Vicky Cristina Barcelona

Assisti ontem à noitinha (no Shopping que fica em frente ao Conjunto Nacional, onde fica a Livraria Nobel de meu amigo Nivaldo Cordeiro) ao último filme dirigido por Woody Allen (com o título acima): a história de duas amigas americanas (Vicky – representada por Rebecca Hall, virtualmente desconhecida, e Cristina – representada por Scarlett Johansson, a nova musa de Woody Allen). Contracenam com as duas Chris Messina e Penelope Cruz – ambos muito bem em seus papéis. 

Recomendo. 

A história é bem bolada – Woody Allen além de diretor é o roteirista, e, sendo a história original, é, na verdade, o autor de uma história bastante interessante. Os diálogos são “sharp”, os personagens bem desenhados e representados. O contraste entre Vicky e Cristina é traçado em linhas fortes, mas não escapa da realidade: a primeira é a certinha, a outra a ousada… Os personagens representados por Messina e Cruz às vezes beiram o exagero, mas sem cair nele: ele o amante latino irresistível (especialmente para turistas americanas…), ela a amante latina adorável mas terrivelmente temperamental. E o cenário é lindo: Barcelona e Oviedo.

Woody Allen, na minha opinião, fica cada vez melhor à medida que envelhece. Já havia gostado muito de Match Point (de 2005) e, agora, gosto muito deste último filme (de 2008) – ambos com Scarlett Johansson. Entre os dois ela fez, também com Woody Allen, Scoop (de 2006), que eu ainda não vi – além de vários outros filmes com outros diretores.

Repito: vale a pena ver.

Em São Paulo, 26 de Novembro de 2008

Café da manhã em padarias…

Lembro-me do tempo em que as pessoas – em geral homens – de vez em quando tomavam café da manhã em uma padaria. Quase sempre de pé, no balcão, apressados. O café da manhã não passava de um pingado (de café de coador) com um pão com manteiga (nunca na chapa: essa já é moda mais recente).

Isso acontecia quando, por alguma razão, não havia sido possível tomar café em casa. A padaria era uma qualquer, em regra no caminho que se tinha de tomar. Não havia, portanto, compromisso com uma padaria fixa. Era a que estivesse mais à mão.

Hoje a coisa mudou, em especial para a classe média (média-média, com laivos de média-alta).

Aqui perto de casa (na Chácara Klabin) há uma padaria enorme. Na verdade, chamá-la de padaria já parece inadequado, pois é uma padaria com um razoável upgrade, já indicado no seu nome: “Empório dos Pães”. Apesar de sua fachada ter pelo menos uns 30 metros, e de a gente poder estacionar de frente na calçada (em paralelo), não se trata de um estacionamento comum de padaria: ali há, nos momentos de rush (manhã e tarde) valet parking, com os operadores usando aqueles prisminhas coloridos numerados para colocar em cima dos carros a fim de identificá-los. Ontem à noitinha, por exemplo, depois das 20h, tivemos de estacionar há cerca de um quarteirão de distância, porque nem o valet parking dava conta da demanda.

O Empório dos Pães tem de tudo. O mais interessante é que tem uma área de alimentação que é um verdadeiro restaurante, com visão panorâmica e tudo (a vista, devo admitir, não é das melhores: é, em parte, uma vista do Extra da Ricardo Jafet, que fica a pouca distância).

À noitinha, serve-se ali um sofisticado bufê, com sopas, assados, frios, tortas, doces, e, naturalmente, os mais diversos pães. Mas quero falar do que acontece ali de manhã: a padaria está sempre lotada de gente tomando café da manhã. Não são apenas homens: são homens, mulheres, crianças, famílias, casais. Não estão sozinhos, apressados, indo de casa para algum lugar: saíram de casa especificamente para ir tomar café na padaria. Têm tempo. Alguns ali chegam bem depois das 10h. Ficam lá um tempo razoável (como se a padaria fosse um “café” parisiense – só que tomam bem mais do que um café au lait. O café da manhã típico ali tem mais calorias do que a refeição principal da maioria dos brasileiros. Alguns lêem jornal, revista, livro. Outros usam o notebook (em geral há rede wifi em padarias desse tipo). Uns conversam. As crianças se divertem.

O café da manhã virou um happening para a classe média nessas superpadarias chiques. Por isso elas agora precisam ter estacionamentos enormes, valet parking, o escambau.

Ontem cedo, chegamos cedo para uma reunião nos Jardins e tivemos a oportunidade de tomar um café (simples) e uma coca (com gelo e limão) na Meca dessas padarias: A “Benjamin Abrahão”, que tem o “sub-título” de “No Mundo dos Pães: Tradição Há Três Gerações”. (As três gerações cobrem 68 anos). Fomos à filial da José Maria Lisboa, esquina com a Padre João Manuel. Mas a matriz parece ser na Rua Maranhão, em Higienópolis. A padaria foi considerada a melhor da cidade pela Vejinha SP em 2007. Tem um site sofisticado. (Vide http://www.benjaminabrahao.com.br/www/index.htm).

Na Benjamin Abrahão Jardins todo o segundo andar é restaurante. Mas mais interessante do que a padaria em si é a tribo (fauna urbana?) que a freqüenta. Gente sofisticada, de todas as idades. Alguns muito bem vestidos, com roupas esporte de grife, outros caramente vestidos para parecerem desleixados. O olhar, sempre superior – daqueles olhares que olham sem parecer que vêem ninguém (a menos que apareça no campo de visão alguém que interesse…)

Fantástico. Como mudam os costumes. Assim caminha a humanidade.

Se a gente pedir na Benjamin Abrahão um pingado com café de coador e um pão de manteiga na canoa a garçonete provavelmente vai olhar pra gente com ar de desprezo e perguntar: o senhor não prefere um latte com um croissant? Sanduíche de mortadela, então… Talvez cem gramas de mortadela Ceratti esquentada na chapa…

É isso.

Em São Paulo, 21 de Novembro de 2008

Rev. Oscar Chaves, a Igreja Presbiteriana Maranata, e outros elos que se restabelecem em torno de Santo André

A Igreja Presbiteriana Maranata, de Santo André, SP, está comemorando nestes dias (ontem e hoje) seu vigésimo segundo aniversário.

Ela foi fundada pelo meu pai, Rev. Oscar Chaves, nos idos de 1986, em decorrência de uma cisão da Igreja Presbiteriana de Santo André (da Rua 11 de Junho, 868-878), da qual meu pai havia sido pastor por 34 anos (desde 1952).

Depois de se aposentar do ministério pastoral, em 1982, por jubilação (no caso, por ter feito 70 anos), meu pai continuou na Igreja Presbiteriana de Santo André. Nunca recebeu a honra de ser chamado Pastor Emérito da igreja à qual dedicou os melhores anos de sua vida [* o acontecido foi anda pior: vide nota abaixo]. Mas isso não o impediu de continuar ali na igreja, procurando cuidar da vida espiritual (às vezes da vida emocional e até mesmo da vida sem qualificativos) de gente que ele havia batizado, ou de quem havia feito a profissão de fé, ou cujo casamento havia celebrado.

Continuar na igreja depois de aposentado, quando já havia um novo pastor, foi um erro sério que o meu pai cometeu. Explico e justifico.

O novo pastor da igreja, Rev. Evandro Luiz da Silva, escolhido a dedo por meu pai, era uma pessoa voluntariosa, de relacionamento (aparentemente) muito fácil, afável (na superfície), bem falante, bom cantor (consta que, em Ituiutaba, MG, perto de Uberlândia, onde passou sua infância, tenha feito dupla com seu amigo — pelo menos ele assim alardeava –Moacyr Franco). Eu o conhecia bem: havíamos sido colegas no Instituto José Manuel da Conceição, em Jandira, em 1962-1963, e no Seminário Presbiteriano de Campinas, em 1966. Ele foi um dos líderes, no corpo discente do seminário, do movimento que acabou implodindo a escola naquele fatídico ano e 1966, em que acabei expulso do seminário. Descobri-o, naquela ocasião, um verdadeiro Tullius Détritus (personagem do Asterix), semeador de cizânia de primeira. Em 1982 tentei advertir meu pai sobre quem era o Evandro, mas meu pai não me deu ouvidos – eu não tinha muito crédito com ele em relação a questões de política eclesiástica, e meu pai admirava as credenciais teológicas conservadoras do meu ex-colega.

A amizade entre os dois durou pouco. Além dos problemas de rivalidade, que quase sempre aparecem quando duas pessoas de personalidade muito forte compartilham um mesmo território institucional, além da inveja do mais novo ao ver o carinho e a atenção que os membros da igreja dedicavam ao pastor mais velho, embora já aposentado, e outras coisinhas mais, começou a reinar na igreja a intriga e o diz-que-diz-que. O resultado foi outra implosão provocada pelo Evandro: a Igreja Presbiteriana de Santo André se cindiu, e meu pai saiu da igreja, com mais ou menos metade dos membros, e fundou o que então se chamava “Segunda Igreja Presbiteriana de Santo André” numa casa alugada, na Vila Assunção. (Na primeira implosão causada pelo Evandro, em 1966, eu saí do Seminário de Campinas; na segunda, vinte anos depois, o meu pai saiu da igreja em que havia estado por 34 anos).

Imagino a tristeza por que passou meu pai, quando deixou para trás tudo o que havia construído ali na Rua 11 de Junho. Chegara, em 1952, para pastorear uma igreja pequena, modesta. Nos 34 anos que ali ficou a igreja se tornou grande, pujante, animada. Ele construiu o novo templo e o edifício de educação religiosa. Era admirado por todos, tinha ali muitos amigos. Agora, resolve sair, deixar tudo para trás, olhar para frente, e começar tudo de novo, em 1986. Ele tinha 73/74 anos quando isso aconteceu. Mas não hesitou em começar de novo.

Naturalmente, magoou-o o fato de que muitos membros da velha igreja, que ele tinha na conta de amigos e aliados, decidiram permanecer lá e, assim, não o acompanharam. Mas alegrou-o o fato de que muitos outros, que ele não esperava que saissem, vieram com ele para a nova igreja. Na minha própria família houve defecções. Minha irmã mais nova, Eliane, não ficou na nova igreja, mas se transferiu para a Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Santo André, logo depois da cisão – e está lá até hoje. Mas meu irmão, Flávio, é presbítero da nova igreja até hoje.

A segunda igreja logo comprou um terreno e, mais uma vez, meu pai começou o trabalho de construção do templo. A nova igreja, reconhecida, corrigiu uma injustiça [vide acima e vide nota]: honrou meu pai com o título de Pastor Emérito. Algum tempo depois, o Rev. Luciano Breder, mineiro como o meu pai, e de certo modo filho da Igreja Presbiteriana de Santo André, foi eleito pastor da igreja. Conviveram bem, ele e meu pai, até que o meu pai morreu, em 5 de março de 1991, aos 78 anos e meio. A igreja, mais ou menos nessa época, passou a se chamar Igreja Presbiteriana Maranata (aparentemente por decisão democrática, em que os membros votaram em uma de várias alternativas).

Estive lá ontem à noite (15/11) – pela primeira vez, desde que o corpo de meu pai foi velado ali em 5 de março de 1991, dezessete anos e meio atrás. Houve um bonito culto para comemorar os 22 anos da fundação da igreja. O Rev. Luciano Breder pregou, embora há muito tempo não esteja mais pastoreando aquela igreja. Um longo vídeo amador, passado ao final, mostrou cenas da infância da igreja que recentemente atingiu a maioridade… Nele vi meu pai conversando com as pessoas, cantando, orando, lendo a Bíblia – e o ouvi tocando o órgão elétrico da igreja, acompanhando o hino “Graças dou por esta igreja”, cuja letra era de sua autoria.

Na verdade, eu não era o único filho do Rev. Oscar presente: estávamos ali, pela primeira vez depois de muito tempo, os quatro irmãos: eu, o mais velho, o Flávio, a Priscila e a Eliane.

Não via meu irmão Flávio há mais de três anos, apesar de ele morar em Santo André e eu ter morado em Campinas, não tão longe assim, a maior parte desse tempo. Também não via minha irmã Priscila há um bom tempo – pois não pude comparecer sequer ao enterro de minha mãe, de quem ela cuidava, que morreu no dia 11 de junho deste ano (no dia que adorna o nome da rua da igreja da qual ela saiu, com meu pai, em 1986). Eu estava em viagem no exterior e só soube da morte de minha mãe quando não dava mais para chegar a tempo ao enterro. Minha irmã caçula, Eliane, eu vinha vendo com mais freqüência. Mas fazia muito tempo que os quatro não se reuniam. Na igreja, creio que a última vez foi no enterro do meu pai, em 1991.

Parece que os quatro irmãos estão no caminho de se reconstituírem como família, agora sem o patriarca. Isso se dá, agora, sem ele, mas como quando estavam sob o olhar sério e severo, mas ao mesmo tempo bondoso, do Rev. Oscar Chaves. Meu pai era a personalidade forte e decidida que mantinha a família unida, apesar das diferenças e dos problemas que sempre há em família. Nunca o consegui chamar de “você”. Depois que ele morreu a família foi meio que se esfacelando aos poucos. Minha mãe, a quem eu chamava de “você” de vez em quando, e que deveria ter ocupado o lugar dele, não conseguiu impedir esse esfacelamento – às vezes tendo até contribuído um pouco para ele, contra a sua vontade (quero crer). Entre os irmãos, cada um, preocupado com sua própria vida e com seus problemas pessoais, foi se distanciando dos demais e deixando que eles também se distanciassem. Nem conheço o neto do meu irmão Flávio, que já tem mais de um ano. Como meu querido neto mais velho (e o primeiro neto de meu amigo Antonio Morales), ele também se chama Gabriel.

(Dos netos do Rev. Oscar apenas o Flavinho, filho do meu irmão, estava no culto ontem – e no filme que foi mostrado! O César, irmão dele, pai do Gabriel, está morando em São Paulo, embora vá voltar a morar em Santo André nos próximos dias. O Vítor e o Diogo, filhos da Eliane, são membros da Igreja Luterana e não foram ao culto. Das minhas duas filhas que eram netas do Rev. Oscar, a Andrea estava nos Estados Unidos e a Patrícia estava em Campinas. Nenhum/a bisneto/a do meu pai estava lá. A Olívia e a Madeline estavam nos Estados Unidos com a Andrea. O Marcelinho estava com a Patrícia em Campinas. O Guilherme, primeiro filho da Patrícia, nascido em Setembro de 2003, infelizmente morreu logo depois. E o Gabriel Aiello Chaves estava com os pais dele lá na Zona Leste de São Paulo.)

Como dizia, agora parece haver decisão consciente e deliberada da parte de todos os irmãos de que o processo de distanciamento entre eles deva se reverter. No meu caso particular, essa decisão não é arbitrária, fruto do acaso ou de sentimento espontâneo: ela tem participação consciente e deliberada de causa humana muito concreta e específica. Sou, hoje, e espero sempre ser, agradecido por essa interferência, que fatores parcialmente fora de meu controle me impedem de declinar com clareza. Meu irmão a designou como o “elo perdido”.

Voltando ao culto de ontem, depois dele, já no salão social da igreja, encontrei-me com várias pessoas, membros antigos da igreja, e amigos queridos de minha infância, adolescência e juventude que não via há muito tempo: a Juracy e o Daniel (ele ainda o regente do coral e com uma voz cada vez mais linda), o Manuel de Oliveira e a Arminda, mulher dele, a Lílian Loureiro, a Míriam de Souza, a Ivone, a Cleide, a Zuca, o Sr. Norberto e a Da. Odete, uma filha e uma neta da Eunice de Souza, que, infelizmente, não estava lá. O Manuel e a Arminda são pais do Amauri, e a Lílian e o Carlos são pais da Lídia: os dois, que formam um casal, criaram a comunidade “Rev. Oscar Chaves” no Orkut (vide: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=72089849).

No último mês o mesmo “elo” reativou vários links meus com contados do meu passado santo-andreense: a Albernice, a Josira, a Abelair, o Machadinho, todos eles irmãos e todos ex-membros da Igreja Presbiteriana do Parque das Nações, em Santo André, que meu pai também pastoreou. Para não falar em outro time de irmãos, o Benedito, o Jonas, o Rubens, o Nicodemos e o Gideão dos Santos (este falecido, e ex-marido da Albernice), também da Igreja do Parque das Nações… Estes não encontrei ainda pessoalmente, mas espero fazê-lo em breve. (Aprendi a dirigir com o Benedito). Por fim, encontrei, durante uma palestra que dei em São Bernardo, a Neusa, filha do Francisco “Mineiro” e da Marlene, que também são amigos da minha infância, adolescência e juventude em Santo André. (O Francisco e a Marlene, embora grandes amigos do meu pai e da família, ficaram na igreja da 11 de Junho – o que prova que há muitos fatores, além de lealdade essoal, que interferem nma decisão de mudar de igreja).

É isso… Passei vários dias sem escrever, mas agora, talvez, tenha escrito demais.

Antes de terminar: o meu pai dá nome ao Coral da igreja, a uma escola municipal e a uma pracinha em Santo André. E, como disse, há uma comunidade dedicada a ele no Orkut (“Rev. Oscar Chaves”). Senti saudades dele ao vê-lo no filme, já velhinho, mas ainda bonito (como sempre foi), poucos meses antes de morrer.

[* NOTA: Meus irmãos me escreveram corrigindo a informação acima: A (primeira) Igreja Presbiteriana de Santo André (da rua Onze de Junho) concedeu ao meu pai o título de Pastor Emérito, logo depois que ele se aposentou – mas posteriormente cassou o título, “desemerenciando” meu pai, por decisão do Conselho, de iniciativa do Rev. Evandro Luiz da Silva. Igrejas às vezes dão um testemunho lastimável contra os princípios e sentimentos que deveriam inspirar.]

Em São Paulo, 16 de Novembro de 2008.

Reabertura da EduTec

Tomei, ontem, no décimo aniversário da criação da lista de discussão EduTec a decisão de reabri-la. Um aniversário de Dez Anos não é sempre que se comemora – e resolvi comemorá-lo recriando a lista.

A lista, que nunca foi fechada, mas foi apenas desativada, está com 998 membros — mas 298 deles são indicados como inativos (em geral porque as mensagens enviadas a eles estão retornando por alguma falha no endereço). Pretendo, com o tempo, fundir a nova EduTec com a lista 4pilares, que também coordeno — que tem 631 membros, com 263 inativos. Pelas regras do Yahoo! Groups isso é demorado.

Na comunidade orkutiana "Eu fiz parte da Edutec", criada pelo Wilson Azevedo, ele termina o primeiro post dizendo: "Quem sabe em 28 de outubro de 2008 possamos comemorar o aniversario de 10 anos tendo senao todos pelo menos a maioria dos antigos edutequianos conosco?" Essa esperança expressa pelo Wilson e compartilhada por muitos me levou a tomar a decisão de reabrir a lista. Minha decisão vinha se formando nos últimos dois meses – e aproveitei o aniversário para tomá-la.

Confesso que reabro a EduTec com um pouco de temor e tremor — receio de que não consigamos reconstruir o clima da comunidade anterior. Sei que será difícil. Mas estou disposto a tentar. Mas já houve membros que demonstraram a intenção de torná-la melhor ainda. Tomara.

Em São Paulo, 29 de Outubro de 2008

Décimo aniversário da criação da EduTec

Neste dia, dez anos atrás, criei a lista de discussão EduTec: 28 de Outubro de 1998.

Ela originalmente foi hospedada em Topica.com até que, em 25 de Março de 2001, veio parar no Yahoo! Groups (que, antes de ser comprada pelo Yahoo!, em 1999, era chamada de, primeiro, Onelist e, depois, EGroups), com o nome de EduTecNet. A lista foi encerrada em 11 de Setembro de 2001, também vítima do atentado terrorista contra as Torres Gêmeas em Nova York e o Pentágono em Washington.

A primeira mensagem da lista no Yahoo! Groups foi uma cópia de uma mensagem informando a inclusão de um membro, quando a lista ainda estava hospedada em Topica.com. Ela foi assinada por mim e pela Ana Maria Tebar, que era co-proprietária da lista, e está transcrita abaixo. Também transcrevi as normas que regiam o comportamento da lista.

Desde o início a EduTec e o site EduTec.Net (que ficava no endereço www.edutecnet.com.br até que adquiri o domínio edutec.net) foram apoiados pela Microsoft, primeiro como gentileza de Carlos Alberto Ferreira, depois, até mesmo com apoio financeiro, pela Márcia Teixeira. Agradeço os dois.

Os membros mais antigos da EduTec, que eu me lembro, foram o Wilson Azevedo (então ainda no Seminário Presbigteriano do Rio de Janeiro), a Lenise Garcia (sempre da UnB), o Antonio Morales de Camargo (Tonhão, do SENAC de Bauru), o Calixto Silva (Professor, do Objetivo de Sorocaba), a Márcia Teixeira (da Microsoft), a Adriana Portella (fanática por listas, da rede municipal do Rio de Janeiro), e a Ana Maria Tebar (da UNICAMP, amiga de todas as horas). Cito de memória, porque os arquivos da lista não estão comigo aqui em São Paulo.

Se pensarmos na duração total da EduTec, ela foi pequena — não chegou a três anos. Mas seu impacto foi enorme. O Renato, de Belo Horizonte, escreveu sua tese de Mestrado sobre ela, e a Lua, de Maceió, fez seu trabalho de fim de curso, na Pós-Graduação sobre ela. Recentemente o Wilson Azevedo criou no Orkut uma comunidade "Eu fiz parte da EduTec", que pode ser acessada em http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=36400141. No Congresso Educador de 2000, que eu coordenei, tivemos uma participação maciça, na audiência e no programa. Tivemos, naquela ocasião, nosso primeiro (e único) encontro presencial, com um jantar no Ibis da Barra Funda — de que quem participou nunca esquecerá.

Eis a mensagem com a qual o Wilson criou a comunidade no Orkut neste dia, no ano passado:

"Wilson

28 DE OUTUBRO DE 1998

Em 28 de outubro de 1998 recebi uma mensagem de Eduardo Chaves convidando para ingressar numa comunidade que discutiria Educacao e Tecnologia. Achei otima a ideia e imediatamente segui os procedimentos por ele indicados. Comecava ali uma marcante experiencia com uma notavel comunidade virtual de educadores que por quase 4 anos interagiram intensamente todos os dias.

Foram tempos muito felizes, quando educadores interessados por tecnologia tinham uma referencia, uma comunidade que na epoca era praticamente "a" comunidade de tecnologia educacional da Internet no Brasil.

Hoje, 28 de outubro de 2007, a Edutec completaria 9 anos se ainda existisse. Quem sabe em 28 de outubro de 2008 possamos comemorar o aniversario de 10 anos tendo senao todos pelo menos a maioria dos antigos edutequianos conosco?

Feliz aniversario, Edutec!"

Obrigado, Wilson, por ter criado a comunidade "ad perpetuam rei memoriam".

É isso. E eu não poderia deixar a data desse "aniversário redondo" passar em branco.

Eduardo Chaves
eduardo@chaves.com.br

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Hello!

Ana Maria Tebar and Eduardo O C Chaves, the owners of the email list edutec@topica.com have added you as a subscriber to this list, hosted at Topica.com.

MORE ABOUT THIS LIST

Here is a message from Ana Maria Tebar and Eduardo O C Chaves, the owners of this list:

O Grupo de Discussao "EduTec" e uma Rede de pessoas voltadas para a discussao da Educacao atraves da Tecnologia.

A expressao "discussao da educacao atraves da tecnologia" tem, porem, pelo menos dois sentidos aqui:

(a) discussao da educacao, em todos os seus aspectos, atraves da Internet, e

(b) discussao do uso da tecnologia (nao so da Internet) na educacao.

Nesta lista fazemos as duas coisas. Trata-se, aqui no Grupo de Discussao EduTec (e esse "aqui" ja eh um aqui virtual), de discutir tudo o que interessa a educacao e aos educadores, inclusive as questoes sociais, politicas e economicas que envolvem a educacao.

No que diz respeito a tecnologia, nao se tem em mente apenas o uso do computador na sala de aula, mas, tambem, o impacto que a tecnologia vem causando sobre as maneiras em que aprendemos, ensinamos, acedemos a informacao e nos comunicamos, seja nos contextos formais da escola e do trabalho, seja nos contextos nao formais em que interagimos uns com os outros, nos divertimos, vivemos, enfim.

Quando falamos em tecnologia temos em mente computadores e seus perifericos (incluindo leitores de CD-ROM e DVD), equipamentos de telecomunicacao (telefones e videofones, por exemplo, mas nao so: tambem canais de radio e de televisao privativos), meios de comunicacao de massa (imprensa, televisao, radio, cinema, video, livros, etc.) – hoje tudo convergindo para o que se chama, no Brasil, de "Informatica".

Pode haver discussao quanto a classificacao, mas nao e dificil entender o que se tem em mente.

Aproveitamos para esclarecer que, a partir de Janeiro de 2001, em virtude de ataques por parte de hackers irresponsaveis, esta lista esta sendo moderada. Por isso, suas mensagens serao lidas pelos Coordenadores antes de serem distribuidas aos demais membros.

Nada sera’ alterado em sua mensagem – mas se ela for considerada impropria, por conter ataques pessoais, palavras de baixo calao, ou irrelevante, por conter material nao relacionado aos objetivos da lista, sempre a criterio dos Coordenadores, ela nao sera distribuida.

Alem disso, por decisao dos membros, cada participante esta limitado a um maximo de cinco mensagens por dia, para que cada um priorize e foque bem o que deseja dizer.

Antes de enviar uma mensagem, leia as normas da lista em edutec.net/Edutec/Apoio/ednormas.htm.

E, por favor, atente para isto:

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O autor de uma mensagem enviada para esta lista mantem sobre ela todos os direitos de autor, mas, ao utilizar a lista, concede ao seu coordenador o direito nao exclusivo de utilizar o conteudo da mensagem, divulgando-o no site da lista (EduTec.Net) e em outros sites que compilem as mensagens enviadas para a lista, bem como de cita-lo e transcreve-lo em publicacoes acerca da lista ou de sua tematica.

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3. Moderacao

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Obrigado por participar da lista conosco. Tenho certeza de que voce vai apreciar a discussao.

Eduardo Chaves

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Normas Gerais de Participação no Grupo de Discussão EduTec

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1) As mensagens devem estar relacionadas de alguma forma com o binômio Educação e Tecnologia – interpretado disjuntivamente. Isto quer dizer que podem ser enviadas mensagens que tratam apenas de Educação ou apenas de Tecnologia.

[NOTA A: Esta norma não deve ser interpretada rigidamente: o Grupo EduTec é uma verdadeira comunidade virtual e as pessoas operam, nele, como em uma comunidade não-virtual de amigos. Assim, parabéns por aniversários, informações sobre defesa de tese, brincadeiras de natureza pessoal, até mesmo piadas, são admissíveis — desde que não virem a regra. O Grupo de Discussão agora é moderado. Se, na opinião do Coordenador, o material "de socialização" passar a ser exagerado, ele será mantido dentro de limites aceitáveis.

[NOTA B: Como a experiência mostra que, com a melhor das intenções, as pessoas, infelizmente, muitas vezes deixam o bom senso de lado, pede-se, encarecidamente, que não se enviem para o Grupo de Discussão mensagens que vivem circulando pela Internet sobre como enriquecer rapidamente e sem fazer esforço, ou sobre crianças desaparecidas ou doentes, ou sobre indivíduos que foram assaltados e narcotizados para que se lhes roubassem os rins, sobre os males de telefone celular, sobre empresas que supostamente nos pagam para leiamos e-mails ou naveguemos pela Internet para elas, sobre o receio de que nos Estados Unidos as crianças estejam aprendendo que a Amazônia não é mais nossa, etc. – a lista de assuntos é infindável. Portanto, reforce o seu bom senso um pouco…]

2) As mensagens devem indicar clara e corretamente o assunto. Cuidado com os RE:!.Se você vai responder a uma mensagem, mas mudando o assunto, mude a linha de Assunto (Subject). [Como se verá a seguir, não acentue a linha de Assunto (Subject), nem use nela cedilhas].

3) As mensagens devem ser enviadas como "Texto Simples" ("Plain Text") ou "Texto sem Formatação" e não vir acentuadas – especialmente na linha de Assunto (Subject). Não envie mensagens em formato HTML, Rich Text ou .doc. Se sua mensagem contém fundo colorido ou com imagens, texto formatado em diferentes fontes, tamanhos, cores ou estilos, ela está no formato errado: elimine o formato usando o comando Formatar (Format) de seu menu (ou outro comando, dependendo de seu sistema).

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5) Em princípio, as mensagens não devem conter documentos grandes disponíveis na Internet: só os seus URLs.

[NOTA: Abre-se exceção a esta regra no caso de notícias e artigos de jornais e revistas, ainda que seu tamanho possa ser relativamente grande. A responsabilidade pela eventual infração de direito de cópia (Copyright) é, entretanto, de quem envia a matéria].

6) As mensagens não devem incluir piadas de mau gosto, material ofensivo, propostas de correntes e outros esquemas. [Vide NOTA B à Norma 1].

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8) As mensagens de cunho operacional e administrativo devem ser enviadas ao Coordenador da Lista, não à lista, a menos que sejam de interesse claramente geral. Incluídas aqui estão mensagens pedindo para sair do Grupo de Discussão ou para informar que o fluxo de mensagens foi misteriosamente interrompido.

NOTAS GERAIS:

A) Se você não sabe como remover a formatação HTML, RT (Rich Text), ou Word de sua mensagem, não deixe de ver "Texto Puro ou sem Formatação" ("Plain Text").

B) Ao se dar RESPONDER (REPLY) a uma mensagem recebida da lista, a resposta irá apenas a quem originou a mensagem. Para se enviar a resposta a todos os membros da lista, deve-se usar RESPONDER A TODOS (REPLY TO ALL) ou equivalente.

C) Não se deve dar RESPONDER (REPLY) ao DIGEST para enviar uma mensagem para a lista, porque ela não será distribuída.

PRESTE ATENÇÃO AOS SEGUINTES DEZ ATRIBUTOS DE MENSAGENS BEM ESCRITAS

(embora contenham alguma repetição do que foi dito acima):

1. Identificação do Autor

Nem todos os sistemas de correio eletrônico colocam o nome do autor da mensagem como remetente. Uns deixam apenas o e-mail do autor, que, às vezes, não dá a menor pista de quem é o autor. E mesmo os sistemas que trocam o e-mail do autor pelo seu nome, àss vezes enviam mensagens com o nome errado (como, por exemplo, o nome do cônjuge ou de um filho do autor). Assim, não deixe de colocar seu nome e sobrenome, bem como o seu e-mail principal, no final do texto.

Embora assinaturas automáticas facilitem o trabalho do remetente, não se deve exagerar nelas. Evite fazer delas um "mini curriculum vitae". Em geral o recipiente de uma mensagem eletrônica não está interessado em saber seu endereço convencional, número de telefone, número de fax, onde você trabalha, que cargo exerce, qual a sua formação acadêmica, titulação, etc.

Evite também colocar pequenos recados (provérbios, ditados, citações, versículos bíblicos, etc.) em sua assinatura, principalmente se você escreve várias mensagens por dia para os mesmos destinatários (como, por exemplo, numa lista de discussão como esta), porque todos vão ter que ler a mesmo coisa varias vezes por dia.

2. Identificação do Assunto

A linha de Assunto deve identificar adequadamente o conteúdo da mensagem, de modo a permitir que os não interessados nele a descartem e os profundamente interessados a arquivem diretamente em alguma pasta de sua escolha. Se sua mensagem é uma resposta a uma outra mensagem, e envolve uma digressão em relação ao assunto indicado na linha de Assunto da mensagem original, mude a linha de Assunto de modo a que passe a refletir o conteúdo de sua mensagem.

3. Foco Bem Definido

Ao enviar mensagens para a lista EduTec você estará se beneficiando do privilégio de falar para uma audiência de mais de 800 pessoas. Suas mensagens serão lidas por muitos – mas por muitos outros elas serão ignoradas. Em alguns casos o leitor vai eliminar (deletar) a mensagem sem ler o seu conteúdo, apenas em decorrência da informação dada na linha de Assunto – ou na linha do Autor (remetente).

Foque bem a sua mensagem para que os que decidirem lê-la não sejam obrigados a encontrar, nela, material que não é pertinente ao assunto indicado. Não escreva mensagens que cobrem vários assuntos. Se for preciso, envie mais de uma mensagem, cada uma dirigida a um assunto especifico.

Mensagens que meramente exprimem a sua concordância ou discordância com o conteúdo da mensagem de outra pessoa não devem, em regra, ser enviadas para a lista: dirija-as diretamente ao autor da mensagem original.

4. Clareza no Conteúdo

O que você escreve revela o seu pensamento. Textos escritos sem atenção, de forma descuidada, são indicativos de uma mente desarranjada e pouco rigorosa. Formule o seu pensamento com cuidado. Atente para que sua mensagem não tenha orações sem pé nem cabeça. Procure não deixar passar erros de ortografia e gramática – esse é um sinal de respeito aos seus interlocutores.

É verdade que a correção da expressão lingüística não garante, por si só, que o pensamento nela veiculado seja de boa qualidade. Isso significa que é possível ter conteúdo sem qualidade em forma correta. Contudo, no caso de pensamento e linguagem, dificilmente ocorre o oposto: conteúdo de boa qualidade em forma inadequada. A relação existente entre pensamento e linguagem é tão intima que uma linguagem inadequada dificilmente permite que se expresse um pensamento claro e preciso. Na realidade, a inadequação lingüística geralmente é sintomática de pensamento obscuro e impreciso, de confusão nos conceitos e enunciados (entidades lógicas) que subjazem aos termos e as orações (entidades lingüísticas).

5. Clareza na Forma

No caso de mensagens eletrônicas não é só o seu conteúdo, em si, que deve ser claro: deve também ficar claro sobre o que você está falando ou a que (quem) você está se referindo. Se você vai comentar algo que alguém disse em outra mensagem, recorte a passagem relevante (nem mais, nem menos) e a identifique, dando o nome do autor e a data e hora da mensagem.

Não deixe nenhuma ambigüidade na sua mensagem sobre o que é citação de terceiros, que você está comentando, e o que você mesmo está dizendo. Se "a" disse algo, que "b" comentou, e você quer responder ao que "a" disse, não use a mensagem de "b" para responder, especialmente se seu sistema coloca >> para a mensagem original, > para a primeira resposta, etc.

Procure verificar, especialmente no caso de citações, se as quebras de linha estao dentro dos limites aceitáveis pelo seu programa, para que a mensagem que os outros vão ler não tenha quebras de linha em lugares errados.

Alem disso, pule uma linha entre parágrafos. No final, antes de colocar "Abraços" (ou algo assim) e seu nome e e-mail, pule também uma linha. Essas providências, embora simples e elementares, contribuem para que sua mensagem se apresente de uma forma visualmente agradável na tela de seus destinatários.

Por fim, escreva usando texto puro (não formatado), porque ao usar texto formatado você estará vendo uma coisa em sua tela que não é, necessariamente, o que os outros estarão vendo em suas telas. Não acentue. Aqui nesta lista você não deve acentuar nem mesmo o corpo da mensagem, porque ela é filtrada por um sistema que não interpreta acentos (e cedilha) corretamente. Muitas pessoas deletam, sem ler, mensagens que vêm com os acentos e cedilhas substituídos por letras que tornam difícil decifrar o que foi originalmente escrito.

6. Tamanho Reduzido

Quanto mais curta a sua mensagem, melhor – desde que você consiga nela dizer o que pretende. Quanto maior a mensagem, mais bem formatada e editada ela deve ser. Se sua mensagem, por alguma razão, precisa ser longa, indique isto na linha de assunto através da palavra [LONGA!].

A clareza não deve, entretanto, ser sacrificada em favor da brevidade. Não deixe sua mensagem obscura apenas para mantê-la dentro de um tamanho reduzido.

7. Anexos

Não envie anexos ("attachments") nas mensagens que você envia para a lista. O servidor de lista àss vezes não consegue dar o tratamento adequado ao arquivo que você está anexando e pode colocar no final de sua mensagem uma quantidade enorme de caracteres gráficos ou letras sem sentido, que deixam sua mensagem enorme e sem sentido.

Mesmo que o servidor processasse anexos corretamente, anexos em geral deixam a mensagem pesada (maior) e obrigam mais de 800 pessoas, muitas das quais podem não ter interesse no anexo, a recebê-lo.

Além do mais, anexos são, hoje, os principais portadores dos vírus que se transmitem através de correio eletrônico. Muitos leitores, por isso, apagam automaticamente mensagens com anexos.

8. Circulares

A experiência mostra que, com a melhor das intenções, as pessoas, infelizmente, muitas vezes enviam para a lista mensagens que vivem circulando pela Internet sobre como enriquecer rapidamente e sem fazer esforço, ou sobre crianças desaparecidas ou doentes, ou sobre indivíduos que foram assaltados e narcotizados para que se lhes roubassem os rins, ou sobre os males do telefone celular, ou sobre empresas que supostamente nos pagam para que leiamos e-mails ou naveguemos pela Internet para elas, ou sobre o receio de que nos Estados Unidos as crianças estejam aprendendo que a Amazônia não é mais brasileira, etc. – a lista de assuntos e infindável.

Piadas e alertas sobre vírus (até mesmo supostamente transmitidos por telefonemas celulares!) se incluem nesta categoria. Portanto, não distribua para a lista nenhuma circular desse tipo.

Informações sobre congressos e eventos que possam ser de interesse dos membros da lista, embora sejam circulares, ficam fora dessa restrição.

9. Polidez

Comentários e observações rudes e indelicados são inapropriados em discussões públicas – especialmente entre educadores. Se outros forem rudes ou indelicados para com você, ignore-os, não lhes responda. Se você se sente obrigado a responder-lhes, faça-o em privado, para que os outros membros da lista não sejam constrangidos a testemunhar discussões pessoais.

Se você achar que a outra pessoa fez comentários e observações que podem induzir outras pessoas a erro, escreva para a lista apontando o fato, mas discutindo as idéias e/ou os fatos, não fazendo ataques pessoais. Pessoas intencionalmente rudes são famintas pela atenção de pessoas educadas, sensatas, razoáveis. Deixe-as passar fome, ignorando-as.

Não corrija em público erros de português cometidos pelos autores de outras mensagens. Na verdade, algumas pessoas se irritam até mesmo com a correção em privado. Mesmo que você seja daqueles que ficam muito incomodados com erros de português em textos públicos, procure conter-se.

Por fim, é parte da polidez não fazer de você mesmo o assunto mais freqüente de suas mensagens. Embora seja compreensível que voce goste de falar de você mesmo, seu gosto pode não ser totalmente compartilhado por seus colegas de lista.

10. Revisão

Não se esqueça de reler a sua mensagem antes de enviá-la. Se tiver um corretor ortográfico, faça uso dele. Se fez referência a fatos, confira as afirmações feitas. Pense duas vezes antes de dizer algo que você acha que pode ser mal interpretado. Escolha bem seus termos. Certas palavras podem ser muito naturais para você – mas ser consideradas ofensivas por outros.

Embora ninguém tenha a obrigação de respeitar sensibilidades exageradas, como as dos defensores da linguagem "politicamente correta", use sempre o bom senso (que, espero, você tenha).

c) Direitos Reservados: Eduardo Chaves

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OUTRAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DAS MENSAGENS DIRIGIDAS À LISTA EDUTEC

1. Direitos de Autor e Distribuição Cruzada

O autor de uma mensagem enviada para esta lista mantém sobre ela todos os direitos de autor, mas, ao utilizar a lista, concede ao seu coordenador o direito não exclusivo de utilizar o conteúdo da mensagem, divulgando-o no site da lista (EduTec.Net) e em outros sites que compilem as mensagens enviadas para a lista, bem como de citá-lo e transcrevê-lo em publicações acerca da lista ou de sua temática.

Membros da lista tem o direito de citar as mensagens de outros membros em mensagens dirigidas à própria lista, mas não estão automaticamente autorizados a reenviar mensagens desta lista para outras listas nem a citá-las em publicações, exceto, naturalmente, no caso daquelas que são inteiramente de sua autoria.

2. Copyright

Cada pessoa é pessoal e exclusivamente responsável pelo conteúdo de suas mensagens, ficando o coordenador da lista totalmente eximido de qualquer responsabilidade na hipótese de violação de direitos autorais (copyright) ou na hipótese de que mensagens dirigidas à lista pelos membros sejam utilizadas como causa para processos de difamação, calúnia, ofensa pessoal, ou outras causas – exceto, naturalmente, no caso das mensagens que ele próprio redigir.

3. Moderação

O fato de a lista ser agora moderada e de as mensagens agora passarem pelo crivo do coordenador da lista não implica concordência, anuência ou cumplicidade, da sua parte, para com o conteúdo das mensagens, mesmo quando liberadas para distribuição. A moderação é feita apenas para evitar a divulgação de ataques pessoais e o uso público de formas mais grosseiras de expressão, continuando o conteúdo das mensagens liberadas a ser da inteira e exclusiva responsabilidade de seus autores.

c) Direitos Reservados: Eduardo Chaves

ATENÇÃO:

Endereços Importantes (que podem ser escritos com letras minúsculas)

Endereço da Lista: edutec@edutec.net

Endereço do Coordenador: eduardo@edutec.net ou eduardo@chaves.com.br

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Escrito e transcrito em São Paulo, 28 de outubro de 2008

Idéias, pássaros e gaiolas

[No que segue, tomarei por empréstimo de Rubem Alves uma importante metáfora – que ele apresentou, inicialmente, no livrinho A Menina e o Pássaro Encantado e que, mais recentemente, reiterou na Apresentação de seu livro (esse um “livrão”) Religião e Repressão (que é uma re-edição do livro Protestantismo e Repressão). Aqui fica o crédito, Rubem – e o agradecimento… Transcrevo, no final deste post, a Apresentação que o próprio Rubem faz de Protestantismo e Repressão.]

Pássaros têm asas para que possam voar livremente – não para que fiquem presos em gaiolas.

Seres humanos têm mentes para que possam pensar livremente – não para que fiquem presos em gaiolas de idéias.

O dogmatismo, sobre o qual já escrevi quatro posts aqui neste space recentemente (vide referências adiante), é uma tentativa de engaiolar o pensamento humano, de prender-lhe entre grades que ele não deve transpor, e, assim, de limitar-lhe ou mesmo de totalmente cercear-lhe o vôo.

Pássaros em gaiolas voam – mas seu vôo é limitado pelas grades das gaiolas em que vivem. Pássaros que nascem em gaiolas (vale dizer, em cativeiro) podem até imaginar (se é que pássaros imaginam) que são realmente livres para voar. Mas não são. A pior prisão é aquela em que nascemos e em que sempre vivemos, porque não nos damos conta de que estamos aprisionados.

Os dogmáticos pensam – mas seu pensamento é limitado pelas premissas que definem as grades das gaiolas de idéias que os mantêm cativos.

Pássaros em cativeiros têm pouca chance de escapar das gaiolas em que se encontram. Às vezes se acostumam tanto às suas gaiolas que, se forem libertos, voam um pouco e, depois, retornam para serem engaiolados de novo…

Seres humanos têm capacidade de abrir as portas de suas gaiolas mentais e delas sair. Mas não é fácil exercer essa capacidade. Muitos, se abrem as portas de suas gaiolas mentais e decidem sair, muitas vezes dão apenas vôos rasteiros pelas cercanias das gaiolas, e para elas retornam, não ousando realmente alçar vôo para mais longe, para terras desconhecidas… São como os pássaros que se desacostumaram de voar livremente.

E isso é triste. Porque é um desperdício da maior capacidade que o ser humano possui: a capacidade de pensar.

—–

Eis o que disse Rubem Alves na Apresentação do seu livro Religião e Repressão:

“Deus — não importa quem ele ou ela seja — nos criou pássaros. Perdidas as nossas asas, o desejo do vôo permanece na alma como sentimento puro, nostalgia, sobre a qual somente os poetas podem falar — porque eles têm a graça de falar sem aprisionar.

A essa nostalgia do vôo, a esse espanto perante o mistério da vida, a essa capacidade de se comover diante da beleza dou o nome de sentimento religioso. O poeta William Blake, um místico sem religião, o descreveu como Ver um Mundo num Grão de Areia e um Céu numa Flor Silvestre, Ter o Infinito na palma da sua mão e a Eternidade numa hora…. E esse sentimento pode acontecer mesmo naqueles que não acreditam em Deus. Pois o que é acreditar em Deus? É ter idéias sobre Deus em nossa cabeça.

Mas os textos sagrados desprezam o acreditar em Deus. O apóstolo Tiago observa: Tu crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios acreditam e estremecem ao ouvir o seu nome…. O sentimento religioso é a cigarra que arrebenta a sua casca dura e voa para o amor.

É como o vento — nós o sentimos quando ele vem, mas não é possível possuí-lo. Quem o tem vive a dolorosa experiência de não possuir o vôo. Eu me sinto profundamente religioso e tenho os místicos e os poetas como meus mestres. As religiões, ao contrário, nascem do desejo humano de possuir o vôo dos pássaros.

Para isso constroem gaiolas. Gaiolas feitas com palavras. E é dessa pretensão que surge a intolerância, a arrogância, o dogmatismo, as perseguições e os mais sinistros tipos de fanatismo. As religiões são as cascas vazias que as cigarras deixam sobre as árvores.

Este livro não é sobre o sentimento religioso, os pássaros em vôo. Sobre o sentimento religioso já escrevi muito, em outros livros. É sobre as gaiolas. Na sua versão original o seu nome era Protestantismo e Repressão — não a repressão policial, mas a repressão sutil das grades de idéias que aprisionam o pássaro. Agora, ao prepará-lo para uma nova edição, resolvi mudar o título para Religião e Repressão porque aquilo que disse sobre o protestantismo, creio, vale para todas as religiões que constroem gaiolas para aprisionar o vôo dos pássaros.“

Transcrito de http://www.erdos.com.br/detalhe_pro2.php?id=3615

—–

Vide, sobre esse assunto, os seguintes posts meus aqui neste space:

“A verdade: contra o ceticismo, o relativismo, e o dogmatismo – 2”, de 20/10/2008

“A verdade: contra o ceticismo, o relativismo, e o dogmatismo – 1, de 11/10/2008

“O livre pensar”, de 25/08/2008

“A posse e a busca da verdade”, de 24/08/2008.

Em São Paulo, 21 de Outubro de 2008

A Verdade: Contra o Ceticismo, o Relativismo, e o Dogmatismo – 2

Wanderley Navarro (http://wynavarro.spaces.live.com/) mais uma vez me deixou um comentário – desafio em que me pede que dê continuidade ao artigo que escrevi recentemente sobre a verdade. O comentário – desafio requer uma resposta.

Disse ele: 

“A verdade (realidade), no plano ôntico, é portanto, um processo antes que um produto, um dado que cabe nas palavras?  Em que você não concorda com Popper? Gostaria muito que este artigo continuasse. Você, eu, Pilatos e mais alguns continuamos, aqui, de plantão, nos perguntando o que é a verdade.”

Fiz uma distinção, no artigo original, entre o “plano ôntico” e o “plano epistêmico” (que havia chamado de “plano epistemológico”, mas agora corrijo para “plano epistêmico”, por isonomia – não havia falado em “plano ontológico”…).

O “plano ôntico” se refere à realidade, às coisas em si, às coisas como elas são, independentemente de nosso conhecimento delas.

O “plano epistêmico” se refere ao nosso conhecimento da realidade, às coisas como conhecidas por nós.

Essa distinção é essencial para entender Popper.  Vou procurar mostrar por quê.

A filosofia pré-moderna – o período anterior, digamos, a Descartes e que abrange a filosofia antiga e a medieval –compartilhava, em linhas gerais, uma visão do mundo, no plano ôntico e no plano epistêmico (apesar das evidentes e consideráveis diferenças não só entre a filosofia antiga e a medieval, como também entre as diversas correntes que constituíram uma e outra).

No plano ôntico, eram estas as principais características da visão pré-moderna:

1) Existe aquilo que na filosofia moderna se convencionou chamar de “mundo exterior”, ou seja, uma realidade externa à nossa mente. A existência desse mundo é tida como evidente e, portanto, não é problemática para a filosofia pré-moderna. Ela, assim, não gasta tempo e energia tentando provar que existe algo que, para ela, é pacífico: uma realidade fora de nossa mente. Para ela, parte dessa realidade existe independentemente de nós – o chamado “mundo natural” – e parte dessa realidade é criada pelo ser humano – o chamado “mundo social” ou “mundo cultural”. (Evidentemente, a filosofia pré-moderna também pressupunha, e não considerava problemática, a existência de umä realidade dentro de nossa mente, o “mundo interior” de cada um).

2) No “mundo exterior natural”, ou seja, na realidade externa cuja existência independe do ser humano, há, simplificando, objetos e fatos. Ainda simplificando, objetos são coisas e fatos são estados de coisas. Objetos e fatos existem na realidade externa natural: eles não são, por assim dizer, constituídos pelo ser humano, que pode apenas os descobrir. É verdade que o ser humano pode agir sobre esses objetos e fatos, alterando-os ou até mesmo, com eles, criando novos objetos e fatos. Mas os objetos e fatos alterados e/ou criados pelo ser humano passam a partencer ao “mundo exterior social”, ao mundo da cultura. (Por exemplo: no mundo exterior natural pode haver uma pedra com uma extremidade cortante, um galho de árvore roliço e algumas fibras maleáveis, que existem independentemente da ação do ser humano. Mas o ser humano, um dia, amarrou a pedra no galho de árvore usando as fibras, e criou um machado, com funções específicas, que passou a ser um objeto do mundo social ou cultural).

No plano epistêmico, eram estas as principais características da visão pré-moderna:

1) O ser humano é capaz de conhecer o mundo exterior – tanto o natural (que sempre existiu, na visão clássica, ou que é criação de Deus, na visão medieval) como o social (que é sua própria criação). (Na verdade, o ser humano é também capaz de conhecer o seu próprio mundo interior – cada um, em princípio, conhece o seu próprio mundo interior, mas, se outras pessoas nô-los revelarem, podemos até mesmo conhecer os mundos interiores dos outros).

2) Dizer que o ser humano é capaz de conhecer o mundo equivale a dizer que o ser humano é capaz de, usando símbolos lingüísticos de sua própria criação, e, portanto, pertencentes ao mundo social ou cultural, fazer enunciados verdadeiros sobre a realidade.

3) Um enunciado (ou juízo) é verdadeiro quando ele corretamente descreve a realidade, ou seja, quando ele “corresponde” à realidade. Assim, o enunciado “A neve é branca” é verdadeiro se, e somente se, a neve for branca; ou, o enunciado “Deus existe” é verdadeiro se, e somente se, Deus existir (isto é, se houver na realidade uma entidade que corresponde a um conceito de Deus devidamente explicitado). A verdade, portanto, é uma relação de correspondência ou adequação entre os enunciados (ou os juízos) de um ser humano e os fatos e estados de coisas que são objeto desses enunciados (ou juízos). A realidade, em si, não é nem verdadeira nem falsa: ela simplesmente é. São nossos enunciados (ou juízos) acerca da realidade que podem ser verdadeiros ou falsos.

4) Para a filosofia pré-moderna, temos evidência da verdade ou não de nossos juízos acerca da realidade externa através principalmente dos nossos sentidos, ou seja, através da percepção sensorial. E aquilo que nos é dado na percepção é nada mais nada menos do que a realidade, propriamente dita, os objetos e os fatos que compõem o mundo externo a nós. Embora seja notório que às vezes nos enganemos em nossa percepção, a essa constatação não se dá importância muito grande na filosofia pré-moderna, porque somos capazes de descobrir nossos enganos.

5) Para a filosofia pré-moderna, por fim, o conhecimento é o conjunto de juízos verdadeiros e evidenciados que compõem a realidade. Para que haja conhecimento é necessário que haja um sujeito, que conhece, um objeto, que é conhecido, e um enunciado verdadeiro e evidenciado que o primeiro faz sobre o segundo.

A filosofia moderna veio a questionar toda essa visão de mundo. Descartes é adequadamente descrito como o pai da filosofia moderna porque ele levantou dúvidas acerca de nossa capacidade de conhecer o mundo exterior a nós. Ele se propôs duvidar, sistematicamente, de que conhecesse qualquer coisa. Como duvidar envolve pensar, porém, ele concluiu que não poderia duvidar de que pensava – e, como imaginou que para que pensasse ele tinha de existir, ele concluiu que, ele, Descartes, existia. Cogito, ergo sum. Mas o Descartes que ele assim imaginou provar que existia era apenas a mente de Descartes, o mundo interior de Descartes. O mundo exterior que ele parecia perceber – e incluía até mesmo o seu corpo – continuavam a ter uma existência ou realidade questionável, e, portanto, não poderia ser, sem mais argumentos, objeto do conhecimento. É esse o problema do conhecimento do mundo exterior que preocupou virtualmente todos os filósofos posteriores a Descartes.

Partindo do pressuposto (que ele acreditava ter provado) de que ele só era capaz de conhecer o mundo interior de sua própria mente, Descartes criou a base do ceticismo moderno – e, na realidade, do solipsismo (a tese de que só tenho condições de conhecer o que eu próprio penso). O objeto de suas percepções (ele acreditava) não era algo no mundo exterior, mas, sim, sensações puramente mentais que, assim, tinham existência apenas dentro de sua mente. E lhe parecia impossível (sem recorrer a Deus) estabelecer uma ponte entre o que havia em sua mente e seja lá o que for que pudesse existir fora dela.

Com essa “virada”, a filosofia moderna acabou se tornando mentalista (não racionalista, como pretendem alguns): nela, a verdade passa a ser apenas coerência entre as sensações e idéias existentes dentro da mente – e o conhecimento algo puramente subjetivo, que carece de um “objeto” no mundo exterior.

É esse o contexto em que Popper filosofou. Em certo sentido, Popper é um filósofo pré-moderno: no essencial, ele nunca duvidou das teses pré-modernas, seja no plano ôntico, seja no plano epistêmico. Ele sempre acreditou que é evidente e pacífico que a realidade externa à nossa mente existe, que ela é cognoscível através dos sentidos e da reflexão, que a verdade, como correspondência entre o pensamento e a realidade extramental, em princípio existe e é alcançável… Em tudo isso Popper é mais pré-moderno do que moderno. Sua única concessão à modernidade foi sua admissão de que, mesmo que tenhamos alcançado a verdade, ou que (mais provável) tenhamos tropeçado nela, nunca poderemos ter a certeza de que a encontramos, e, por isso, precisamos continuar sempre a buscá-la…

Wanderley Navarro me pergunta no que eu discordo de Popper. Minha resposta é: em quase nada… Minha única discordância é pequena (e, talvez, se confrontado com ela Popper nem a consideraria uma discordância) e me foi sugerida por Hume (que é um dos filósofos favoritos de Popper). Na prática, no dia-a-dia, temos de agir como se tivéssemos várias certezas. Quando entramos no mundo da reflexão, porém, é sempre possível encontrar boas razões para duvidar de nossas certezas e, portanto, para questionar aquilo que, em outro contexto, nos parecia evidente e pacífico. É por isso que o dogmatismo é tão nocivo: ele fecha uma discussão que deveria ser aberta e permanente, ele encerra uma busca que deveria ser contínua e incessante.

Em São Paulo, 20 de outubro de 2008

“Você acredita em Deus?”

Transcrevo, a seguir , uma matéria de autoria de Paulo Ghiraldelli Jr, com o título acima, que recebi pela lista de discussão 4pilares. A transcrição é feita com autorização do autor.

Você acredita em Deus?

Paulo Ghiraldelli Jr.

Nenhum dos mandamentos bíblicos diz que você deve "acreditar em Deus". E isso não é pelo fato de que eles já pressupõem do leitor ou ouvinte que este já seja um crente na existência de Deus. O que há é a pressuposição da concorrência. O Deus da "tábua de leis" de Moisés diz logo de início que não se deve ter outra divindade em desafio a ele. Assim, a idéia que está ali é a popularmente conhecida como a idéia do "Deus ciumento". A partir disto, todos os outros mandamentos são, de fato, *mandamentos*: regras de conduta.

A partir do quarto mandamento, inclusive este, essas regras de conduta passam a ser regras exclusivamente ético-políticas. Ou seja, elas dizem o que se deve fazer em comunidade, na vida social, uma vida que é necessariamente uma vida urbana ou tendente a isso. Assim, entre dez regras, seis delas são dirigidas ao que os homens e mulheres devem fazer no âmbito da vida na comunidade, ou mesmo na vida na cidade.

É claro que o peso maior é antes ético-moral que político. Pois as regras não relacionam diretamente o homem e a mulher com o poder – e isto caracterizaria o campo político. No entanto, é difícil admitir que os mandamentos sobre roubo, morte, falso testemunho e cobiça não tenham seu componente político, uma vez que são facilmente regras que vingariam em qualquer cidade, como atos de legislação do poder em relação aos habitantes.

Quando olhamos a religião judaico-cristã por esse prisma, percebemos que ela nasce segundo o mesmo clima das religiões orientais. Ou seja, trata-se de um conjunto de preceitos para que a vida social possa se realizar. Não há aí nenhuma teologia envolvida. Não há aí nenhum requerimento que peça para que se investiguem questões atinentes à divindade. Não há aí nenhum "estudo de Deus".

A teologia é algo posterior. Ela é uma forma de trabalho intelectual dos cristãos, já dispostos como Igreja, no sentido de dar conta de um passado intelectual poderoso, ou seja, as filosofias pagãs. É nesse contexto que nasce a idéia de "provas da existência de Deus" e, então, a legitimidade da pergunta "você acredita em Deus?" Fora desse específico contexto, essa pergunta não ajuda ninguém, ao contrário, ela afasta as pessoas, distancia as pessoas umas das outras. E não afasta as pessoas por revelar conceitos, mas por fomentar preconceitos. A resposta a uma pergunta desse tipo, fora do campo teológico-filosófico, impessoal, apenas gera falsas conclusões.

No âmbito teológico filosófico, "Deus existe?" e "eu acredito em Deus ou não?" são questões que, impessoalmente, pertencem ao campo de investigação do raciocínio puro. Os letrados da Igreja se envolveram com isso. Mas, quando alguém usa de uma pergunta dessas no âmbito da doutrina, da prática religiosa e do convívio com os outros, essa pergunta serve apenas para, a partir da resposta "sim" ou "não", termos a geração de inúmeros preconceitos a respeito de quem respondeu. Nada sabemos de uma pessoa que responde a tal pergunta com um "sim" ou com um "não". Mas achamos que sabemos tudo. E começamos a achar que até sabemos o que tal pessoa irá fazer!

Há uma idéia errada de que ao se dizer "sim" ou "não", todo o comportamento de quem respondeu pode ser mapeado e antecipado por quem escuta a resposta.

E mesmo os que sabem que essa conclusão é um erro, ainda assim, se guiam por ela. Ou seja, estão já seguindo preconceitos. E assim fazem porque o preconceito é mais forte que o conceito.

Caso sejam religiosos e crentes, a resposta "sim" lhes daria a condição de imputar o caráter "bom" para quem respondeu. Caso sejam não crentes os ouvintes, a resposta "não" é que daria a quem respondeu o adjetivo de "bom".

É então, baseado nisso, que é o preconceito, que passamos a olhar para a tal pessoa que deu a resposta. Eis aí que nada sabemos dela de concreto, e nada sabemos do que poderá ou não fazer, mas achamos que sabemos tudo. Daí para diante podemos começar a imaginar coisas a respeito de tal pessoa que são falsas – certamente serão falsas. Daí por diante estamos com um guia errado na mão para lidarmos com aquela pessoa, embora estejamos convencidos que temos o guia certo. Isso é tudo que precisamos para criar um mundo ruim à nossa volta.

Se a filosofia pode ajudar o religioso, talvez esteja nisso sua tarefa principal: fazer distinções e criar um discernimento inteligente é o que a filosofia pede para que se realize sobre o assunto. Então, que se tenha claro: temos de distinguir a que serve a pergunta "você acredita em Deus?" e ao que ela não serve. Para mapear condutas ela não serve. Para a melhora do convívio social ela não serve. Ela serve para que nos tornemos "polícias religiosas", iguais às polícias políticas do mundo todo, como foi a KGB ou a SS.

Paulo Ghiraldelli Jr.
Filósofo
www.ghiraldelli.pro.br

Veja o vídeo sobre o assunto em:

http://www.dailymotion.com/pgjr23/video/x748nv_voce-acredita-em-deus_creation 

Transcrito em Ubatuba, em 19 de outubro de 2008

A Verdade: Contra o Ceticismo, o Relativismo, e o Dogmatismo – 1

Talvez a maior contribuição que Sir Karl Raymund Popper tenha feito ao debate filosófico do século XX tenha sido sua discussão da questão da verdade no âmbito da filosofia, da ciência, e do senso comum.

De um lado, Popper defendeu a verdade contra o ceticismo – que afirma que nada é verdade, que a verdade não existe, que existem apenas opiniões, pontos de vista, etc. – e o relativismo – que afirma que tudo é verdade, que cada um tem a sua verdade, que a opinião ou o ponto de vista de cada um é a (sua) verdade…

Contra essas duas tendências, Popper argumentou que a verdade existe e que é absoluta – e que não há verdades pessoais e relativas. Se um enunciado, devidamente determinado em suas referências espaço-temporais, é verdadeiro, ele é verdadeiro hoje, foi verdadeiro ontem e será verdadeiro para sempre. A verdade de um enunciado devidamente determinado não varia com o espaço e o tempo, com o contexto e a época – é isso que ele quer dizer com a tese de que a verdade é absoluta.

Essa tese de Popper é uma tese no plano da realidade – naquilo que poderíamos chamar de “plano ôntico”, o plano do ser. Para ele, é assim que as coisas são.

Tendo a concordar com ele nessa tese.

De outro lado, Popper defendeu a verdade contra o dogmatismo – que é a arrogante pretensão de que encontramos a verdade e que todos os outros que a buscam, ou que pretendem ter encontrado uma verdade diferente da nossa, estão simplesmente errados – ou, pior, se recusam a ver a verdade manifesta daquilo em que acreditamos.

Contra o dogmatismo, Popper defendeu a tese do falibilismo: no “plano epistêmico”, o plano do conhecer, somos sempre falíveis. Mesmo que estejamos convencidos (como ele estava) de que a verdade existe e é absoluta, nunca poderemos ter certeza de que a alcançamos e, portanto, de que estamos de posse dela. Sabemos que a verdade existe, devemos buscá-la, podemos até mesmo aspirar a encontrá-la, mas nunca poderemos estar certos de que a encontramos e, por conseguinte, de que estamos de posse dela.

Há uma diferença muito grande e essencial, diz Popper, entre aquele que humildemente busca ou persegue a verdade e aquele que orgulhosa e arrogantemente se julga possuidor dela – aquele que, na fala comum, se crê o “dono da verdade”. E aquele provavelmente está mais próximo da verdade do que este…

Também aqui tendo a concordar com Popper.

Essa tese dupla de Popper é importante, porque se torna um poderoso libelo contra o ceticismo, o relativismo e o dogmatismo. Não creio que nenhum outro filósofo tenha tido tanta clareza sobre a questão.

Ao refletir sobre essa questão ontem à noite, lembrei-me da parábola do fariseu e do publicano relatada pelo evangelista Lucas no Novo Testamento… e senti algo que não sentia há tempo: simpatia por alguns elementos importantes dos ensinamentos de Jesus – elementos que eu utilizei em um artiguete de jornal acadêmico em 1966 – mais de quarenta e dois anos atrás.

“Propôs Jesus também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (Lucas 18:9).

A história diz respeito a dois homens que foram ao templo orar: um fariseu e um publicano. O fariseu era um líder religioso na sociedade judaica. Julgava-se próximo da perfeição teológica e moral. O publicano era um réprobo: era tido como exemplo de heresia e imoralidade.

O fariseu orou: “Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros – nem ainda como este publicano”.

O publicano orou: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”.

Jesus concluiu que o publicano, não o fariseu, retornou para sua casa justificado.

Em suma: aquela criatura de tão excelentes qualidades, o fariseu da parábola de Jesus, não foi o que desceu para casa justificado, mas sim aquele que era visto como roubador, injusto e adúltero, aquele que era um verdadeiro pária moral na sociedade de sua época.

Ensinamento profundo.

O fariseu orgulhosamente se acreditava possuidor da verdade religiosa e moral. O publicano a buscava – e se a buscava era porque sabia que não a possuía. Este, não aquele, teve sua atitude recomendada por Jesus. O fariseu, não o publicano, teve a sua atitude condenada por Jesus.

Se não tivesse morrido em 5 de março de 1991 meu pai estaria completando hoje 96 anos. Ele foi pastor presbiteriano durante quase 50 anos de sua vida (tivesse vivido mais um ano e teria completado o Jubileu de Ouro de seu ministério). Ele era um crente convicto de que a verdade existia – e de que ele a havia encontrado de uma vez por todas. Por isso, embora humilde e tolerante no plano pessoal, ele era, no plano doutrinário e moral, um tanto quanto orgulhoso, arrogante, dogmático  e intolerante. Quem dele ousasse discordar, como eu, estava não só simplesmente errado, mas tinha o “coração empedernido” por se recusar a ver uma verdade que para ele era manifesta, inquestionável, indiscutível. Quando, em 1966, fui expulso do Seminário Presbiteriano de Campinas, me disse que preferia que eu tivesse nascido morto a me ver esposando heresias e imoralidades. Eu havia, dias antes, escrito, no jornalzinho do Centro Acadêmico do Seminário, uma paráfrase da parábola do fariseu e do publicano que especialmente o ofendeu…

Talvez mais do que qualquer outra coisa, essa atitude do meu pai me colocou no caminho que, alguns anos mais tarde, me afastou da religião e da crença em Deus, e, mais tarde, da moralidade altruística e sacrificial do Cristianismo. Foi, provavelmente, essa atitude que me fez ver nas teses de Popper sobre a verdade um “hálito de vento fresco” (“breadth of fresh air”, como se diz em Inglês).

Presto a meu pai, aqui, e de forma admitidamente um pouco atravessada, o meu reconhecimento pelo papel importante que ele teve em minha formação – ainda que de modo, muitas vezes, negativo.

Em São Paulo, 11 de outubro de 2008

Escritor francês Le Clézio é o novo Nobel de Literatura

09/10/2008 – 13h01

Da redação do UOL com agências Reuters e AFP

O escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, descrito pela Academia Sueca como "nômade" devido a suas viagens pelo mundo, que se refletem em sua obra, recebeu nesta quinta-feira o prêmio Nobel de Literatura de 2008.

A Academia, que escolhe o ganhador do prestigioso prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhão), elogiou o escritor de 68 anos por seus romances cheios de aventura, ensaios e obras de literatura infantil.

"Suas obras têm um caráter cosmopolita. Francês, sim, porém mais do que isso, um viajante, cidadão do mundo, nômade", disse Horace Engdahl, secretário permanente da Academia Sueca, em entrevista coletiva convocada para anunciar o laureado.

Aos 68 anos, o escritor teria batido concorrentes como o norte-americano Philip Roth e o britânico Ian McEwan para a nomeação. Em 2007, o prêmio foi concedido à escritora Doris Lessing. Nascido em 13 de abril de 1940 em Nice (sudeste da França), Le Clézio mudou-se para a Nigéria com sua família aos 8 anos de idade. Escreveu seus primeiros trabalhos — "Un Long Voyage" e "Oradi Noir" — durante a viagem à Nigéria, que levou um mês. De acordo com o site da Academia Sueca, ele estudou inglês numa universidade britânica e lecionou em instituições em Bangkok, Cidade do México, Boston, Austin e Albuquerque, entre outras.

Le Clézio passou longos períodos no México e América Central, e em 1975 se casou com uma marroquina. Desde os anos 1990 ele e sua mulher dividem seu tempo entre Albuquerque, no Novo México, Nice e Ilhas Maurício.

Seu primeiro romance foi "Le proces-verbal" ("O Interrogatório"), de 1963, escrito quando tinha 23 anos. O livro recebeu o prêmio Renaudot na França. Dentre suas outras publicações estão "La fièvre" (1965), "Terra Amata" (1967), "La Guerre" (1970), "Désert" (1980), "Le Chercheur d’or" (1985), "Onitsha" (1991), "Etoile Errante" (1992), "Le Poisson d’or" (1996), "Voyage à Rodrigues" (1986), "Diego et Frida" (1985), "Révolutions" (2003) e, seu mais recente, "Ritournelle de la faim" (2008). No Brasil foram publicados "O deserto", "A quarentena" e "Peixe Dourado".

Visto nos anos 1960 como escritor experimental, Le Clézio se interessou por muitos temas, incluindo o meio ambiente e a infância. Até os anos 1980, Le Clézio tinha a imagem de escritor inovador e rebelde, apreciador dos temas como a loucura, mas depois passou a escrever livros mais serenos, nos quais a infância, a preocupação com as minorias, a atração pelas viagens ganharam o primeiro plano, o que o fizeram ser lido por um público muito mais amplo.

O livro que lhe deu fama foi "Désert", de 1980, que, segundo a Academia Sueca, "contém magníficas imagens de uma cultura perdida no deserto do norte da África, contrastado com o retrato da Europa visto através do olhar de imigrantes indesejados".

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, saudou o prêmio dado a Le Clézio. "Esta honra magnífica coroa uma das criações literárias mais notáveis de nossos tempos e um dos estilos de escrita mais exigentes e inventivos", disse Kouchner em comunicado à imprensa. "De Albuquerque a Seul, de Nova York ao Panamá, de Londres a Lagos, Jean-Marie G. Le Clézio vive, viaja, conhece e ama muitos países, povos, civilizações e culturas", acrescentou.

A fase que antecedeu a entrega do Nobel de Literatura deste ano foi dominada por controvérsia, depois de Horace Engdahl, secretário permanente da Academia Sueca, ter dito que os Estados Unidos são demasiado insulares e não participam do "grande diálogo" da literatura mundial.

Feitos a uma agência de notícias, seus comentários desencadearam uma tempestade de reações iradas de escritores e críticos norte-americanos.

A última vez em que o prêmio Nobel de Literatura foi dado a um americano foi em 1993, quando a premiada foi a romancista Toni Morrison.

Todos os prêmios Nobel, exceto um, foram criados no testamento do magnata Alfred Nobel e são entregues desde 1901. O Nobel de Economia foi criado pelo Banco Central sueco em 1968.

http://diversao.uol.com.br/ultnot/2008/10/09/ult4326u1130.jhtm

Em São Paulo, 9 de Outubro de 2008