A América Latina e a Fórmula 1

A América Latina está mal na Formula 1. Tem só um GP, o do Brasil, o mesmo que a Oceania (que tem o GP da Australia). Mas compare-se o número de países e de habitantes nos dois blocos de países. (A AL por si não é um continente).

O Oriente Médio tem dois GP (Bahrain e Emirados Árabes Unidos).

As três Américas têm três GP (contando com o do Brasil, mais os dos Estados Unidos e do Canadá).

A Ásia tem seis GP.

E a Europa tem oito GPs.

A continuar a coisa nesse ritmo, logo o Oriente Médio ultrapassa as três Américas. E há chance de o Brasil perder o seu para o México, ou para a Argentina, ou para o Chile. Mesmo que fique no Brasil, SP pode perde-lo para o RJ.

TOTAL: 20 GP, como segue:

08/03 – GP da Austrália / Melbourne: Jenson Button

25/03 – GP da Malásia / Kuala Lumpur: Fernando Alonso

15/04 – GP da China / Xangai: Nico Rosberg

22/04 – GP do Bahrein / Manama: Sebastian Vettel

13/05 – GP da Espanha / Barcelona: Pastor Maldonado

27/05 – GP de Mônaco / Monte Carlo: Mark Webber

10/06 – GP do Canadá / Montreal: Lewis Hamilton

24/06 – GP da Europa / Valência: Fernando Alonso

08/07 – GP da Inglaterra / Silverstone: Mark Webber

22/07 – GP da Alemanha / Hockenheim: Fernando Alonso

29/07 – GP da Hungria / Budapeste: Lewis Hamilton

02/09 – GP da Bélgica / Francorchamps: Jenson Button

09/09 – GP da Itália / Monza: Lewis Hamilton

23/09 – GP de Cingapura / Cingapura: Sebastian Vettel

07/10 – GP do Japão / Suzuka: Sebastian Vettel

14/10 – GP da Coreia do Sul / Yeongam: Sebastian Vettel

28/10 – GP da Índia / Nova Déli: Sebastian Vettel

04/11 – GP dos Emirados / Abu Dhabi: Kimi Räikkönen

18/11 – GP dos Estados Unidos / Austin: ?

25/11 – GP do Brasil / São Paulo: ?

Em São Paulo, 18 de Novembro de 2012 (Dia do GP dos Estados Unidos)

Vagabundagem e Bagunça

Está bom… poderia ter dado a esse post o título de “Ócio e Indisciplina”. Mas fica esse título mais escrachado…

O que segue foi tirado de um post que publiquei no Facebook no dia 15/11/2012, Dia da Proclamação da República, feriadíssimo. Estava em casa, sozinho, e escrevi (com algumas pequenas alterações editoriais):

Aproveitando o feriado, hoje não pretendo fazer nada. Nada de útil, quero dizer. Só coisa inútil, mas prazerosa. Tipo beber um bom conhaque comendo um bom queijo… E/ou ficar batendo papo no Facebook… Ou lendo revistas, ou fuçando ora num livro, ora noutro…

Otium cum dignitate.

É preciso alcançar um nível razoável de auto-controle e auto-estima para conseguir voluntária e intencionalmente vagabundear, sem ter qualquer sentimento de culpa (algo especialmente difícil dadas as minhas profundas raizes calvinistas: sempre me ensinaram que uma pessoa desocupada é uma presa fácil para o Diabo).

Por outro lado, o Alípio Casali, que foi professor da minha mulher, Paloma Epprecht Machado Campos Chaves, um dia disse em aula, num lampejo de gênio filosófico, que a inteligência não prospera sem uma forte dose de vagabundagem.

Dias depois de ouvir isso, leio numa coluna do Gilberto Dimenstein algo parecido: a criatividade não prospera exceto em ambientes com uma forte dose de bagunça e desorganização…

É isso. Pensem sobre esses fatos (e não tenho dúvida de que são fatos).

Em São Paulo, 18 de Novembro de 2012

O Leilão da Virgindade: A Culpa é do Mercado?

O artigo de fundo da VEJA desta semana é: “Será que estamos virando uma sociedade em que tudo se compra? Ela vendeu a virgindade”.

A capa tem uma moça puxando para baixo um lado da calcinha e mostrando, na virilha, um código de barras… Criativo!  Embora a foto na capa mostre apenas do pescoço até os joelhos da moça, dentro se vê que a foto é, de fato, da catarinense que colocou a virgindade em leilão (e, aparentemente, arrecadou cerca de um milhão e quinhentos mil reais pela cessão de algo que a maioria das mulheres dá de graça).

Dentro, a VEJA dedica vários artigos ao assunto, sob o título, em letras garrafais vermelhas. “NEM TUDO SE COMPRA”.

A estrela da matéria é o filósofo de Harvard Michael Sandel, que escreveu um livro O que o Dinheiro não Compra, em que procura prescrever uma ética para o mercado. Segundo ele (em entrevista à VEJA), casos como de Ingrid Megliorini (a que leiloou a  virgindade) se classificam como “aplicação da lógica do mercado” fora do mercado, isto é, em áreas da sociedade que não fazem (ou não deveriam fazer, não fica claro) parte do mercado. 

A VEJA perguntou: “Em seu livro, o senhor faz uma distinção entre economia de mercado e uma sociedade de mercado. Qual a diferença?”

A resposta dele me parece fraca:

“A economia de mercado é uma ferramenta valiosa e efetiva para organizar a atividade produtiva. Trouxe prosperidade e riqueza para diversas sociedades ao redor do mundo.”

Arre, até aí tudo bem, exceto, talvez, pelo termo “diversas”… Gostaria que Sandel me desse exemplos de sociedades que se tornaram prósperas e ricas sem a economia de mercado. Se não fornecer, continuo a presumir que as sociedades só se tornam prósperas e ricas à medida que adotam a economia de mercado.

Mas o pior está por vir.

“Uma sociedade de mercado, no entanto, é diferente. Nem tudo está à venda. É um modo de vida no qual o pensamento econômico invade esferas a que ele não pertence”.

O problema está no “pensamento econômico” – isto é, no liberalismo econômico – ou no interesse econômico das pessoas?

A tese do liberalismo econômico é que as pessoas devem ser livres para vender ou trocar  o que quer que seja que, sendo de sua propriedade, queiram vender ou trocar. E que devem ser livres para, tendo meios (recursos financeiros ou bens e serviços), comprar ou receber em troca o que quer que seja que desejam ou que lhes agrada.

Uma observação importante sobre o artigo da VEJA. O surpreendente não é, como sugere a capa e o título, que haja quem compre o direito de disvirginar uma pessoa – ou que haja quem compre o voto de um deputado ou senador. O surpreendente é que haja quem queira vender essas coisas… Se alguém está disposto a vender alguma coisa, qualquer que seja, e é flexível no preço e nas condições de venda, cedo ou tarde aparece quem queira comprar aquela coisa. O problema está na venda, não na compra.

De igual maneira, o título do livro de Sandel é mal posto. Não deveria ser “o que o dinheiro não compra”, porque o dinheiro compra qualquer coisa que esteja à venda. Seu livro estaria na direção certa se o título fosse: O que não se deve vender…

O liberalismo econômico defende a liberdade das pessoas para vender ou trocar o que quiserem e para comprar ou obter em troca o que quiserem.

Mas também defende a tese de que as pessoas devem ter princípios morais e não se dispor a vender (ou trocar) determinadas coisas, ainda que sejam legitimamente suas: sua honra, sua opinião, seu voto, seu apoio político…

As coisas citadas (honra, opinião, voto, apoio político) são, na perspectiva moral do liberalismo, coisas que não se devem vender (nem trocar) nunca. A virgindade, nessa linha, talvez não seja algo que deva ser vendido, devendo ser guardada ou dada  de graça a quem faça por merece-la. Mas vender a virgindade me parece algo muito menos grave do que vender honra, opinião ou voto. Afinal da contas, diariamente vemos gente vendendo acesso sexual ao seu corpo (mesmo que não seja um corpo sexualmente virgem) sem que muita gente se escandalize com o fato ou por ele culpe o capitalismo ou a economia de mercado. (Afinal, a prostituição, ou a venda por alguém do direito de outra pessoa aceder sexualmente ao seu corpo, existe desde que o mundo é mundo, há milhares e milhares de anos, muito antes do aparecimento do capitalismo e da economia de mercado).

O problema não está no “pensamento econômico”, no capitalismo, no liberalismo econômico. O liberalismo defende a liberdade das pessoas para dispor do que é seu da forma que preferirem. Ponto final.

O problema está no código moral das pessoas. Se alguém está disposto a vender a mãe ou o filho, a virgindade, o acesso sexual ao seu corpo, ou um órgão vital de seu corpo, o problema não está no sistema que viabiliza a transação, mas nas pessoas que fazem uso desse sistema.

Qual seria o remédio?

Acabar com o capitalismo com pretendem nossos esquerdistas de plantão? Esta é a solução socialista.

Limitar a esfera de atuação do mercado, como pretende Sandel, determinando, por lei, que algumas coisas não podem ser vendidas, trocadas, compradas ou adquiridas por troca? Esta a solução social democrata.

Ou educar as pessoas na área de valores para que aprendam a respeitar certas coisas, que são suas, sim, mas que não deveriam, por razões morais, ser vendidas ou trocadas – porque, afinal, não têm preço, como diz o bordão de um comercial? Esta a solução liberal.

Eu não tenho dúvida alguma quanto ao remédio certo.

Em São Paulo, 18 de novembro de 2012

Toffler’s The Third Wave

I am rereading Alvin Toffler’s The Third Wave. This fantastic book was published in 1980. My copy was bought two years later. In 1983, when I was still Dean of the School of Education at UNICAMP, I taught an undergraduate seminar on the book (against the protest of the Educational Sociology Department that claimed I couldn’t teach that, since the book was Sociology and I didn’t have a degree in So…

ciology… The real reason was that the book was subservient to Marxist ideology and showed that Soviet Russia was basically an industrial — Second Wave — country when the US was quickly moving ahead into the Third Wave). Most students thought that the book was an exercise in futurology only. Today, almost 30 years later, as I reread the book, I see that guy wrote about the future as most people write about the past: with clarity and full conviction. Most amazingly, things have turned out basically as he predicted they would. Really unbelievable.

In São Paulo, on the 18th of November of 2012

A Violência em São Paulo

Uma sociedade em que a gente passa tanto tempo se cuidando e protegendo para não se tornar vítima da violência, e em que a gente gasta tanto tempo, na mídia e em conversas particulares, discutindo o que fazer para se sentir e efetivamente estar mais seguro não pode ser uma sociedade viável. Espero que não cheguemos ao ponto em que Bogotá um dia chegou, em que policiais ou agentes de segurança tinham de colocar espelhos embaixo do seu carro e cães farejadores dentro antes de permitir que você entrasse no estacionamento de um prédio, ou em que sua pasta, sua bolsa ou sua sacola eram fiscalizadas quando você entrava num shopping…

Deus nos livre desses extremos, mas a coisa aqui em SP não está fácil e pode caminhar para essas medidas absolutamente insuportáveis.

Precisamos rever algumas teses que se tornaram “ideias pétreas”: Primeiro, a da idade em que as pessoas se tornam penalmente responsáveis – a chamada maioridade penal. Segundo, e relacionado, a ideia de que aquilo que um menor de idade do ponto de vista penal, qualquer que seja essa idade, some de sua ficha, como se nunca tivesse acontecido, e ele passa a ter ficha limpa e pode até se candidatar a ser vereador, deputado, senador, prefeito, governador e presidente. Terceiro, rever a questão da prisão perpétua e mesmo da pena de morte. Quarto, rever as regras que regem nossas prisões e torna-las mais estritas, acabando com visitas íntimas e outras regalias que são maneiras de manter os presos ligados à sociedade e, de dentro da prisão, gerir sua rede de subalternos. E assim vai.

Quem viola o direito à liberdade e demais direitos humanos dos outros não pode ter seu direito à liberdade e demais direitos humanos respeitados.

Quem viola o direito à vida dos outros não pode ter seu direito à vida respeitado.

Anteontem abriram caminho no trânsito a bala aqui em SP e mataram uma criança que estava no colo da mãe dentro de um carro atingido.

Como se argumenta no fantástico filme argentino (melhor filme no Oscar de dois anos atrás), El Secreto de sus Ojos, pena de morte para um cara desses É MUITO POUCO.

Em São Paulo, 18 de Novembro de 2012.

Ainda Windows 8

Depois da postagem anterior houve uma evolução… Recebi um e-mail da Microsoft me dizendo do erro no preço que foi amplamente anunciado na imprensa: era pra ser R$ 69,98 e não R$ 84,98 – R$ 15,00 de diferença.

Por causa do erro, e para se penitenciar, a Microsoft me informou que estava creditando em meu cartão de crédito a importância total que eu havia pago, e que, portanto, a minha cópia do Windows 8 Pro ficava como presente da empresa, com um pedido de desculpas e com o desejo que eu desfrutasse plenamente o produto – algo que estou fazendo.

Coisa rara hoje em dia essa atitude. Minha admiração pela empresa e por seu fundador aumentam com um gesto desses.

Em São Paulo, 18 de Novembro de 2012.

Windows 8

Hoje instalei Windows 8 na minha (potente) máquina Dell, que estava meio abandonada. Baixei do site da Microsoft, à meia-noite de hoje, por R$ 83,98, a versão Pro. Instalei, mantendo todos os dados, configurações e software, e está funcionando perfeito.

A interface é diferente e, por isso, vou levar algum tempo até me adaptar. Mas é possível acessar uma tela parecida com o Desktop do Windows 7 e das versões anteriores.

Continuarei a dar algum feedback aqui.

Não tenho escrito aqui com tanta frequência porque adotei o Facebook como minha principal plataforma de interação com o mundo virtual.

Quem preferir interagir comigo lá, por favor acesse:

http://www.facebook.com/eduardo.chaves

(Minha conta antiga do Facebook ainda existe, mas está lotada, por isso não posso aceitar mais amigos lá. Mas há muito material interessante lá:

http://www.facebook.com/chaves

Obrigado.

Eduardo Chaves (Em 26 de Outubro de 2012)

Em Favor da Dúvida

Fuçando numa Livraria Saraiva em São Paulo ontem (3/5/2012) à noitinha, encontrei um livro cujo título me fascinou: Em Favor da Dúvida: Como Ter Convicções Sem se Tornar um Fanático (Editora Campus, 28,60 na Amazon BR). (O original é In Praise of Doubt, Em Louvor da Dúvida). Os autores são Peter Berger e Anton Zijderveld.

A tese principal do livro é de que a maior contribuição da modernidade para com a civilização não é a secularização, mas a pluralização da sociedade.

Os autores fazem uma análise fascinante da pluralidade: uma situação em que todos convivem em paz cívica e interagem significativamente uns com os outros.

Eles traçam a evolução de um modelo de civilização constituída por grupos de consenso cognitivo e normativo que, entretanto, ou viviam em conflito uns com os outros, ou coexistiam em paz, mas sem interação significativa (como as castas indianas, que convivem até pacificamente mas sem “comensalidade e conúbio”: os membros de um grupo não podem nem sequer comer juntos, quanto mais se casarem uns com os outros) para o modelo de civilização moderno, plural.

Com a urbanização, que aproximou os grupos fisicamente, a proliferação da educação escolar (que ajuda as pessoas a refletir sobre sua herança cultural e a dos outros), os meios de comunicação de massa, que revelam outras formas de pensar, outros valores, outras maneiras de viver, e, por fim, a globalização, que reduziu o tempo que se leva para ir de um espaço ao outro, a pluralidade, no sentido definido, surgiu — e, apesar de eventuais recuos, progride.

A pluralidade, em um espaço globalizado, produz a “contaminação cognitiva e normativa”: se pessoas de grupos diferentes convivem em paz e interagem, elas vão dialogar e discutir umas com as outras, e, com o tempo, podem (talvez devam) influenciar os modos de pensar, os valores e as formas de agir umas das outras. À medida que isso acontece, o outro deixa de parecer estranho — quanto mais nocivo, perverso, insano. Lentamente surge a dúvida: quem sabe se os outros não estão certos, e eu errado? Com esse modo de pensar, mesmo que não se abandonem os modos de pensar, os valores e as formas de agir de antes, sua aceitação sem questionamentos é abalada…  De uma situação em que parecíamos destinados a crer, valorizar e agir de um certo jeito, passamos a acreditar que temos escolha, que temos liberdade de pensar, de escolher nossos valores, de viver como nos aprouver…

Esse é apenas o começo do livro. Vale a pena ler. Recomendo. Principalmente para aqueles que têm dificuldade em entender como os outros podem pensar, adotar valores, e se comportar de forma tão diferente, e, aparentemente, tão sem sentido…

Fundamentalistas em geral provavelmente nem chegarão perto do livro… a menos que já tenham sido picados pela mosca azul da dúvida!

Em São Paulo, 4 de Maio de 2012

Marcelinho

Estou escrevendo no dia 6 de Abril.

Em 2005, no dia de hoje (exatamente sete anos atrás, portanto), eu estava em Panama City, numa reunião de L’Alianza por la Educación, o segmento latinoamericano do programa global da Microsoft Partners in Learning.

Pelo então MSN (hoje Windows Live) Messenger eu acompanhava a evolução da gestação de minha filha mais nova, Patrícia, que estava para dar à luz o seu segundo filho. Quem me informava era a Fernanda, tia dela.

Nascimentos são (ou deveriam ser) coisas corriqueiras. Mas a preocupação, no meu caso, era maior do que o normal porque menos de dois anos antes ela havia perdido seu primogênito, Guilherme, que nasceu com problemas em 9 de Setembro de 2003 e morreu logo depois, no dia 15, dia em que completaria uma semana. No dia em que o Guilherme nasceu eu estava em Amsterdam, numa reunião do segmento europeu do mesmo programa da Microsoft…

Felizmente, a Fernanda me informou de que que o Marcelo havia nascido — e que estava bem. Logo depois recebi uma foto dele. Achei lindo. (Olhando à foto hoje, da perspectiva de quem viu o que ele se tornou, sou forçado a reconhecer que aquela foto, tirada pelo pai dele, logo depois do nascimento, está longe de ser a melhor foto do menino. Mas…

Lembro-me como se fosse hoje a emoção que senti ao saber que tudo havia ido da melhor forma possível.

Ao final da reunião saí à rua e comprei uma cópia do jornal Panamá América daquele dia. No dia seguinte, comprei a cópia do mesmo jornal do dia 7 e também uma cópia do The Miami Herald – International Edition. Fiz isso para que o Marcelinho um dia pudesse ficar sabendo o que estava acontecendo no mundo no dia em que ele nasceu. Estou com esses três exemplares dos jornais aqui comigo, no sítio, em Salto, agora… Encontrei-os, fuçando nas minhas coisas antigas — as minhas relíquias, como eu as chamo. Sou cheio delas. Os jornais estão amarelados, mais inteiros. Quando o Marcelinho crescer mais um pouco, e, talvez, souber apreciar o gesto, dou as cópias para ele.

Hoje, comemoro o sétimo aniversário dele mais uma vez longe dele.

Há dias, ele caiu na escola e quebrou dois dentinhos da frente. Felizmente, ainda de leite. Como o pai e a mãe são dentistas, creio que está em boas mãos, nesse aspecto.

Antigamente, o sétimo aniversário parecia indicar que uma fase da vida estava se completando: a infância, propriamente dita, em que a gente simplesmente brincava e curtia a vida, sem maiores obrigações. Depois dos sete, a gente tinha de ir para a escola e começava uma infância diferente, já cheia de obrigações chatas.

Hoje em dia, as crianças já vão para a escola muito mais cedo — até com dois anos. A infância, propriamente dita, vai se encurtando… Eles nem sentem falta dela, porque nunca a conheceram, como eu a conheci: tive a ventura de só ir para escola aos oito anos e meio…

Deixo esse registro aqui como minha homenagem a um menino lindo, inteligente, carinhoso, de boa índole, que é o único de meus netos que carrega meu sobrenome: Marcelo Chaves de Moraes Salles. Nome de gente importante, como diria meu pai, bisavô dele.

Marcelinho, um beijo do vô. Amo você, querido.

Em Salto, 6 de Abril de 2012.
(postado apenas em 8 de Abril por ter tido problemas com a Internet nos dias anteriores)

A Idiotice do Protecionismo (especialmente no caso dos vinhos)

A temporada parece estar aberta para a indústria brasileira pedir proteção ao governo e para o governo tomar medidas protecionistas.

Isso é um desastre total e absoluto para os consumidores, como nós, e para aqueles cujos empregos estão vinculados à importação.

Para os consumidores, essa temporada representa produtos estrangeiros mais caros — ou desaparecimento deles, em virtude da proteção do governo brasileiro aos produtos nacionais.

Será que não aprendemos nada com a reserva de mercado de informática? Será que ninguém se lembra de quando tínhamos de comprar computadores vindos no mercado negro do Paraguai porque ninguém conseguia comprar os produtos nacionais, pelo seu preço exorbitante?

O que as vinícolas nacionais querem, para dar apenas um exemplo, é poder cobrar mais pelos seus vinhos ruins do que nós pagamos pelos vinhos bons dos chilenos e dos argentinos de Mendoza.

Como consumidor regular dos vinhos chilenos, argentinos e portugueses, EU PROTESTO.

Se as vinícolas brasileiras não conseguem produzir vinhos tão bons quanto os estrangeiros por preços comparáveis aos destes no mercado nacional (com Imposto de Importação, frete, e tudo), que fechem as portas.

Lembro-me dos seguintes exemplos.

Um vinho chileno razoável como Casillero del Diablo custa aqui no Brasil cerca de 30 reais a garrafa. Já é um preço caríssimo. Em Londres (muito mais longe do Chile do que o Brasil) paguei por ele 4,50 libras. Os produtores nacionais querem que esse vinho fique ainda mais caro no mercado nacional para que a gente se veja forçado a comprar os vinhos que eles produzem, piores, por esse preço…

O Periquita padrão de Portugal custa aqui também cerca de 30 reais. Em Portugal, local em que é feito, custa também 4,50 — agora euros, não libras.

O preço mais caro desses vinhos estrangeiros no mercado nacional, em relação ao preço que têm em outros países, já é caro por causa principalmente dos impostos brasileiros.

As vinícolas brasileiras, sabedoras de que governo gosta de cobrar mais imposto, pede que o governo aumente os impostos sobre os vinhos estrangeiros.

Os únicos que ganham com esse tipo de protecionismo (impostos mais altos para os importados, ou mesmo as absurdas cotas de importação) são o governo e os produtores nacionais de vinho. Por isso a Miolo e a Casa Valduga tão tentando descolar esse beneficiozinho (que não passa de prejuizão para nós).

Os consumidores brasileiros só se ferram. Terão de pagar mais caro pelo produto que normalmente consomem — ou pagar o mesmo preço por um produto nacional inferior.

BASTA. Vamos nos unir nessa campanha. Boicote aos vinhos da Miolo e da Casa Valduga — e aos de qualquer produtor nacional de vinho que estejam apoiando restrições aos importados.

Em São Paulo, 4 de Abril de 2012