custos, na Robert Bosch do Brasil Ltda. [Como dito, eu já havia sido Analista de Custos na Companhia Swift do Brasil S/A, no auge de meus dezesseis anos…]

Trabalhei na Bosch por oito meses (de Julho de 1966 a Fevereiro de 1967), e nesse tempo juntei dinheiro suficiente para ir estudar na escola de meus sonhos, a Faculdade de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (Evangelische Kirche Lutherischen Bekenntnisses in Brasilien), em São Leopoldo, RS, a melhor faculdade de teologia do Brasil na época (talvez até hoje). 

A faculdade luterana me aceitou, desafiando diversos tipos de pressão. Aparentemente, para eles, minha expulsão do Seminário de Campinas funcionava como excelente recomendação. Sou imensamente grato ao Rev. Leopoldo Weingärtner, então deão da faculdade, por ter se disposto a enfrentar a “ira santa” (e mesmo a não tão santa) da liderança da Igreja Presbiteriana do Brasil, em especial a do Presbitério Paulistano, ao me aceitar em São Leopoldo.

No entanto, sem o apoio financeiro do meu presbitério, eu não tinha dinheiro suficiente para custear minha permanência no Morro do Espelho (Spiegelberg) em São Leopoldo,  por mais de um semestre. As despesas envolviam “tuition and fees, room and board, and books” (como dizem os americanos) – isto é: mensalidades e taxas da escola, hospedagem e alimentação, e livros. Mesmo assim, fui para lá, com meus próprios recursos (poupança dos oito meses de trabalho na Bosch) e com alguma ajuda financeira da Igreja Presbiteriana do Jardim das Oliveiras, em São Paulo (Alameda Jaú), capitaneada então pelo Rev. José Borges dos Santos Júnior, que havia passado para a oposição dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil. Sou grato a ele, mas ele não figura entre a minha santíssima trindade de meus pastores – santos protetores (como se verá).

Em São Leopoldo eu acrescentei, de março a junho de 1967, mais um semestre à minha formação teológica, que lá completou três anos — mas não concluí o curso teológico de graduação.

Em São Leopoldo, Bultmann (que era Luteraníssimo) era bem aceito. O tempo que passei lá ajudou bastante no desenvolvimento do meu domínio da língua alemã (que eu estudava desde o primeiro ano no Seminário de Campinas), porque todas as aulas eram ainda em alemão, naquela época.

O ambiente intelectual fornecido pelo Seminário Luterano de São Leopoldo era bastante salutar e estimulador – muitíssimo diferente do ambiente em Campinas. Lá se esperava que as pessoas diferissem em pontos de vista, em doutrina, em princípios de moralidade. A despeito disso, ou, mais provavelmente, por causa disso, meus laços pessoais com a igreja institucional começaram a terminar ali, e com a religião, minhas convicções religiosas, em geral, enfraqueceram bastante, mais ou menos durante o período em que eu estive em São Leopoldo – sem maiores traumas e, para dizer a verdade, até com um certo senso de alívio. Meu interesse na religião como fenômeno social e na teologia como disciplina intelectual continuam, entretanto, até hoje.

Enquanto em São Leopoldo tive a sorte de receber uma bolsa completa, de três anos, para fazer o Mestrado em Teologia no Pittsburgh Theological Seminary (PTS), de Pittsburgh, PA, EUA. Pode parecer estranho que eu, sem ter concluído meu curso de graduação, recebesse um convite e uma a bolsa para fazer o mestrado. Mas o Conselho Estadual de Educação, depois de analisar toda a minha vida escolar, me declarou apto para prosseguir meus estudos no estado no nível da pós-graduação nos Estados. [A primeira de várias coisas improváveis que aconteceram na minha vida a partir desse ponto… Um pequeno milagre? Houve vários outros.]

Para pode usufruir a bolsa solicitei uma bolsa de viagem ao National Council of the Churches of Christ in the United States (NCCCUS), e tive a felicidade de vê-la concedida. A bolsa no PTS foi obtida através dos esforços do Prof. Dr. Rev. Gordon Eugene Jackson, então Deão Acadêmico daquela escola, e hoje um querido amigo, e uma fonte constante de inspiração. A bolsa de viagem do NCCCUS foi obtida através dos esforços do Rev. Dr. Aharon Sapsezian, então Secretário Executivo da Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE), e hoje um outro amigo muito caro (vivendo em Genebra, Suíça, a terra adotada por João Calvino). O Aharon não só me sugeriu que solicitasse a bolsa ao NCCCUS, mas envidou os maiores esforços para que ela fosse concedida. Expresso publicamente aqui minha gratidão a esses dois grandes amigos. [Acredito que o Rev. Jackson, que, quando do meu retorno ao Brasil em 1974, enfrentava séria luta contra o câncer, não esteja mais vivo].

Foi com a bolsa de viagem arrumada pelo Aharon que pude viajar para os Estados Unidos naquele 19 de Agosto de 1967.

Enquanto no PTS, de meados de 1967 até meados de 1970, obtive meu Mestrado em Teologia, na área da História do Pensamento Cristão (conclusão: Maio de 1970). Lá tive o privilégio de estudar com estrelas intelectuais como Dietrich Ritschl (neto do grande teólogo liberal alemão do século XIX, Albrecht Ritschl, e ele próprio um grande especialista na história do pensamento europeu moderno), que me fez interessado para sempre na história intelectual; Ford Lewis Battles (especialista em pensamento medieval, na Renascença e na Reforma, especialmente em João Calvino, sendo o autor da melhor tradução para o Inglês das Institutas da Religião Cristã), que quase me convenceu a tornar-me um historiador medieval; Markus Barth (filho do grande teólogo suíço do século XX, Karl Barth), cujas aulas eram tão precisas que a gente o tomaria por alemão, e tão claras, que a gente o tomaria por francês; Hans Eberhard von Waldow (que havia ensinado em São Leopoldo antes de ir para Pittsburgh), que, por incrível que pareça, conseguia fazer a História do Antigo Israel parecer viva e interessante; George H. Kehm (professor de teologia sistemática), que me fez seu assistente didático e de pesquisa quando entrei no doutorado; e vários outros (Ronald Stone, Walter Wiest, John Gerstner, Robert Paul, Douglas Hare). Minha média durante o mestrado foi suficientemente boa para que eu recebesse sete prêmios e bolsas ao final dos meus três anos no PTS, uma das quais era para cursar o doutorado em área de minha escolha.

Assim, em Setembro de 1970 entrei na University of Pittsburgh (Pitt), também em Pittsburgh, PA, EUA, para começar o meu Ph.D.. O foco principal de meus estudos foi a História da Filosofia Moderna, especialmente no século XVIII, pois eu estava interessado em epistemologia e Pitt era a melhor universidade americana na área de epistemologia, lógica e filosofia da ciência naquela época. Eu, naturalmente, ainda mantinha (como mantenho até hoje) meu interesse na epistemologia da religião. Esses dois interesses, na epistemologia da ciência e da religião, fizeram-me gravitar para William W. Bartley, III, professor titular do Departamento de Filosofia, cuja obra publicada lidava com esses dois assuntos (em especial, The Retreat to Commitment, publicado em 1962).

Em relação a Bill Bartley, depois de estudar teologia por algum tempo em Harvard, Bill Bartley foi para a London School of Economics (LSE), em Londres, Inglaterra, para estudar com Karl Raymund Popper. Ele oportunamente se tornou o discípulo amado de Popper – mas depois se desentenderam seriamente (no plano pessoal, não no plano das idéias). Depois do desentendimento, eles voltaram a manter relações de amizade e colaboração bastante estreitas, tendo Bill Bartley sido ungido para a invejada tarefa de gerenciar todo o legado intelectual de Popper (e, depois, também de Friedrich von Hayek). Assim sendo, fui, no doutorado, virtualmente constrangido a ler tudo que Popper tinha publicado, e mesmo alguns trabalhos então ainda inéditos (mas aos quais Bill Bartley tinha acesso e dos quais, depois, se tornou o editor, na versão impressa). À vista disso creio que posso, por direito, considerar-me neto intelectual de Popper — com quem tive o privilégio de trocar algumas cartas em meados da década de 70. A morte prematura de Bill Bartley em 1990 (5 de Fevereiro) roubou-me um pai intelectual e um grande amigo e foi motivo de grande tristeza. A morte de Popper em 1994 também foi grandemente sentida – embora não tenha sido prematura (ele nasceu em 1902). (A relação entre Popper e Bartley é bem e corretamente descrita em um artigo interessante de Mariano Artigas The Ethical Roots of Popper’s Epistemology)

Sob a orientação firme de Bill Bartley concluí meu doutorado em tempo recorde, em Agosto de 1972. Fiz dezoito disciplinas, obtendo o conceito máximo nelas. Terminei o doutorado com GPA de 4.0 (os pontos do Grade Point Average iam de 0 a 4). Minha tese teve o título de “David Hume’s Philosophical Critique of Metaphysics and its Significance for the History of Christian Thought”. Foi um catatau de 615 páginas. Por mim eu teria continuado polindo o que eu esperava fosse tornar minha obra prima, mas Bill não me deixou, virtualmente me obrigando a entregar a tese na forma em que se encontrava.

Em Pitt também tive o privilégio de estudar com Wilfrid Sellars, que foi o membro sênior de minha Banca de Doutoramento. Na home page dedicada a ele na University of Chicago, Keith Lehrer (filósofo bem conhecido) diz que “Sellars [foi] um dos mais importantes filósofos do século, talvez de todos os séculos”. Ele era também um professor fabuloso. Meu primeiro curso com ele foi um Seminário sobre Metafísica e Epistemologia. Depois fiz seu famoso seminário sobre Kant. Os cursos eram tão bons que eu comecei a freqüentar tudo que era curso que ele dava, até mesmo, como ouvinte, alguns cursos introdutórios em nível de graduação (sobre Empirismo Britânico e sobre Filosofia Analítica, por exemplo). A maior parte do que eu sei sobre filosofia analítica aprendi com ele. Outros bons professores que tive em Pitt foram Nicholas Rescher (Lógica e Epistemologia), Richard Gale (Metafísica, Filosofia do Tempo, Filosofia Analítica), Kurt Baier (Ética), Joseph Kemp (Empiristas Britânicos), e Marilyn Frye (Kant). Olhando para trás posso ver porque o Departamento de Filosofia de Pitt era considerado o melhor do país naqueles anos.

Depois de receber meu Ph.D. fui contratado para lecionar filosofia, primeiro pela California State University at Hayward, em Hayward, CA, EUA (1972-1973), e, no ano seguinte, pelo Pomona College, um dos “colleges” do complexo chamado Claremont Colleges, em Claremont, CA, EUA (1973-1974). Felizmente, naquela época as normas do politicamente correto ainda não imperavam no cenário acadêmico americano.

Enquanto trabalhava em Pomona tive uma das experiências intelectuais mais excitantes de minha vida: ler Ayn Rand pela primeira vez. A experiência fez de mim uma pessoa diferente. Sou para sempre grato ao meu colega de Pomona, Charles J. King, depois presidente do Liberty Fund, por recomendar que eu lesse Atlas Shrugged  (Quem é John Galt?, em português). Desde aquele momento, em 1973, Ayn Rand se tornou minha mentora intelectual, ética e política, embora meu relacionamento com ela nunca tenha tido o fervor quase-religioso daqueles para quem Objetivismo, mais do que uma filosofia, é um culto – quando encontrei Ayn Rand eu já tinha tido minha experiência religiosa há muito tempo. Mas Ayn Rand permanece até hoje como a influência mais forte e mais permanente sobre o meu pensamento metafísico, epistemológico, ético, político e até mesmo estético.

Como já disse, no todo passei sete anos nos Estados Unidos (Agosto de 1967 a Junho de 1974), sem voltar ao Brasil sequer uma vez. O clima político no Brasil durante esses anos era tão inóspito que eu dificilmente teria me arrependido de ter passado todo esse tempo fora, ainda que esses anos não houvessem sido os mais frutíferos de minha vida, do ponto de vista intelectual.

Em Junho de 1974 retornei para o Brasil para lecionar na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em Campinas, SP, da qual me aposentei no final de 2006, depois de trinta e dois anos de trabalho na área de Epistemologia, Filosofia Política e Filosofia da Educação (e, de vez em quando, de Tecnologia e Educação). Por uns tempos, na década de oitenta, envolvi-me com administração universitária e até mesmo com política acadêmica.

E com minha aposentadoria, chego perto dos dias atuais (ainda que pulando uma grande quantidade de anos… )

Não creio que tenha havido um ano sequer, desde 1967, que tenha deixado de me lembrar, com imensa gratidão, no dia 19 de Agosto, que aquele dia representava, para mim, um salto qualitativo na minha carreira e na minha vida, talvez até mesmo uma libertação de um mundo para outro. Naquele dia, há quarenta e dois anos, deixei meu país, fiquei sem ver minha família por sete anos seguidos, fui morar num país estranho, falando uma língua que não era a minha, tudo em busca de um sonho que, aqui no Brasil, havia abortado. Sem a ajuda de instituições e de amigos dentro dessas instituições, e, talvez, de um bocado de sorte (ou ações da providentia divina specialissima), não teria conseguido isso. Desse fato nunca me esqueço. Quase me esqueci, por um tempo. Mas, felizmente, voltei a ver as coisas em perspectiva.

Dos amigos que me ajudaram, três eram pastores: os Revs. Leopoldo Weingärtner, Gordon Eugene Jackson e Aharon Sapsezian. Isso é significativo. O único que não era pastor era Bill Bartley – mas ele também fugiu do chamado, como eu… Creio que o Aharon, sobre o qual escrevi recentemente um post aqui neste space, é o único desses quatro que continua vivo. É o meu amigo mais querido. Hang in there, my good friend!]

Enfim, aqui estou. Mais uma vez celebrando um evento importante – e improvável – em minha vida. E me revelando agradecido a tantos… Inclusive a quem não nomeei mas que sabe que está na lista.

Em Salto, 19 de agosto de 2009

Administrar o Tempo é Planejar a Vida, v.2 (2009)

[Minha amiga Jennifer Corriero, mulher de meu mais amigo ainda Michael Furdyk, escreveu no Facebook hoje, 14/08/2009: “As decisões mais importantes da vida estão relacionadas a como nós escolhemos usar o nosso tempo”.

Concordo – e acrescento algo… À medida que ficamos mais velhos, e o tempo se torna, para nós, uma “commodity” cada vez mais escassa, a afirmação da Jennifer Corriero se torna mais verdadeira ainda (como se o pudesse). Conseqüentemente, administrar o tempo se torna, nessas condições, vitalmente essencial.

Por isso, estou transcrevendo (mais uma vez, com pequenas correções e melhorias), um artiguete que escrevi sobre o tempo (“Administrar o Tempo é Planejar a Vida”) que é o texto mais bem sucedido que jamais produzi. Ele hoje está disponível em dezenas de lugares (jornais, revistas, e em um sem número de sites na Internet).

Aqui vai o texto atual do artiguete:

Quem escreve sobre a administração do tempo geralmente o faz, não porque seja especialista na questão, mas, sim, porque quer aprender mais sobre o assunto. Pelo menos foi esse o meu caso. Vou relatar aqui algumas de minhas descobertas, como roteiro para a (possível) leitura do texto maior do qual este é um resumo (*).

1) Administrar o tempo não é uma questão de ficar contando os minutos dedicados a cada atividade em que nos envolvemos: é uma questão de definir prioridades. Provavelmente (numa sociedade complexa como a nossa), NUNCA vamos ter tempo para fazer tudo o que precisamos e desejamos fazer. Administrar o tempo é ter clareza sobre o que, para nós, é mais prioritário, dentre as várias coisas que precisamos e desejamos fazer, e tomar providências para que o mais prioritário seja feito – com plena consciência de que o resto provavelmente nunca vai ser feito (mas tudo bem: as coisas que compõem o resto, neste caso, não são prioritárias, ou não são tão prioritárias quanto aquelas que de fato fizemos).

2) Dentre as coisas que vamos listar como prioritárias, algumas estarão na lista porque nos são importantes, outras porque nos são urgentes. Assim, o prioritário é composto do importante e do urgente. É razoável supor que algo que não é NEM importante NEM urgente não estará na lista das maiores prioridades de ninguém. E, também, que a lista de todo mundo conterá coisas que são IMPORTANTES ao lado de coisas que são URGENTES. Não resta a menor dúvida de que as coisas que são ao mesmo tempo importantes E urgentes devem ser feitas imediatamente, ou, pelo menos, na primeira oportunidade. Poucas pessoas questionarão isso. O problema surge com coisas que consideramos importantes, mas que não são tão urgentes, e com coisas que são urgentes, mas às quais não damos muita importância.

3) Digamos que você considere importante ficar mais tempo com sua família do que você atualmente consegue ficar. Por outro lado, você tem de trabalhar x horas por dia – onde x é um número relativamente flexível, sobre o qual você tem razoável controle. Se, para você, trabalhar é mais importante do que ficar com a sua família, o problema está resolvido: você trabalha, mesmo que isso prejudique a convivência familiar. Mas e se o trabalho não é mais importante para você do que a convivência familiar? Nesse caso, provavelmente o trabalho é urgente, no sentido de que tem de ser feito, pois doutra forma você pode ser demitido (ou perder clientes, se for autônomo ou empresário) e pode vir a ter dificuldades para manter sua família (embora, sem trabalho, provavelmente vá poder passar mais tempo com ela…).

4) É nesse conflito entre o importante e o urgente que a maior parte de nós se perde, e por uma razão muito simples: algumas das tarefas que temos de realizar não são selecionadas por nós, mas nos são impostas. Isto é: não somos donos de todo o nosso tempo. Quando aceitamos um emprego, por exemplo, estamos, na realidade, nos comprometendo a ceder a outrem parte do nosso tempo (e, também, o nosso esforço, a nossa capacidade, o nosso conhecimento, etc.). Este é um problema real e de solução difícil: Não temos, em relação ao nosso tempo, toda a autonomia que gostaríamos de ter.

5) Acontece, porém, que geralmente usamos mal o tempo que dedicamos ao trabalho (e, por isso, temos de fazer hora extra ou trazemos trabalho para casa), ou até mesmo o tempo que passamos em casa e que poderia se considerado tempo de lazer. Usar mal o tempo QUER DIZER o seguinte: muitas vezes usamos o nosso tempo para fazer o que, tanto no trabalho como em casa, não é nem importante nem urgente para nós, mas apenas ou algo que sempre fizemos, pela força do hábito, ou, então, algo que nos foi solicitado e não tivemos coragem de dizer “NÃO”.

6) Alguém me disse, quando eu era criança, que a gente nunca deveria abandonar a leitura de um livro, por pior que ele fosse. Que bobagem! Mas até que descobri que isso era uma bobagem, desperdicei muito tempo terminando de ler coisa intragável e que de nada me serviu – por causa desse malfadado conselho! Por outro lado, uma vez me peguei dizendo à minha família que não poderia fazer algo (não me lembro exatamente o quê) domingo de manhã porque precisava ler os jornais. Eu lia, religiosamente, a Folha e o Estadão (principais jornais de São Paulo) aos domingos de manhã – e, no domingo, esses jornais são enormes! Lia por hábito. Achava que um professor tem de se manter informado. Mas quando disse que “precisava” ler os jornais me dei conta de que realmente não precisava lê-los. Perguntei-me o que de pior poderia me acontecer se eu não lesse os jornais… e NADA, foi a resposta que, honestamente, tive de dar. Se houvesse algo importante nos jornais provavelmente ficaria sabendo pelo noticiário da TV, ou pela VEJA (revista semanal). Mas daí me perguntei: e preciso ler a VEJA todas as semanas? Resposta: não. Existe algo que eu prefiro ler ou fazer naquelas manhãs de domingo que eu ganhei deixando de ler a Folha, o Estadão e a VEJA? Claro, muitas coisas – PARA AS QUAIS EU ANTES NÃO TINHA TEMPO. Ganhei as horas dos jornais, ganhei as horas da VEJA, fui ganhando uma horinha aqui outra ali, para as coisas que eu realmente queria fazer há muito tempo e para as quais não encontrava tempo (isto é, achava que não tinha tempo)…

7) Outras vezes não é a força do hábito que nos atrapalha, mas nossa incapacidade de dizer “NÃO”. Recusar um pedido de alguém de quem você gosta, ou a quem admira, a quem, portanto, não gostaria de desagradar, é uma das coisas mais difíceis da vida. (Estou pressupondo aqui que não se trata de seu chefe, que não pede, manda…) Mas nunca vamos conseguir administrar bem o nosso tempo, i.e., as nossas prioridades, se rotineiramente dermos aos outros (que não o nosso chefe no trabalho) o poder de determinar a nossa agenda. Admiro os que, mesmo diante de um pedido cativante de alguém a quem amam ou respeitam, são capazes de dizer: “Sinto muito, não posso. No momento estou dando atenção às minhas prioridades” – e as prioridades, no caso, podem até envolver ficar descansando, sem fazer nada, ou terminar de ler um romance cuja leitura nos é importante.

8) Administrar o tempo é ganhar autonomia sobre a nossa vida, não é ficar escravo do relógio. Administrar o tempo é uma batalha constante, que tem de ser ganha todo dia. Se você quer ter a autonomia de decidir pas
sar mais tempo com a família, ou sem fazer nada, ou nas leituras há tempo postergadas, você tem de ganhar esse tempo deixando de fazer outras coisas que são menos importantes para você. Em última instância, pode ser que você até tenha até de, eventualmente, arrumar outro emprego ou outra ocupação – ou de reduzir suas horas de sono.

9) O tempo é distribuído entre as pessoas de forma bem mais democrática do que muitos dos outros recursos de que nós dependemos (como, por exemplo, a inteligência, a capacidade de trabalho, o dinheiro). A menos que se trate do último dia de nossas vidas, todos os dias cada um de nós recebe exatamente 24 horas: nem mais, nem menos. O rico não recebe mais horas no dia do que o pobre, o professor universitário recebe o mesmo número de horas que o apedeuta; o executivo e o operário recebem quantidades de tempo exatamente idênticas a cada dia. Entretanto, apesar desse igualitarismo (que, convenhamos, não existe em relação à inteligência, à capacidade de trabalho, ao dinheiro), uns conseguem realizar uma grande quantidade de coisas num dia e outros, ao final do mesmo dia, têm o sentimento de que o dia se esvaiu e não fizeram nada. A diferença é que os primeiros percebem que o tempo, apesar de democraticamente distribuído, é um recurso altamente perecível. Um hora perdida hoje (perdida no sentido de que não realizei nela o que precisaria ou desejaria realizar) não é recuperada depois: é perdida para sempre. O mesmo vale para um dia, uma semana, um mês, um ano.

10) Há os que afirmam, hoje, que o recurso mais escasso na nossa sociedade não é dinheiro, não são matérias primas, não é energia, não é nem mesmo inteligência: é tempo. O tempo é o luxo do século XXI. Mas tempo se ganha, ou se faz, fundamentalmente de duas maneiras:

a) deixando de fazer (se possível, delegando) as coisas que não são nem importantes nem urgentes;

b) concentrando as prioridades nas coisas que são importantes e/ou urgentes.

11) A questão da delegação aponta para o fato de que, apesar de o rico ter a mesma cota diária de tempo do que o pobre, o rico tem uma enorme vantagem sobre o pobre: ele pode, mediante pagamento, contratar o tempo de terceiros. O assistente, a secretária, o motorista do carro ou o piloto do helicóptero, o mordomo, os empregados domésticos, todos eles são contratados (em geral para cuidar das urgências) a fim de que os que os contratam possam ter mais tempo para dedicar ao importante (importante, naturalmente, para eles). Mas mesmo os mais pobres delegam – como, por exemplo, quando a mãe manda a menina limpar a casa ou o pai manda o menino ir comprar alguma coisa de que ele precisa para fazer o seu trabalho.

12) Quem tem tempo não é quem não faz nada: é quem consegue administrar o tempo que tem de modo a poder fazer aquilo que precisa e que deseja fazer. Por outro lado, ser produtivo não é equivalente a estar ocupado. Há muitas pessoas que ficam ocupadas o dia inteiro exatamente porque são improdutivas – não sabem onde concentrar seus esforços e, por isso, ciscam aqui, ciscam ali, mas nunca produzem nada. Ser produtivo é, em primeiro lugar, saber administrar o tempo, ter sentido de direção, saber aonde se vai.

13) Administrar o tempo, em última instância, é planejar estrategicamente a nossa vida. Para isso, precisamos, em primeiro lugar, saber aonde queremos chegar (definição de objetivos): onde quero estar, o que quero ser, daqui a 5, 10, 25, 50 anos? O segundo passo é começar a “estrategiar”: transformar objetivos em metas (com prazos e quantificações) e decidir, em linhas gerais, como as metas serão alcançadas. O terceiro passo é criar planos táticos: explorar as alternativas específicas disponíveis para chegar aonde queremos chegar, escolher fontes de financiamento (emprego, em geral, é fonte de financiamento), etc. Em quarto lugar, fazer o que tem de ser feito: agir. Durante todo o processo, precisamos estar constantemente avaliando os meios que estamos usando, para verificar se estão nos levando mais perto de onde vamos querer estar ao final do processo. Se não, troquemos de meios (procuremos outro emprego, por exemplo).

14) Mas tudo começa com uma verdade tão simples que parece uma platitude: se você não sabe aonde quer chegar, provavelmente nunca vai chegar lá – por mais tempo que tenha.

15) Quando o nosso tempo termina, acaba a nossa vida. Não há maneira de obter mais. Por isso, tempo é vida. Quem administra o tempo ganha vida, mesmo vivendo o mesmo tempo. Prolongar a duração de nossa vida não é algo sobre o qual tenhamos muito controle. Aumentar a nossa vida ganhando tempo dentro da duração que ela tem é algo, porém, que está ao alcance de todos. Basta um pouco de esforço e determinação.

(*) Este artiguete é resumo, feito em 1998, de um livreto, Administração do Tempo, que escrevi em 1992. O texto foi levemente revisado dez anos depois, em 2008, e, novamente, agora, em 2009. De tudo o que escrevi este é o texto que mais repercussão teve. Já foi reimpresso dezenas de vezes em revistas, jornais e sites – e já fui chamado a dar uma dezena de entrevistas sobre o tema, até para revistas do porte de Você S/A.

Transcrito em Salto, 14 de Agosto de 2009